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Contos da Bruxa: A Bruxa em baixo da mesa


Hela

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[TD]Contos da Bruxa[/TD]

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[TD]Contos, Creepy, Terror.[/TD]

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[TD]Sinopse[/TD]

[TD]Várias histórias sobre os poderes de uma bruxa contados pela visão de um menino que conviveu com ela durante sua infância.[/TD]

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Eu passei grande parte da minha infância vivendo com uma bruxa, isso mesmo, uma bruxa. Ela não era de todo mal, para falar a verdade ela gostava muito de crianças e fazia cafés e bolos maravilhosos, mas com os adultos ela costumava ser bem má, por isso não era bom irritá-la.

 

Eu vim aqui hoje para contar diversas historinhas que vivi na casa dessa bruxa, mas primeiro eu preciso explicar para vocês os tipos de magia existentes em nosso mundo, eu sei que muitas pessoas por aí devem ter te dito que magia não existe, mas na verdade elas estão erradas, o que acontece é que o véu do acaso separa os crentes dos descrentes e apenas os humanos de olho liso são capazes de enxergar por trás desse véu. Inicialmente todos os humanos e animais nascem com os olhos lisos, mas grande parte dos animais não são capazes de distinguir entre os dois mundos, alguns por outro lado são ótimos mensageiros, bons exemplos são os gatos e as corujas, eles conseguem distinguir perfeitamente os dois lados do véu e, ao contrário do que a crença popular diz, as bruxas não são grandes fãs desses animais já que, diferente dos cachorros e aves, eles não se assustam com presenças paranormais e podem guiar os espíritos para fora de casa.

 

A, claro, eu havia me esquecido, eu tenho de lhes explicar os tipos de bruxaria. Minha amiga bruxa era uma maga de sangue, ou seja, ela fazia magia negra, o que não é algo agradável e nem bonito, por essa razão ela nunca me deixou ver os rituais, tudo o que presenciei foram rastros místicos que ela largou pela casa; além disso ela também conhecia um pouco da magia xamã, não era algo que ela dominasse, mas conseguia quebrar um galho as vezes, essa magia consiste em curar enfermidades com o uso de ervas ou negociar pacificamente com espíritos através de oferendas, é uma magia bem próxima do que conhecemos por Wicca hoje em dia; existem também as magias de exorcismo, conjuração e batismo, são magias relacionadas aos vínculos astrais; e a minha favorita, apesar de nunca ter visto na prática, é a magia física, consiste em alterar a forma do seu próprio corpo ou mover objetos, além de outras coisas do tipo, esse é um tipo de magia muito avançado e geralmente quando uma bruxa ou mago os executam é por acidente, alguns humanos comuns também são capazes de executar esse tipo de magia quando estão muito estrassados.

Conto 1: A bruxa em baixo da mesa

 

Quando minha amiga bruxa era jovem ela já batalhou com diversas outras feiticeiras, uma dessas feiticeiras se chamava Morgana e não, não é a prima de Merlin, mas o nome foi em honra a ela, a família de Morgana era muito ligada com a magia tradicional, mas Morgana, assim como minha amiga, era adepta das artes das trevas, o que resultou em problemas; o que acontece é que geralmente uma bruxa de sangue se torna uma bruxa de sangue por dois motivos, primeiro, ela pode ter se apaixonado por um desencarnado de qualquer tipo e pediu-lhe que a ensinasse magia para terem contato carnal, mesmo fora do corpo, ou a mãe da bruxa fora batizada enquanto gravida, nesse caso todos os pecados da mãe são transferidos para a criança e ela recebe a marca de Caim. A marca de Caim foi um símbolo astral que os anciões pregaram no filho de Adão, ela representa um grande poder deturpado e, desde a morte de Nimrod, o último Neflim, os portadores da marca são considerados os maiores perigos mortais, entenda por mortal algo ou alguém que pode ser morto.

 

Enfim, quando minha amiga e Morgana eram jovens elas moravam perto de um riacho e como nas histórias do boto elas costumavam se banhar ali diariamente, longe da visão dos homens, exceto é claro pelos familiares; familiares são espíritos semi-carnais, eles são almas de homens mortos, sim, exclusivamente homens, que encarnam no mundo na forma de um animal, o animal que eles materializam é selecionado de acordo com sua personalidade, pode ser uma coruja, um gato, ou algum tipo de peixe; quando minha amiga bruxa ia para o lago ela costumava se banhar ali mesmo, por ser um rio próximo a uma casa de freiras a passagem de homens ali era estritamente proibida, mas sempre que minha amiga ia se banhar um rapaz nu aparecia das águas e soltava-lhe galanteios, não demorou muito para que ela se apaixonasse pelo rapaz e quisesse saber mais sobre ele, onde vivia, quem era sua família, mas ele nunca revelava nada; os dois perdiam horas a fio conversando e trocando beijos virgens a margem do lago.

 

No outro extremo do rio, nas margens do leste, Morgana soltava galanteios arrebatadores ao rapaz, mas diferente de minha amiga, Morgana não era moa de família, trabalhava em um bordel e já havia aprendido magia há muito tempo, depois de tantos galanteios trocados, Morgana começou a reparar que o rapaz jamais saia do lago, como moça da vida com horários livres Morgana passou a ir em horários cada vez mais imprevisíveis e não importava o quão absurdo fosse o horário o rapaz sempre estava a sua espera.

Certo dia Morgana fez um ritual no brejo, com um gato selvagem amarrado junto de um peixe grande ela proferiu feitiços desconhecidos nos dias de hoje, feitiço esse que fez com que a alma do caboclo passasse do lago para dentro do corpo do gato; antes que Morgana pudesse aprisionar o gato consigo para ter seu amante eterno, o caboclo conseguiu fugiu para o mato.

Como consequência pelos feitiços mal pensados de Morgana todos os peixes do rio começaram a morrer, a alma do gato se deleitava com a comida que agora o pertencia.

 

Minha amiga bruxa triste por nunca mais ter ido ao rio e consequentemente nunca mais ter visto seu namorado vivia cada dia mais cabisbaixa. Até que certo dia um gato muito bonito pulou sob o batente da janela de seu quarto e a ficou encarando, a bruxa que não gostava de gatos estava pronta para expulsar o bichano quando esse lhe abriu um sorriso. A reação da bruxa foi a de qualquer pessoa, deu-lhe um tapa tão forte que arremessou-lhe no mato. Culpada em ter ferido o animal ela amontoa alguns pescados salgados e os coloca sob o batente da janela, o felino volta, mas age de maneira estranha, faz sinal com o rabo, ignora os peixes. A bruxa, que já começava a duvidar de sua sanidade segue o animal, com medo de que seus pais lhe vissem saindo ela vai em passos silenciosos e apressados.

 

Depois de uma boa caminhada ela se depara novamente com o rio, o gato se transforma em homem as margens do rio, a bruxa assustada pergunta o que está acontecendo; o gato explica que ele é o caboclo responsável por cuidar do rio, e que nesse momento a alma dele está presa no corpo do gato. Após uma conversa bizarra demais para ser contada ele ensina a bruxa como reverter o feitiço, mas explica que para isso ela precisará da alma de Morgana.

 

A bruxa, até então uma jovem católica e pura, segue para o mercado onde gasta as economias de seu pai, que é pescador, para comprar um bode, volta para o brejo com o bode e o amarra a beira do rio para que não fuja, após isso segue ao bordel, com medo de ser reconhecido por Morgana, o gato lhe da apenas um de seus olhos, ela deveria mostrar as prostitutas para o amuleto, o que fizesse o olho de gato brilhar seria Morgana.

 

Não demorou muito até o espírito do caboclo ficar entusiasmado com a presença de Morgana, o que chegou a fazer com que o olho se dilatasse. A bruxa esperou que Morgana ficasse sozinha e, fingindo desespero, pediu ajuda, disse que havia um gato se afogando no lago, mas ela afirmava não saber nadar. Morgana animada pensando que finalmente teria seu amante para si correu junto da Bruxa, ao chegar na beira do lago encontrou o gato ferido de morte com um de seus olhos arrancados. Morgana em desespero se debruçou sob o gato, tempo suficiente para que a bruxa a acertasse com uma pedra na cabeça.

 

O ritual fora feito, a alma do gato foi encaminhada para o mundo dos mortos, o caboclo foi para o rio, e a alma de Morgana foi colocada em uma garrafa cheia de sangue de bode. O corpo de Morgana foi dado de presente para o rio, que usou de sua matéria para criar um corpo físico e finalmente, seduzir e desvirginar todos os jovens da cidade.

 

A garrafa com a alma de Morgana ficava sempre escondida no canto do pé da mesa de sala da bruxa, como uma alma é grande demais para uma garrafa, ela costumava se manifestar em uma posição muito desconfortável, de quatro, completamente apertada embaixo daquela mesinha de centro, onde a bruxa com muito gosto colocava seus pés sob suas costas.

 

 

* encontrou algum erro ou tem alguma dica? Me diz ae!*

 

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Editado por Hela

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Lilith Morningstar.

Eva, Monah do Pah

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Não seria "Quando minha amiga e Morgana (...)

 

No inicio da fic era avó do cara, mas aí eu tirei isso e mudei pra amiga, tenho que procurar por mais disso nos outros contos depois.

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