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Especial


Opheliac

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Olá, pessoal! Tudo bom?

 

Trago hoje uma adaptação de outra oneshot que eu havia escrito há muito tempo, mas, agora, com uma narrativa voltada ao universo do Ragnarök Online, graças à ajuda que eu tive da Adilicia.

 

Espero que gostem!

 

---

 

ESPECIAL

 

Tudo o que se ama por um curto tempo vai embora para sempre. Era isso o que eu pensava do amor. Desde que minha mãe morreu, tomada por espíritos malignos, meu coração ficou bloqueado para coisas desse tipo; eu só pensava em me vingar daquilo que me causara o maior mal da minha vida. Era como se um inverno profundo tivesse congelado-o no tempo. Eu não queria amar. Não queria, até ela aparecer em minha vida.

 

Eu era um jovem Sacerdote, no começo de minha carreira de exorcista. Não sei quando ou como ela veio parar em Glast Heim. Na verdade, nem faço questão de saber. A única coisa que faço questão de lembrar é que eu me apaixonei por ela. Isso não é de agora.

 

Não é de negar que uma garota bonita como ela deixaria várias impressões nas pessoas. Comigo não foi diferente. Acontece que… Ela roubou meu coração, mesmo sem saber que eu existia no mundo, mas isso não vem ao caso. Eu estou amando alguém. E esse sentimento é novo para mim.

 

Desde que comecei a frequentar as aulas de exorcismo e partir para a prática, eu comecei a sentir mudanças em mim. Talvez por ter deixado de lado uma cidadezinha monótona na qual vivi a infância inteira, numa casa sem graça onde eu presenciei o falecimento de minha mãe… É, sou órfão desde os meus cinco anos. Desde então, não fui capaz de amar mais ninguém. Ninguém até agora.

 

Mas ela apareceu, só não sabia que eu existia. É, ela não devia ter tempo para gente como eu, porém, eu acho que eu fui o único a presenciar seu sorriso sincero.

 

Nunca vou me esquecer do dia em que ela desmaiou nas ruínas daquela cidade abandonada pelo tempo, enquanto conversávamos sobre a vida e a morte. Porém eu, covarde do jeito que era, ao invés de ajudá-la, resolvi procurar por ajuda. Sim, eu tinha medo de me aproximar dela, de tentar fazer alguma coisa por ela. Tinha medo de que meu amor por ela fosse estragar qualquer coisa que eu tentasse com ela. Então, para mim, era muito mais conveniente amá-la em segredo.

 

Acontece que, depois daquele dia, nunca mais a vi no seu lugar habitual. De repente, uma dor invadiu meu peito, apertando no coração, quase o esmagando com tanta angústia, e comecei a deixar de praticar o exorcismo só para chorar a ausência daquela pessoa que me revigorava, pois, mesmo com aquela idade, ainda sofria com a morte de minha mãe.

 

Alguns – alguns não, porque estaria sendo otimista demais –, mas sim muitos dias depois, eu descobri que ela estava sob observação na Catedral de Prontera. Não hesitei em sair escondido no meio do treinamento para visitá-la. Arranquei uma flor do jardim, a que mais se parecia com as escassas flores de Glast Heim, para levar a ela. Sabia tudo sobre ela, ou melhor, quase tudo. A única coisa que eu não sabia era seu nome. É, eu não sabia o nome da pessoa que eu mais amava.

 

Apesar de estar hesitante, eu fui até seu quarto. Estava tudo escuro, as janelas fechadas davam um tom fúnebre ao quarto. Ela sorria, mas também era um sorriso apagado. A única coisa brilhante era uma pequena esmeralda que brilhava entre suas mãos.

 

Para minha surpresa, ela se encontrava à minha espera. Como isso? Desde quando você percebeu que eu te amava?, era tudo o que eu tinha vontade de perguntar. Fui até ela, com os olhos cheios de lágrimas. Ela sorriu.

 

Ela sorriu para mim. Depois disso, disse para eu não chorar. Eu tenho uma coisa para te entregar, disse-me, entregando-me a bela esmeralda. Entreguei-lhe a flor em troca, que já estava amassada de tanto ficar na minha mão.

 

Ela riu. Passamos a tarde inteira conversando sobre o que costumávamos conversar sempre, porém, falamos sobre amor pela primeira vez. Sobre amor, sobre medo, desejos e angústias. Conversamos sobre mim, sobre ela... E era como se nos conhecêssemos há muito, mas muito tempo.

 

Saí daquele quarto forçadamente, pois eu havia cabulado aula. Estavam furiosos comigo, mas eu não queria deixá-la. Porém eu estava mais aliviado e já podia parar de chorar. Vou visitá-la de novo amanhã., era o que eu pensava.

 

Minha frequência naquele quartinho tinha virado uma rotina. Todos lá estranhavam, afinal, a tratavam como um demônio, uma bruxa. E eu não era nada daquela garota, apenas um amigo...

 

Um dia, no entanto, o pior que poderia acontecer aconteceu. Chamaram-me para exorcizá-la, pois, devido à sua fragilidade, espíritos de vingança a possuíram – tal qual ocorrera com minha mãe. Não havia mais nenhum exorcista disponível, apenas eu, um mero aprendiz que cabulava aulas e treinos.

 

Eu não sabia o que fazer, meu coração voltou àquele estado de angústia. Querem que eu a mate, eu pensava, porque minhas habilidades nunca foram boas. Era sempre ela que me ajudava em minhas missões, mas nunca me deixara contar isso aos meus superiores...

 

A fatídica noite havia chegado. Chovia muito, as janelas estavam abertas no quarto e eu sentia o vento misturando as gotas da chuva com minhas lágrimas. Chorava muito, baixinho, pois tinha que me fazer de forte. Estranhamente, ela sorria e sussurrava para mim, silenciosamente, Vai ficar tudo bem.

 

Dirigi-me até ela, que já demonstrava sinais de fraqueza. A Madre me olhava com pena, mas seu olhar me mandava seguir em frente. Segurei as mãos da garota, coloquei a esmeralda em suas mãos e beijei-lhe a testa; em seguida, afastei-me e retirei do bolso da minha calça meu pequeno rosário e a bíblia que eu carregava comigo.

 

Proferi cada palavra daquele exorcismo com o máximo de firmeza possível, mas, a cada novo dizer, mais lágrimas saíam de meus olhos. Logo me peguei chorando, ela sofria muito. A esmeralda brilhava tão calorosa e intensamente que explodiu em vários fragmentos.

 

Quando o brilho esverdeado finalmente havia deixado o quarto, a garota não estava mais lá. Magicamente, em seu lugar, eis a esmeralda restaurada, agora opaca, com duas iniciais cravadas. Com minhas mãos trêmulas, abracei a pequena joia e me desabei a chorar, debruçado na cama. Nada mais poderia ser feito, estava tudo acabado.

 

Depois desse episódio, desisti de seguir a carreira de exorcista. Hoje estou com 20 anos e moro em Hugel. Atualmente, cuido das crianças da redondeza...

 

Talvez eu devesse ter feito isso desde o início. Mas se tivesse sido assim, eu não teria conhecido a pessoa mais especial para mim. Carrego até hoje aquela esmeralda sem vida comigo, esperando que um dia ela volte a brilhar.

 

Mesmo que não tenhamos ficado juntos, ela foi a primeira pessoa, depois de minha mãe, que eu amei de verdade. E guardo comigo suas últimas palavras...

 

Todo mundo um dia percebe que existe alguém que está olhando por você. E eu não demorei para perceber que você estava sempre olhando para mim. Mesmo sem você confessar seus sentimentos, eu compreendi, desde o primeiro momento em que te vi, que você se tornaria uma pessoa especial para mim. Porque, de um jeito ou de outro, eu também me apaixonei por você. Pena que eu resolvi contar isso tarde demais, não é?

 

Desde pequena eu já sabia que morreria, mas nunca contei a ninguém porque tinha medo de que ficassem com pena de mim. Mas eu deveria ter contado a você e agora me arrependo disso...

 

Não me odeie... Não queria te fazer chorar mais do que já havia feito. Desculpe-me por não contar a você a verdade desde o início. Mas saiba que eu te amo e que vou ficar com você para sempre.

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Achei bem interessante, gosto quando há essa ligação entre o final e o início. A narrativa se inicia com uma ideia e tem todo o desenvolver da história procurando chegar nessa ideia inicial. No caso explicando o porque daquela ideia estar no passado, algo que já foi considerado como verdade para o personagem.

 

Sobre a estruturação eu realmente não tenho como dizer algo para melhorar, não sou dessa área e ao meu ver está ótima.

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Como eu já disse mais de uma vez e não apenas dessa versão, gostei bastante.

 

Sei que é uma adaptação história antiga e que seu estilo amadureceu com o tempo mas mesmo assim não há grandes problemas a serem criticados. Desde sempre você tem uma grande preocupação com a língua portuguesa e sua gramática, então pra mim isso não tem nem o que procurar. Pra alguém com estilo parecido eu apenas sugeriria se concentrar mais no parágrafo e na elaboração de uma ou mais ideias dentro dele, fazendo paragráfos mais completos, complexos e longos por conseguinte; sugeriria, também, tentar buscar um léxico mais abrangente para evitar a exaustão da leitura de uma palavra ao longo do texto.

 

Acho que é só isso. Parabéns pelo texto, amor!

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Outra fic bastante delicada, Opheliac, como parece ser seu estilo!

Mais uma vez, gostaria de enfatizar o quanto gosto dessa sensibilidade, desse sofrimento vulnerável presente em todos os parágrafos.

Língua e gramática impecáveis, como esperado, mas procure trabalhar um pouco mais o quesito literário, a fluidez entre as palavras e a conexão entre parágrafos. Palavras que poderiam ser omitidas (ou substituídas), por exemplo, danificam essa fluidez.

Talvez, levando em consideração a profundidade dos eventos decorridos, a estória pudesse ter sido mais extensa, para ser devidamente desenrolada e explorada.

No mais, leitura cativante. Obrigada pela experiência!

 

4.0/5 ,

Parabéns! ♥

 

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For no stars are meant to be brighter thans us!

Rho ¤ Valhalla

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Como eu já disse mais de uma vez e não apenas dessa versão, gostei bastante.

 

Sei que é uma adaptação história antiga e que seu estilo amadureceu com o tempo mas mesmo assim não há grandes problemas a serem criticados. Desde sempre você tem uma grande preocupação com a língua portuguesa e sua gramática, então pra mim isso não tem nem o que procurar. Pra alguém com estilo parecido eu apenas sugeriria se concentrar mais no parágrafo e na elaboração de uma ou mais ideias dentro dele, fazendo paragráfos mais completos, complexos e longos por conseguinte; sugeriria, também, tentar buscar um léxico mais abrangente para evitar a exaustão da leitura de uma palavra ao longo do texto.

 

Acho que é só isso. Parabéns pelo texto, amor!

 

Outra fic bastante delicada, Opheliac, como parece ser seu estilo!

Mais uma vez, gostaria de enfatizar o quanto gosto dessa sensibilidade, desse sofrimento vulnerável presente em todos os parágrafos.

Língua e gramática impecáveis, como esperado, mas procure trabalhar um pouco mais o quesito literário, a fluidez entre as palavras e a conexão entre parágrafos. Palavras que poderiam ser omitidas (ou substituídas), por exemplo, danificam essa fluidez.

Talvez, levando em consideração a profundidade dos eventos decorridos, a estória pudesse ter sido mais extensa, para ser devidamente desenrolada e explorada.

No mais, leitura cativante. Obrigada pela experiência!

 

4.0/5 ,

Parabéns! ♥

 

 

Obrigada pelas críticas, mas dessa vez a exaustão foi proposital, hahaha. No entanto, lendo as críticas de vocês, talvez o tiro tenha saído pela culatra...

 

Bom, sempre que eu escrevo, eu tento utilizar algum recurso da narrativa para prender o leitor. Neste caso, a escolha de parágrafos curtos e repetitivos foram usados para tentar dar a ideia de uma narrativa que quer avançar, porém algo a "prende", fazendo com que ela retroceda em alguns momentos.

 

Não sou de falar isso logo de cara, pois, senão, o "elemento-surpresa" fica prejudicado. No mais, espero poder escrever uma fanfic regular assim que possível.

 

Obrigada a todos pelos elogios e críticas. ♥

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Obrigada pelas críticas, mas dessa vez a exaustão foi proposital, hahaha. No entanto, lendo as críticas de vocês, talvez o tiro tenha saído pela culatra...

 

Bom, sempre que eu escrevo, eu tento utilizar algum recurso da narrativa para prender o leitor. Neste caso, a escolha de parágrafos curtos e repetitivos foram usados para tentar dar a ideia de uma narrativa que quer avançar, porém algo a "prende", fazendo com que ela retroceda em alguns momentos.

 

Não sou de falar isso logo de cara, pois, senão, o "elemento-surpresa" fica prejudicado. No mais, espero poder escrever uma fanfic regular assim que possível.

 

Obrigada a todos pelos elogios e críticas. ♥

 

Provavelmente a ideia ficou meio perdida porque as coisas acontecem na narrativa. Ela avança, mesmo nesses pequeninos intervalos.

 

Nesse caso, você poderia ter expandido mais o campo de visão do personagem, feito-o refletir e refletir diversas vezes sobre a mesma coisa no mesmo parágrafo ao invés de dividi-lo em pequenos. Dessa forma, a ideia ficaria sempre presa e a visão do retrocesso contida num espaço delimitado.

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Provavelmente a ideia ficou meio perdida porque as coisas acontecem na narrativa. Ela avança, mesmo nesses pequeninos intervalos.

 

Nesse caso, você poderia ter expandido mais o campo de visão do personagem, feito-o refletir e refletir diversas vezes sobre a mesma coisa no mesmo parágrafo ao invés de dividi-lo em pequenos. Dessa forma, a ideia ficaria sempre presa e a visão do retrocesso contida num espaço delimitado.

Só para complementar, você pode exagerar um pouco mais. Além do que a Adilicia falou, a ideia ficou perdida, pois a ferramenta usada pareceu mais um "erro" que uma ferramenta. Portanto, exagerar enfatizaria a ideia que você deseja passar e não causaria confusões, porque o sentido literal ficaria claro!

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