Lazarento Postado Janeiro 16, 2018 Compartilhar Postado Janeiro 16, 2018 Esta fanfic seria minha submissão no evento "Um Natal Abençoado". Espero que gostem. Primeira Noite Acordou cansado, a última coisa que se lembrava era de ter enfrentado um grupo de humanos. Teria mais uma vez sido derrotado? Grashnir nunca se permitiu descansar, pelo menos não após a noite em que a vila tinha sido invadida e saqueada pelos humanos. O Ódio servia de combustível para o já implacável Senhor dos Orcs, seu dever era combater as incursões humanas à Vila e proteger seu clã. Não conseguia parar de pensar que seu fracasso na última batalha poderia ter causado o sequestro de mais uma criança orc, uma de várias ao longo dos últimos anos. Esta noite estava especialmente fria para Grashnir que não costumava sentir frio. Quase tinha esquecido que a noite seguinte seria de solstício, era de costume do povo orc ter comemorações no dia, hoje não mais. Estava a finalizar sua última patrulha perto da ponte quando notou uma movimentação na superfície do lago. Obstinado como sempre, nunca negou seu dever e ao notar a estranha figura correu ao seu encontro temendo mais um ataque dos magos humanos que por ali costumavam debandar. — A noite está fria, Grashnir. O que estás fazendo na beira do lago tão tarde? — Perguntou o Xamã do Vento. — O Que é você? Mais uma artimanha dos humanos imundos? — Não, vim por outra coisa. É chegada a hora guerreiro, vem comigo. E em desespero Grashnir viu o firmamento sumir e tudo que restava escurecer. Pensando que se este seria seu fim, quem protegeria seu povo? Grashnir acordou numa cabana orc comum, o fogo ainda crepitava no canto do pequeno abrigo. Pareceu confuso pois sua acomodação como líder da tribo não seria tão modesta, porque estaria ali? Uma luz entrou na cabana e a porta se abriu. — Ah, veja só! O Pequeno Dentuço acordou! Vamos, levante-se, está na hora. Não era chamado assim há uma vida. Ainda atordoado Grashnir se apoiou na pequena cama de palha e levantou para não encontrar nenhuma das incontáveis cicatrizes a qual tinha ganho ao longo de infinitas batalhas contra os humanos. Olhou em direção à porta e reconheceu um rosto quase esquecido, o sorriso amável do seu avô se abria como um raio de luz. Grashnir não pôde se conter e abraçou o seu avô com toda força que tinha. Isso normalmente quebraria os ossos frágeis do velho mas ele não se importou. — Calma dentuço, nesses dias você irá me esmagar com tamanha força. Venha, vamos, temos que aprontar você para as comemorações do solstício. E então Grashnir percebeu que estava a reviver um dos dias mais importantes de sua juventude, o dia em que o clã o reconheceria como um guerreiro fiel à vontade. Acontecia nos solstícios como de costume, neste seria a vez do jovem Grashnir ser honrado à vontade já que fazia seus 17 solstícios de idade. — Você levantou tarde hoje, dentuço! O que houve? Já passa da meia-luz do dia, você precisa se apressar, a cerimônia começa em instantes. Grashnir tentou falar algo mas seu avô lhe pegou pelo braço e o arrastou através da vila. Queria lhe perguntar tantas coisas, mas o velho era implacável e arrastava o jovem orc pelas cabanas buscando os materiais necessários para a cerimônia. — Como pode, o neto do sacerdote estar atrasado para a cerimônia do solstício? Olha dentuço, se seus pais ainda estivessem aqui você estaria bem encrencado. Isso, muito obrigado, ele vai precisar com certeza. Vamos, por favor, ele está atrasado, você sabe como os jovens são estúpidos. — Tome, vista sua armadura e pegue seu machado. Não é hora para conversas dentuço, você está muito atrasado. E assim o levou ao centro da vila onde seus amigos já preparados os esperavam. Podia reconhecer todos, amigos há tanto tempo perdidos, há tanto tempo quase esquecidos. Assim, seu avô lhe deu um tapão e o pôs na fila com os demais jovens. Aos poucos os demais membros da vila chegavam para dar início às comemorações. Tambores formavam um grande círculo ao redor jovens dos orcs que nesta noite receberiam a honra da vontade. Seu avô tinha iniciado a cerimônia onde eles seriam reconhecidos como guerreiros, toda a tribo cantava uma canção de ode à vitória, batendo os pés contra o chão e urrando em uníssono. Um exército orc era uma cena ao mesmo tempo linda e assustadora. Havia chegado a hora. Seu avô marcou o rosto do jovem Grashnir com seu próprio sangue e pediu que repetisse com ele o juramento do guerreiro orc. — Serei leal e imbatível. Serei justo e misericordioso. Serei um guerreiro voraz e protegerei os fracos. Serei acima de tudo fiel à vontade e ao meu clã. O juramento tinha sido dito e todos aqueles eram agora sua família, seu dever era protegê-los. Quando seu avô o abraçou, pôde ver o rosto de cada um dos orcs ali presentes. Então lamentou o que estava porvir. Mais uma vez, o firmamento sumira assim como todos ao seu redor. Segunda Noite — Venha Grashnir, sua jornada apenas começou. — Disse novamente o Xamã do Vento. Grashnir estava de volta à vila e o misterioso Xamã do Vento pairava à beira do lago. — O que aconteceu? Onde está meu avô? — Vamos Grashnir, não temos tempo, é noite de solstício de novo e ainda temos duas visitas por fazer. Grashnir seguiu o Xamã ao longo da ponte até encontrar na extremidade um grupo de humanos com uma criança orc no colo. Grashnir rangeu os dentes e correu em direção ao pequeno grupo e então percebeu que não podia se mexer mais. — Calma Grashnir, você não quer mais atacar eles. — Claro que eu quero! Estão levando mais uma criança do meu clã! Não posso permitir isso, solte-me fantasma! E então Grashnir ouviu a voz calma de uma humana acalantando a pobre criança orc. — Não chore pequenino, logo logo chegaremos à capital. Lá você encontrará outros como você, onde poderão crescer longe da maldição. Vamos entrar no portal agora, venha. A sacerdotiza acalentava o bebê orc nos braços e tudo que passava pela cabeça de Grashnir era confusão. Outros como você? Maldição? Então o pequeno grupo sumiu. — Esta terra está condenada, Grashnir, não há mais salvação para mim ou para você — disse o Xamã do Vento — mas talvez tenha para eles. Vou explicar, venha. E então o firmamento sumiu. Terceira Noite — Acorde, é noite de solstício mais uma vez. — Onde estou desta vez, fantasma? — Veja por si só, grande guerreiro. Grashnir esperou seus olhos se acostumarem à falta de luz e então percebeu onde estava. — O que estamos fazendo nas cavernas? — Este é o futuro de nossa espécie Grashnir, comtemple nosso declínio. Vagaremos pela escuridão até o fim dos tempos, a maldição alcançou estes pobres coitados e lá está você. Grashnir podia ver um enorme orc meio morto a vagar pela escuridão, gemendo à procura de um propósito, mas sua dor tornava a realidade turva e tudo que podia fazer era vagar e gemer, por toda eternidade. Ele não era o único, centenas vagavam pela escuridão. — Nem o mais poderoso Senhor dos Orcs pôde resistir — continuou o Xamã do Vento. — Meu destino já está traçado, fantasma, mas quanto ao meu povo? Qual o objetivo de ver tudo isso se não posso salvá-los? — A vila está perdida, mas os humanos acreditam que as crianças ainda possam ser salvas, é isso que eles vêm fazendo Grashnir. Eles não acreditam que os adultos possam confiar neles, é por isso que levam as crianças para que ao menos o futuro de nossa espécie esteja a salvo. A invasão foi um ato de desespero mas também de salvamento. — Não deixarei meu povo ter um fim tão triste e vagar pela eternidade em agonia, o que devo fazer? — Volte para seu povo. Convença-os e evacue todos nesta noite de solstício, os humanos a conhecem como Noite de Natal. Vá aos portões de Geffen com sinais de paz e seu povo será salvo. — Farei isso fantasma, mas como poderão me receber? Certamente não poderei conviver dentre os humanos depois de décadas de batalhas. — Guie seu povo Grashnir. O fantasma sumiu. Grashnir acordou no dia de solstício e deu início aos preparativos. Bandeiras brancas foram distribuídas para um em cada dez orcs, os machados foram deixadas para trás. Já era noite quando puderam ver os portões da cidade mágica de Geffen. Os humanos receberam os orcs com alegria, mas ninguém entendia a melancolia nos olhos do líder orc. Ao fim da evacuação Grashnir se pôs sozinho a caminhar de volta à vila onde tinha vivido sua longa vida de batalhas, sua redenção seria ali, a combater o mal que se abateu em sua terra. O último Senhor dos Orcs adentrou a caverna e encarou as trevas que lá existiam. Lembrou-se de sua juventude e de seu povo. Fechou seus punhos, rugiu e correu rumo à escuridão para travar sua última batalha. Citar Twitch | Youtube | Facebook Link para o comentário Share on other sites Mais opções de compartilhamento...
Hela Postado Janeiro 18, 2018 Compartilhar Postado Janeiro 18, 2018 Nossa, eu chorei nas duas histórias desse concurso pqqqp. Valeu muito a pena. Só senti falta do feitiço Ibinizar Ixcrudge (ou algo assim) sendo conjurado por um arcebispo no roteiro. Citar [sIGPIC][/sIGPIC] Quer desdenhar de meus eventos? Fique a vontade. Mas tente manter O SEU TRABALHO bem feito, porque diferente de você, o meu é voluntário. [/hr] Lilith Morningstar. Eva, Monah do Pah Link para o comentário Share on other sites Mais opções de compartilhamento...
Lazarento Postado Janeiro 18, 2018 Autor Compartilhar Postado Janeiro 18, 2018 Nossa, eu chorei nas duas histórias desse concurso pqqqp. Valeu muito a pena. Só senti falta do feitiço Ibinizar Ixcrudge (ou algo assim) sendo conjurado por um arcebispo no roteiro. Fico feliz que tenha gostado Eu não consegui encaixar os humanos precisamente dentro da história, na hora que li que seria sobre um conto de natal essa história botou na minha cabeça. Já fazia um tempo que eu queria dar outra perspectiva sobre os orcs. Talvez eu devesse ter introduzido o feitiço no começo da história pra servir como motor de mudança. Citar Twitch | Youtube | Facebook Link para o comentário Share on other sites Mais opções de compartilhamento...
† Hamme® Postado Janeiro 18, 2018 Compartilhar Postado Janeiro 18, 2018 Muito bacana, preciso voltar a acompanhar essas Fanfics, a gente realmente viaja a cada palavra escrita. Parabéns. Citar Link para o comentário Share on other sites Mais opções de compartilhamento...
Kaeus Postado Fevereiro 12, 2018 Compartilhar Postado Fevereiro 12, 2018 Ficou muito legal, e o que seria a maldição? Citar Link para o comentário Share on other sites Mais opções de compartilhamento...
Lazarento Postado Fevereiro 13, 2018 Autor Compartilhar Postado Fevereiro 13, 2018 Ficou muito legal, e o que seria a maldição? Eu ainda pretendo voltar a escrever sobre os orcs pra explicar mais um pouco da organização social deles e falar sobre a origem da maldição. Mas segundo a lore que estou seguindo, a maldição é nada mais do que o apodrecimento dos galhos da árvore de Yggdrasil após o Ragnarok, cedo ou tarde ela vai alcançar todos os seres viventes após a queda dos deuses. No caso desta fanfic, a maldição foi responsável por transformar Guerreiros Orcs em Orcs Zumbis. Citar Twitch | Youtube | Facebook Link para o comentário Share on other sites Mais opções de compartilhamento...
Kaeus Postado Fevereiro 13, 2018 Compartilhar Postado Fevereiro 13, 2018 Eu ainda pretendo voltar a escrever sobre os orcs pra explicar mais um pouco da organização social deles e falar sobre a origem da maldição. Mas segundo a lore que estou seguindo, a maldição é nada mais do que o apodrecimento dos galhos da árvore de Yggdrasil após o Ragnarok, cedo ou tarde ela vai alcançar todos os seres viventes após a queda dos deuses. No caso desta fanfic, a maldição foi responsável por transformar Guerreiros Orcs em Orcs Zumbis. Que bom. Vou ficar aguardando. Eu pensei na verdade que seriam os Zenorcs, pois de acordo com a história deles, eles são Orcs mutantes que sofreram uma maldição, enquanto os Orcs Zumbis seriam apenas Orcs que voltaram dos mortos. http://ragnarok.wikia.com/wiki/Zenorc http://ragnarok.wikia.com/wiki/Orc_Zombie Citar Link para o comentário Share on other sites Mais opções de compartilhamento...
Razac Postado Fevereiro 28, 2018 Compartilhar Postado Fevereiro 28, 2018 A gente sabe que é fanfic quando os humanos tratam bem criaturas de outras espécies. Nem da própria a gente cuida... Ficou muito legal, o que aconteceu que não conseguiu postar pro concurso? E esse detalhe da lore dos Zenorcs aí pode ser muito bem aproveitado, ein. PS: eu escrevi esse comentário (um maior na real) há muito tempo, mas só hoje percebi que não tinha enviado. Deve ter faltado o click no "Enviar Resposta". -q Citar Bem-vindos ao tópico da semana e espero que estejam preparados para uma grande novidade. Link para o comentário Share on other sites Mais opções de compartilhamento...
Lazarento Postado Fevereiro 28, 2018 Autor Compartilhar Postado Fevereiro 28, 2018 Ficou muito legal, o que aconteceu que não conseguiu postar pro concurso? Porque precisava fazer o MVP e na época eu não tinha char pra isso, acabei pedindo ajuda a um amigo mas a gente sempre marcava e nao ia Citar Twitch | Youtube | Facebook Link para o comentário Share on other sites Mais opções de compartilhamento...
Wodsonslk Postado Fevereiro 28, 2018 Compartilhar Postado Fevereiro 28, 2018 Wow, que história massa! Confesso que me sinto culpado depois de matar tantos orcs kkkkkkkkkkkk Gostei especialmente das noites 1 e 2, que foram as mais bem narradas na minha opinião. Citar Clique para visualizar a página de guias e builds Link para o comentário Share on other sites Mais opções de compartilhamento...
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