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Espelho

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Era noite. Rajadas de vento e trovões sacudiam o céu obscuro enquanto um pequeno Bafomé Júnior corria freneticamente através de uma densa vegetação, a chuva pipocava nas folhas das árvores e arbustos, ele arrastava sua foice no chão irregular em meio às folhagens, dirigindo-se para a luz quente e aconchegante que saía da janela de uma pequena e simples cabana, apenas visível à distância para seus olhos grandes, sensíveis e vermelhos. Seus pequenos pulmões queimavam com a veloz entrada e saída de ar, soluçava e tossia para não engasgar com a água da chuva que lhe invadia a garganta.

 

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Uma pedra.

 

*Tropeço*

 

*Queda*

 

*Fratura*

 

Ele desesperadamente verifica o próprio corpo, para descobrir que o barulho não fora de seus ossos, mas de sua foice, que então se tornara apenas um pedaço de pau. Ele se irrita e o chuta para a escuridão da floresta ao mesmo tempo em que um raio atinge as proximidades, "Eles estão chegando!", agora, sem o peso de sua velha arma, ele é capaz de correr com maior facilidade naquele chão molhado e barrento, pisando em poças e sujando o pêlo, afastando folhas cortantes e arranhando os cascos e os braços, o sangue era vermelho e quente.

 

 

- Acho que ele está por aqui, olha essa trilha.

 

- De fato, só mesmo um Júnior poderia inutilizar a foice desta maneira, tem que ser muito inexperiente para fazer isso.

 

Um Cavaleiro e um Bruxo emergem das sombras em meio àquela tempestade, o último estala os dedos, conjurando assim uma Chama Reveladora, o outro encosta a grande espada de duas mãos no ombro, a vegetação fechada desanima o bravo guerreiro, "Não dá pra botar fogo no mato e resolver isso logo de uma vez?", ele pergunta, sendo respondido logo em seguida:

 

- A chuva não facilitará a supressão do fogo arcano uma vez que este já esteja a queimar, minha arte consiste na destruição, caro companheiro. Sugiro que retorne à vossa empreitada se não quiseres que ambos pereçamos nesta noite em meio a um mar de chamas vorazes.

 

O Cavaleiro suspira como se já esperasse uma resposta desfavorável, aplica então uma técnica que faz com que seu corpo adquira um brilho ligeiramente dourado, a espada que carrega torna-se incrivelmente leve para ele, que, como os raios do céu tempestuoso, move-se com maestria e velocidade, desferindo cortes amplos para desbravar a vegetação em uma velocidade na qual o Bruxo possa acompanhar caminhando sem problemas logo atrás. Eles se movem por mais algum tempo, até que o Cavaleiro encontra algo incomum.

 

- Sangue. De Bafomé Júnior.

 

O Bruxo sorri e estala os dedos mais uma vez.

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Pensei em inovar, venho trazer pequenas passagens da estória de tempos em tempos,

sejam lá quantas forem necessárias para contar a trama toda x)

Prontos para mais?

 

 

O pequeno Bafomé Júnior nota o surgimento de uma luz vinda da direção na qual estava a se afastar, escuta atentamente o som de plantas sendo cortadas, passos na lama se aproximam, seu suor estava misturado com a chuva que lhe lavava os cortes e o sangue que coagulava.

 

 

- Perdi a trilha, meu corpo está ficando mais lento.

 

O Cavaleiro senta na lama, ficando coberto até a cintura, seu brilho dourado esmorece, a chama do Bruxo se apaga.

 

- Trovão de Júpiter!

- Tempestade de Raios!

- Ira de Thor!

- Esferas d'Água!

 

 

Pode ter sido frustração o que causara o comportamento do Bruxo, apesar dele haver dito "Precisamos racionar nossa energia, agora que a sua acabou, usemos da minha.". "Por que ele não usou essas magias antes?", pensa o Cavaleiro, agora sem lama a lhe cobrir as pernas, decorrente da invocação das Esferas d'Água, "Teria economizado bastante tempo!".

 

A vegetação ao redor estava ou esmagada ou arrebentada nos locais atingidos pelas magias, o Bafomé Júnior, surpreendentemente intocado por elas, se escondia a certa distância para observar os dois aventureiros, um se levantava e o outro conjurava uma Chama Reveladora. Escapara por muito pouco. Seu coração acelerado fazia os tímpanos retumbarem enquanto se afastava a cambalear, procurava ir a tropeços em direção à cabana, sentia o corpo pesado, quente e sujo. Passado algum tempo levantou a cabeça para checar a localização, procurava pela luz, olhou para um lado, para o outro, para trás, só para garantir, mas mesmo assim nada, não havia mais luz alguma, "Devem ter ido dormir, não teriam me ajudado de qualquer forma, como sou idiota!", a floresta escurecia repentinamente, as árvores pareciam girar ao seu redor, ele começou a sufocar, caiu de joelhos numa tentativa de reaver a respiração, tossia, começou a sentir frio e um gosto diferente na boca, sangue, passou então a tremer, seu corpo enfraquecido recusava-se a levar aquela caminhada suicida adiante.

 

Foi nesse momento que um enorme machado acabou sendo apoiado sobre seu ombro, a lâmina perigosamente próxima do pescoço era muito pesada, ele não aguentava mais sofrer, rendeu-se sob a pressão, caindo de barriga para cima ouviu uma poderosa gargalhada antes de perder a consciência.

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Meu deus!!! Coitadinho do Bafomé Jr. :

 

Quero saber o que essas pessoas maldosas querem com ele, fizeram-no até perder a foice dele.

 

Quantos "capítulos" você ainda tem guardado? Se tiver poucos é melhor estabelecer um horário pra lança-los.

Gostei bastante, você escreve bem. Prende a atenção na história. Espero mais capítulos o//

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Agradeço os elogios! Quanto aos horários para os capítulos, sinto informar que talvez eu vá ser um pouco caótico,

mas devo conseguir no mínimo uma vez por semana, ou mais.

 

Prontos para mais?

 

 

Ele sentia o corpo inteiro balançar com leveza, haviam ruídos metálicos, percebia também o odor característico da chuva que havia passado invadir-lhe as narinas. De tempos em tempos sua visão retornava durante breves instantes, era então quando percebia uma figura branca e embaçada à sua frente, mas em seguida logo voltava a descansar. Começou a ter pensamentos, lembranças do que o fizeram ir até a floresta, inicialmente.

 

"Cabeças. Traga-me cabeças ou irei atrás de você pessoalmente e lhe tirarei a sua!", dizia uma sombra monumental, olhos cor de sangue, chifres enormes e majestosos.

 

- Sim, meu Imperador, trarei muitas cabeças de Porings!

 

- Inaceitável! Humanos! Traga cabeças humanas, imbecil!

 

 

O balançar fica agitado, haviam pedras no caminho pelo qual estava sendo levado, fora de seus sonhos.

 

 

"Mas, senhor... Cabeças humanas? Não são nada fáceis de conseguir, a cada novo dia eles se fortalecem...", o Bafomé Júnior se encolhia contra a parede, temendo pela própria vida.

 

- Isso é irrelevante. Você é o futuro do Império, minha criança. Cumpra com o que lhe é ordenado e as recompensas mal poderão ser medidas, haverá tesouros que entulharão este saguão! Terás poder para ordenar que reinados inteiros obedeçam à vossa vontade! Serás o novo Imperador das Trevas!

 

Ele começou a soluçar e choramingar muito fracamente no carrinho do Ferreiro, que olhava para trás de tempos em tempos, garantindo não fazer uma trajetória muito bruta no caminho para casa. "Ele é tão pequeno, esses cortes e contusões teriam derrubado qualquer um, o baixinho merece que alguém mais capacitado cuide de suas feridas e, depois, quero ouvir sua história.". Pensou um bocado e decidiu, por fim, alterar seu trajeto. Cobriu o Bafomé Júnior com um pequeno lenço que tirou do bolso traseiro da calça azul, fez uma curva e seguiu em direção à Abadia de Santa Capitolina. Caminhou a noite inteira até avistar a entrada, lá havia um homem de meia idade, vestido com roupas humildes, que lhe cumprimentou.

 

 

- Bem vindo seja, nobre aventureiro! O que procuras tão cedo pela manhã? Gostaria de fazer uma visita nos arredores de nossos templos?

 

- Muito obrigado, mas preciso de alguém que possa salvar a vida do meu bichinho de estimação. Poderia olhá-lo, por favor?

 

- Um Bafomé Júnior... Pelo jeito a condição dele não é nada boa, de fato... Verei o que nossos Monges podem fazer por vocês.

 

- Obrigado.

 

O atendente leva o pequenino embrulhado no lenço, agora manchado de sangue, através dos jardins floridos, circundando as belas construções dos templos sagrados, seguido pelo Ferreiro, que observava tudo com muita atenção.

 

- Sinto muito, senhor Ferreiro, mas aqui não podes entrar, é o campo de meditação. Por favor aguarde, e logo nos veremos novamente.

 

- Certo.

 

 

"Não vou com a cara desse lugar, mas se eu fosse levar o baixinho até a capela de Prontera, temo que o pior pudesse ocorrer, não dispomos do tempo necessário para seguir o caminho que leva até lá.". Ele procura olhando ao redor um local confortável para esperar que eles retornem, senta-se em uma sombra e vislumbra os Monges do campo de meditação, parecem estar concentrados demais para que alguém pudesse atrapalhá-los apenas com o ruído do farfalhar de pés na grama.

 

 

Passado algum tempo ele nota que acabara meditando, ou melhor, cochilando sem querer enquanto admirava as nuvens, decide então seguir o homem que levou o pequeno Bafomé. Retira o par de sapatos, deixando-o na mão esquerda e encosta seu carrinho ali, perto da parede, para então se mover cautelosamente em direção ao local que eles haviam ido. Ocultando-se detrás de alguns arbustos consegue captar uma discussão acalorada.

 

- Você viu o estado do pobrezinho? Como é que uma pessoa deixa isso acontecer com o próprio bichinho de estimação? Normalmente quando o dono começa a sucumbir em batalha o animal o protege de alguma forma, levando-o para um local seguro... Mas desta vez estamos a presenciar uma situação completamente invertida, por quê será?

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Ah, muito boas essas histórias dentro da mente dos monstros.

 

Tenho quase certeza que eu peguei a ideia da sequência, se for realmente isso vou até indicar que poste um link pra esse tópico em um outro por aí...

 

Você escreveu muito bem, sinônimos e recursos linguísticos bem colocados deram, com certeza, um charme na estória.

 

Mas, como de costume, eu sempre arranjo uma crítica junto com os elogios no primeiro post. Evite usar os "*" na escrita como é feito no RP, não cai bem. =X

 

Aguardando a continuação, espero que realmente não seja só um por semana, já que é bem curtinho. xD

Bem-vindos ao tópico da semana e espero que estejam preparados para uma grande novidade.
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Agradeço o feedback, as críticas e as sugestões

:D

 

Prontos para mais?

 

 

"Não devemos questionar a vontade dos Deuses, Pavlon, o que podemos fazer para ajudar está claro, não vamos interferir com o destino desses dois. Basta que devolvamos o Bafomé Júnior quando estiver completamente saudável.", dizia um Monge com cara de poucos amigos, seu cabelo cor de ébano era liso e ia até as costas, ele usava um Tapa-Olho e tinha uma cicatriz na bochecha.

 

- Mas Jonas!

 

- Sem "mas". Nós, Monges, não começamos uma frase com essa palavra, não admitimos fraqueza em nossa Ordem.

 

- ... Jonas, e se o Ferreiro estiver maltratando o pequeno? E se ele for algum tipo de sádico que gosta de fazer essas... coisas?

 

- "Não julgueis para não serdes julgados". Apenas vemos o que nos é permitido.

 

 

Neste momento um cachorro aparece para cheirar o Ferreiro atrás dos arbustos, seu focinho macio e úmido provoca cócegas ao toque, claramente não se trata de um cão de guarda, do contrário já haveria alertado a todos sobre sua presença.

 

- Entendo, Jonas, posso ter me precipitado... Acha que Elric dá conta de curá-lo?

 

- Ele é muito Inteligente, tenho certeza de que fará um trabalho excepcional novamente.

 

O cachorro se afasta do Ferreiro e vai em direção a Pavlon com a boca aberta em um grande sorriso canino, a língua se move rapidamente devido à sua respiração característica, ele se apoia nas patas traseiras e o abraça com as dianteiras, abana a cauda alegremente enquanto mantém contato visual.

 

- O que foi, Flufe? Encontrou algo interessante? Vamos lá ver. Ah, sim, Jonas, pedi para que nosso visitante aguardasse nos arredores do campo de meditação, entendeu?

 

- Sim, vou verificar o progresso do Elric e depois dou uma palavrinha a ele.

 

O cachorro guia Pavlon até os arbustos enquanto Jonas entra em uma das edificações próximas de onde estavam conversando.

 

 

"O que você encontrou desta vez, Flufe? Um Tarou, um Besouro-Ladrão?", pergunta Pavlon em tom de brincadeira.

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O cachorro parece confuso, fareja em volta dos arbustos por algum tempo e então se aproxima de Pavlon com um olhar de desapontamento.

 

- Tudo bem parceirinho, da próxima vez você consegue me mostrar o que era antes que fuja, certo?

 

Ele acaricia o pelo macio da cabeça do cachorro e lhe dá um biscoito, seguem então juntos para a entrada da Abadia, sem passar pelo campo de meditação.

 

 

"Essa Carta é boa mesmo!", pensa o Ferreiro. "Eu ia revender esta Fumacento, mas quem sabe ela me possa ser útil por enquanto?", ao sair do Esconderijo ele se dirige para uma das janelas do local que vira o Monge, Jonas, entrar. Uma rápida avaliação do interior lhe permitiu distinguir a presença de dois Monges que encorajavam um jovem Noviço de Óculos, este tinha as mãos voltadas para uma mesa de pedra, peculiares filamentos de energia verde eram gerados a partir de seus dedos em um fluxo cujas oscilações ocorriam em intervalos constantes.

 

"O pequeno Bafomé parece estar em boas mãos, mas ainda preciso ouvir sua história e, no caso de ele acordar, talvez seja necessário que eu o nocauteie mais uma vez, ninguém garante que um Bafomé Júnior não domesticado, como ele, se comporte na presença de humanos.", raciocina o Ferreiro enquanto bisbilhota tranquilamente. "Disse ao pessoal desta Abadia que ele é meu bichinho, senão duvido que teriam concordado em tratá-lo... Muito bem, vamos ver o que está, de fato, acontecendo por aqui.". Ele calça os sapatos para entrar no recinto e se aproxima casualmente dos três indivíduos.

 

- Olá, como vai o processo de cura do Bafinho, o meu bichinho?

 

Um dos Monges responde:

 

- Até então o procedimento é um grande sucesso, nosso Noviço mais promissor se esforça bastante e não pode se distrair nem por um segundo. É por isso que estamos aqui, para garantir que tudo ocorra da melhor maneira que pudermos assegurar.

 

"O Noviço deve ser Elric, o jovem de Óculos que gera a energia verde. Ele tem que ser muito habilidoso para ser respeitado nesse nível por membros superiores da hierarquia de sua Ordem.".

 

- Precisamente, poucos Monges poderiam realizar esta tarefa tão bem quanto o nosso Elric aqui.

 

"Esse é o Jonas, engraçado, parece até que ele pode ler meus pensamentos.".

 

- Então este é o famoso Elric! Ouvi falar muito bem de você, continue se concentrando aí, espero que eu não o atrapalhe, meu nome é Fergus, o Ferreiro. E vocês, quem são, nobres Monges?

 

"Eu sou Maruze, prazer em conhecê-lo, Fergus.", "E eu sou Jonas.", apresentam-se eles juntando, cada um em individual, o punho direito com o esquerdo, na altura do abdômen, enquanto fazem uma leve reverência.

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\o/ Mais uma FIC para a seção.

Seja muito bem vindo.

 

Achei sua estória muito interessante, sua linguagem e escrita são impressionantes. Parabéns...

 

Você já tem uma ideia de quantos capítulos terá a FIC e quais dias pretende postá-los?

 

Aguardando os próximos aqui... Coitado do Bafinho /heh

Será que ele trabalha para o poderoso Baphomé Jr.? O que o bruxo e o cavaleiro queriam com a pequena criatura?

 

Enredo muito bom. xD

"Me jogaram aos lobos, e eu voltei líder da matilha."

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Muito obrigado e peço desculpas, porque ainda não tenho uma noção clara de quantas partes serão ou mesmo quando vou poder postá-las, entretanto prometo realizar edições constantes para garantir a melhor qualidade que eu puder oferecer.

 

 

 

- Terminei! Ele está acordando, venham ver!

 

O Ferreiro e os Monges olham na direção do Noviço de Óculos e se aproximam da mesa de pedra, eles veem o pequeno Bafomé deitado ali, piscando os rubros olhos relativamente grandes para sua pequena cabeça, tentando enxergar.

 

- Béé. Onde estou? Opa! Béé! Humanos!

 

Ele rapidamente se coloca de pé e estica o bracinho para trás como se tentasse agarrar alguma coisa invisível, não desvia seu olhar dos humanos.

 

- Foice, béé, cadê minha foice?!

 

Ambos os Monges e o Noviço se voltam para Fergus, que supostamente deveria saber a resposta. O Bafomé Júnior também o encara quando percebe a situação.

 

- Bafinho, como estive preocupado! Esqueceu que a deixamos lá em casa quando saímos?

 

- Béé, estou confuso, só me lembro de que preciso pegar cabeças-

 

- Opa, vamos ficar quietinhos aí, né?

 

Ele rapidamente tapa a boca da criatura usando uma das mãos e a pega no colo com a outra.

 

- Muitíssimo obrigado senhores Monges (e Noviço), espero que os deuses lhe deem as boas graças, adeus!

 

Coloca então o Bafomé debaixo do braço, como uma bola de futebol, e se dirige a passos largos para a saída, os três que vão ficando para trás o veem passar, achando aquilo muito repentino. Ele cumprimenta à distância alguns Monges que cessam a meditação no campo devido às suas pisadas pouco cautelosas no gramado, Bafinho olha ao redor, tentando compreender o que se passa enquanto é sacudido comicamente pela força natural do Ferreiro. Fergus se aproxima do carrinho, deposita com algum cuidado o Bafomé Júnior ali e segue em direção à saída, onde encontra Pavlon e Flufe, que prontamente corre a seu encontro, querendo lambê-lo, no que o Ferreiro se desvia e continua a prosseguir o trajeto até o final, Pavlon silenciosamente passa a suspeitar ainda mais dessas ações.

 

 

Já estando ambos a uma distância razoável do lugar, Fergus desesperadamente leva a mão à testa, "Caramba, esqueci meu lenço!", lamenta ele. "Quero a minha foice, béé...", resmunga Bafinho sentado logo atrás, com seus pequenos braços cruzados, a musculatura das sobrancelhas contraída em uma expressão de descontentamento.

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Fiquei me perguntando... Como ele poderia levar cabeças de Porings? o.O

 

Coitado do ferreiro, foi salvar o bichinho e ainda tá sendo tirado de sádico.

 

Por isso que eu digo, Carta Fumacento é a mais roubada do jogo. xD

 

Muito bom mesmo, cara. Continue postando, não tem problema não conseguir prever quantos capítulos existirão, só não pare.

 

E pena que os capítulos são pequenos...

Bem-vindos ao tópico da semana e espero que estejam preparados para uma grande novidade.
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Fiquei me perguntando... Como ele poderia levar cabeças de Porings? o.O

É provavelmente isso mesmo que está pensando :X

 

 

 

 

Bem-vindo à parte 6.66 da obra “O Fauno”, desenvolvida originalmente pelo usuário do Fórum Oficial do Ragnarök Online Brasileiro, “Espelho”. Esta parte especial refere-se aos acontecimentos que precedem o desenrolar da trama principal, aqui serão mostradas as eventualidades que embasam o comportamento e as tomadas de decisões das personagens que participam dos enredos anteriores e posteriores a esta edição.

 

Desejo-lhe uma ótima leitura nessas mais de oito mil palavras que se seguem!

 

 

É fim de tarde na capital de Rune-Midgard, a cor do céu adquire lentamente um tom alaranjado enquanto o sol se põe no oeste, algumas estrelas podem ser visualizadas a olho nu. Um Cavaleiro bebe cerveja na companhia de amigos em um bar local, desta vez há uma razão para justificar a bebedeira, finalmente este tal Cavaleiro aprendera suficientemente bem a técnica de Avanço Ofensivo para que a use em combate real, canecas de vidro são erguidas em sua homenagem enquanto um Bardo dedilha belas melodias em seu Alaúde.

 

 

- Até que enfim, Noah! Quanto tempo você levou para pegar o jeito da coisa, hã?

 

“Pois é, demorei, mas consegui!”, responde um jovem de cabelos prateados, sua armadura com o brasão da cavalaria de Prontera se encontra bem gasta pela punição do treino constante, sua espada de duas mãos está apoiada no balcão, a ponta da lâmina tocando o piso de madeira barata. “Agora só preciso de conserto para minha vestimenta e de uma bainha para a espada, senão minha lâmina vai acabar enferrujando!”, ele enuncia de forma festiva e risonha, enquanto os companheiros dão gargalhadas ele aproveita para virar mais uma caneca de cerveja.

 

- Vem cá, Noah, ouvi falar de um Ferreiro que pode dar um jeito no seu caso, a preço de banana!

 

- Muito bom, César, me conta mais!

 

- Dizem que ele mora em uma cabana lá na região nordeste da floresta, sabe? O preço é barato, mas a caminhada é longa! Se você for até lá, só vai chegar à noite!

 

- Entendi, então é melhor eu ir correndo, senão eu perco o resto da nossa festa!

 

Todos ao redor do jovem erguem as canecas, alguns berram alegremente palavras de incentivo para encorajar sua tomada de inciativa, enquanto outros que estão bebendo batem as mãos livres nas respectivas mesas. Noah dispõe algumas moedas no balcão para pagar por suas cervejas, recolhe a espada e, prestes a sair do estabelecimento, se volta para os compatriotas, erguendo a grande lâmina em direção ao teto é respondido com entusiasmo por eles. Deixa o recinto, desamarra as rédeas que prendem seu PecoPeco a uma árvore próxima do bar, monta molemente o lombo do animal, mostrando de forma clara o efeito do álcool e parte em direção à saída leste da cidade, cada passo da ave lhe faz cambalear de forma aleatória na sela. O jovem e imprudente Noah segura as rédeas com sua mão esquerda e a espada com a direita, mantendo a parte cega da grande arma apoiada sobre o ombro direito e um pedaço das costas, em ângulo diagonal, esbanjando alto nível de perícia com montarias apesar de se encontrar naquele estado de consciência alterado, completamente bêbado. Cavalga o mais depressa que consegue até o local indicado pelo companheiro de bar, seu metabolismo incrivelmente resistente neutraliza aos poucos a substância química presente em sua corrente sanguínea, como se estivesse lidando com um envenenamento, ele passava a ficar cada vez mais sóbrio à medida que avançava mata adentro, quando os últimos raios solares eram extinguidos no horizonte.

 

Repentinamente algo parecido com uma grande raiz de árvore move-se com velocidade para sua direção à fraca luz que precede a chegada da noite, como se fosse um chicote, alguns poucos fios de cabelo prateado se soltam com a passagem do golpe sobre a cabeça do Cavaleiro quando este se abaixa para não ser acertado, “Detesto Mandrágoras, mas seria perda de tempo enfrentá-las se sou capaz de me esquivar de todos os seus ataques.”, ele raciocina enquanto aproveita o que lhe resta de relaxamento muscular, proveniente da cerveja, para calma e confiantemente passar pelas plantas agressivas, desviando-se das raízes perseguidoras ao fazer uso de movimentos inusitados, tudo isso estando montado em seu PecoPeco que, por se tratar de uma criatura não humana, não era alvo das Mandrágoras.

 

 

Não muito distante dali um Bruxo caminha à pé pela mata com o olhar fixo no nada, como se estivesse perdido em pensamentos, parecia pouco se importar com a escuridão trazida por aquela noite de lua nova. “Nada de útil até agora, parece que ele estava certo, minha atual decisão não foi das melhores.”, o rapaz encontra-se aparentemente desarmado, tem os braços ocultos por baixo de sua capa impecavelmente limpa. “Mais mata selvagem aqui, elas certamente dificultam nosso avanço.”, pensa ele no momento em que toca algumas plantas com o tórax, enquanto olhava para cima sem nenhum motivo aparente.

 

- Fúria da Terra!

 

A magia causa algum estrago no solo que sustenta a vegetação logo à sua frente, fazendo com que o caminho se abra. “É cansativo, mas não sei fazer de outra forma.”.

 

- Fúria da Terra!

- Fúria da Terra!

- Fúria da Terra!

 

Noah sente pequenos abalos sísmicos após deixar as Mandrágoras para trás, “O que será?”, terremotos são bastante incomuns naquela parte do reino, chegara a ouvir ocasionalmente a respeito deste desastre natural através de outras pessoas, mas nunca o vivenciara até agora, por isso decide averiguar os arredores mesmo no escuro, motivado por pura curiosidade. Ele desloca a espada de seu ombro para alocá-la em punho, então rasga um caminho por entre as diversas plantas que impedem seu avanço, supondo ir na direção que imagina poder descobrir mais a respeito do terremoto, já que os tremores vão ficando cada vez mais intensos à medida que se aproxima do que pensa ser a origem deles.

 

- Rajada Congelante!

 

O PecoPeco é o primeiro a perceber a magia a caminho, se joga para o lado, derrubando Noah enquanto uma de suas asas é congelada. Aterrorizada por ser a primeira vez que algo assim lhe acontece, a ave foge em desespero pelo caminho de onde viera, deixando seu Cavaleiro para trás com a cara no chão.

 

- Alto! Quem vem lá?! Quem ousa desafiar a cavalaria de Prontera?! Revele-se!

 

Ele berra enquanto se levanta, sacudindo a terra do rosto e procurando o opositor, ambas as mãos apertam o cabo da grande espada após ele adotar a postura padrão de combate. Um estalar de dedos precede a invocação de uma Chama Reveladora.

 

- Peço desculpas, bravo soldado, não lhe desejo fazer o mal. Lancei minha magia apenas com o propósito de defender-me, não tive tempo de perceber a quem eu estava atacando. Pensei que fosse ser algum monstro de grande porte, já que abria caminho com tanta facilidade pela densa vegetação. Por favor, perdoe minhas ações impensadas.

 

“Então é só um Bruxo assustado, por um momento cheguei a pensar que estava em apuros.”, o Cavaleiro afrouxa inconscientemente a pegada em sua arma por se sentir um pouco mais seguro devido à fala daquele sujeito.

 

- Identifique-se, Bruxo! Que tipo de negócios tem a tratar aqui, no meio da floresta à noite?

 

- Sou conhecido em minha terra por “Waltz”, vim a este lugar para-

 

O Bruxo, engajado no diálogo com o Cavaleiro, não percebe uma ágil movimentação em sua lateral, o brilho das estrelas é momentaneamente refletido por uma lâmina.

 

- Avanço Ofensivo!

 

Noah exprime uma força monumental em suas pernas, o chão racha e afunda alguns milímetros, deixando as marcas das solas de suas botas metálicas impressas ali enquanto todo o seu corpo rompe o ar que o separa do agressor, produzindo aquele som característico de um movimento muito veloz, é a estreia de sua nova técnica. Waltz é jogado de qualquer jeito para o lado oposto, ele fica em segurança, mas leva consigo a iluminação de sua Chama Reveladora. O Cavaleiro não tem tempo para saborear a perfeita execução de seu novo golpe, seu adversário recupera o equilíbrio no escuro e desfere um novo ataque, agora contra Noah.

 

- Contra-Ataque!

 

As lâminas dos combatentes se encontram em pleno ar, o Cavaleiro conduz um hábil movimento arqueado que afasta a arma do inimigo ao mesmo tempo em que o acerta em cheio com o punho de sua espada. O oponente não se deixa desanimar pelo ocorrido e tenta desferir mais alguns golpes.

 

- Contra-Ataque!

- Contra-Ataque!

- Contra-Ataque!

- Contra-Ataque!

 

O Bruxo se levanta e vai de encontro aos combatentes, a luz de sua Chama afasta a escuridão do campo de batalha, revelando um pequeno e machucado Bafomé Júnior.

 

- Béé, os humanos são invencíveis! Hora do plano “B”! Béé!

 

Ele usa a foice como uma enxada para jogar terra, poeira, detritos e tudo mais que havia naquele solo, nos humanos, então usa o momento de vantagem para bater em retirada.

 

Noah fala em voz alta enquanto se afasta da neblina imunda:

 

- Bruxo! Solicito sua cooperação para perseguir e apreender a criatura assassina, imediatamente!

 

“Nunca imaginei encontrar um monstro que prezasse a própria vida a ponto de fugir de uma batalha, ele deve estar guardando algum tipo de segredo!”, sua curiosidade aflora mais uma vez, o Cavaleiro parece ter esquecido o motivo que o levara até a floresta para começo de conversa.

 

- Tempestade de Raios!

 

O Bafomé Júnior ergue a foice para se proteger, foi quando a magia ricocheteou dela para o céu que estava ligeiramente mais escuro que Noah pôde perceber a presença de um aglomerado de nuvens negras e carregadas logo acima deles, estendendo-se até onde a vista podia alcançar, não havia notado quando começaram a se formar, já que estavam em uma floresta, à noite, e em época de lua nova, estaria bastante escuro mesmo sem a presença dessas nuvens. Foi quando começou a chover. “E-eles agora também controlam o tempo, é? Vou dar o fora daqui!”, o pequeno Bafomé, bastante amedrontado com aquilo tudo, procura sair dali o mais rápido possível, não percebendo os danos causados pelo impacto da técnica arcana em sua arma, a arrasta sem muito cuidado pelo chão. O início da chuva, somado ao deslocamento de ar provocado pela magia do Bruxo, fizeram com que o plano “B” do baixinho fosse inutilizado, a poeira havia sido completamente dissipada.

 

- O que está esperando? A chuva só vai dificultar encontrar os rastros dele, vamos logo!

 

Noah tenta encobrir o susto que levou quando Waltz conjurou sua poderosa técnica, ele usa a espada para abrir caminho em meio às folhagens pelas quais o Bafomé Júnior desaparecera momentos antes. O Bruxo, sem muitas opções de escolha, resolve seguir o Cavaleiro, enquanto sua Chama Reveladora se apaga, “Acho que ele está por aqui, olha essa trilha.”, Noah dentro de pouco tempo identifica pegadas de cascos no barro ao mesmo tempo em que Waltz pisa em algo rígido, se abaixa e recolhe uma lâmina, que deduz pertencer à arma da criatura.

 

- De fato, só mesmo um Júnior poderia inutilizar a foice desta maneira, tem que ser muito inexperiente para fazer isso.

 

Animados com a possibilidade de acelerar o progresso daquele caçada, os dois resolvem se esforçar ainda mais. Waltz estala os dedos, recompondo sua Chama Reveladora e Noah usa a técnica de Rapidez com Duas Mãos, fazendo com que seu corpo adquira um ligeiro brilho dourado, ele sente o peso de sua espada ser fracionado a uma pequena parcela, assim ele consegue abrir caminho no matagal a uma velocidade suficiente para que Waltz mantenha um andar em ritmo de caminhada logo atrás dele, sua capa impecavelmente limpa há muito tempo havia virado história. Os dois continuam a se esforçar por mais alguns minutos debaixo da chuva e dos rugidos dos trovões, o Bruxo conjurando a Chama e o Cavaleiro usando a técnica, até que acabam perdendo a trilha, Noah senta-se na lama para descansar quando as habilidades de ambos perdem o efeito ao mesmo tempo.

 

- Trovão de Júpiter!

- Tempestade de Raios!

- Ira de Thor!

- Esferas d'Água!

 

“Waltz parece frustrado, mas lançar magias em direções aleatórias não ajuda muito, Esferas d’Água usando lama? Isso não é nada bom, olha quanta sujeira espalhada!”, ele se irrita profundamente, estudiosos das artes mágicas devem possuir, supõe-se, maior nível intelectual do que aquele demonstrado, o Cavaleiro se levanta e então discute com o Bruxo.

 

- Ei! Por acaso você é cego ou apenas idiota?

 

Waltz não diz uma palavra, apenas estala os dedos para invocar mais uma vez sua Chama Reveladora frente à impaciência de Noah.

 

- E então? Você vai ficar calado ou... Ah!

 

Finalmente, depois desse tempo todo, Noah olha nos olhos de Waltz, auxiliado pela luz da Chama pode ver que são opacos e sem vida, o Bruxo é cego.

 

- M-me desculpe Waltz, eu não sabia... Estivemos nos enfiando no meio do mato e você ficava conjurando sua Chama Reveladora... Para eu conseguir ver aonde estava indo! Caramba, sinto muito mesmo, você quer ajuda para sair daqui?

 

- Sim, por favor.

 

O Cavaleiro sem pensar duas vezes segura o pulso do Bruxo e o guia pelo caminho de onde vieram, acaba tendo uma ótima surpresa, o PecoPeco os havia seguido depois que sua asa descongelara, estava preocupado com seu dono. Noah presta auxílio a Waltz, fazendo-o montar na ave, e caminha à frente, segurando as rédeas.

 

 

Naquele mesmo dia, em outro lugar, um Ferreiro degusta da bela visão do pôr do sol junto à sua mãe do topo de uma árvore ligeiramente maior do que as outras, localizada nas proximidades da cabana onde os dois moram. “Eu não me canso de ver isso.”, disse o homem de cabelos dourados, trajado com uma camisa branca e uma calça azul, sua aparência não era a de alguém jovem, mas também não parecia ter muitos anos nas costas. “Te conheço muito bem, meu filho, mas agora já passou da hora de eu ir...”, uma bela mulher de aparência jovial, cabelos loiros e cacheados, fecha os olhos, abre os braços e escorrega do galho robusto que estavam dividindo, começa a cair daquela altura em direção ao chão duro.

 

- Mamãe!

 

Ele estica o braço para tentar segurá-la, faltou pouco.

 

- Não!

 

Ela grita com sua voz feminina, fazendo com que ele ache que deva pular também, mas suas pernas se paralisam e ele não se move, sentiu-se péssimo.

 

O grito se transforma em risadas quando ela rodopia no ar e faz emergir de suas costas um par de magníficas asas da mais pura cor branca, voa então de volta ao galho onde se encontra o filho.

 

- Bobinho, depois de tantas vezes você ainda se preocupa do mesmo jeito.

 

Ela mal consegue conter os risinhos, não importava quantas vezes tentasse fazer ele esquecer do dia traumático, o filho ao invés de superá-lo, acabava por se chatear como provavelmente faria desta vez, de novo. Sabendo que iria ouvir sermão, beijou a testa do filho e voou para longe, deixando-o a sós com seus pensamentos, o homem então passa a timidamente tocar o cabo do machado preso em seu cinto, balançando-o e evocando memórias de dias mais alegres.

 

Há muitos anos ele passara a carregar consigo aquele mesmo machado, foi um presente de aniversário que ganhou da garota mais bonita que conhecia.

 

 

- Khaly, espere! Para onde você vai?

 

- Dizem que Eddga está aprontando confusões novamente, vou até lá pedir com educação para que ele se acalme.

 

Uma jovem senhorita de olhos azuis, vestida com uma armadura bem trabalhada, que permite boa movimentação em combate, levava dois floretes guardados em uma bainha dupla, com dois encaixes, feita sob medida para carregá-los, era acoplada ao restante do conjunto, como se a tal bainha fosse, de fato, parte de sua distinta armadura. “E você acha que falar com ele sem mim, o grande Fergus, ao seu lado, vai fazer ele parar?”, um Mercador de cabelos dourados a interroga, deviam ter quase a mesma idade.

 

- Aposto que está só interessado em procurar tesouros pelo caminho, não é? Você se importa apenas em fazer lucro, sabe-se lá o porquê de ainda não ter vendido o machado que lhe dei.

 

- Que maldade, Khaly, eu quero é sair da rotina junto com a Esgrimista mais poderosa do reino!

 

A garota se diverte com o comentário do rapaz, “Ainda estou longe de ser a número um, papai acha que eu não deveria nem pensar em levar a carreira militar adiante, tendo em vista que podemos precisar nos mover com mais frequência daqui a algum tempo...”, diz ela. “Que preocupação é essa? Desconfia de que eu não seja capaz de guardar a cidade? Um dia ainda vou ser um grande Ferreiro! Ninguém vai se meter com o lugar onde eu escolher morar, além do mais você sabe que gosto dos seus pais, não precisa se preocupar com a segurança deles.”, ele bate no próprio peito com força e sorri naquele dia ensolarado.

 

 

O tempo passa, o Mercador se torna Ferreiro, a Esgrimista é enviada para missões de alto risco no exterior, cada dia é um tormento aguardar notícias de ambas as partes. Os monstros têm ficado mais violentos ultimamente, não é recomendado ao cidadão deixar a segurança do lar.

 

 

“Enche aí Ferreiro, mais cachaça!”, diz um orc grande e robusto. Fergus recolhe o balde que ele lhe devolve e se desloca até o barril de armazenamento da bebida, voltando em momentos com ele cheio pela metade.

 

- Que miséria é essa?! Só metade?!

 

- Não estou vendo o seu dinheiro, sabe muito bem como as coisas funcionam por aqui, dinheiro antes e bebida depois, você me mostra o seu e eu volto lá pra encher o meu balde.

 

O Guerreiro Orc dá uma longa tragada em seu cigarro para voltar a conversar com o dono do bar, fumaça saindo pelas narinas.

 

- Volto com o pagamento depois que vencer a próxima aposta, só preciso de um pouco de bebida para animar as coisas, sabe como é, não vamos nos desentender, certo?

 

Ele descansa a mão sobre a barriga, apontando sugestivamente para seu machado orc com um sorriso arrogante de quem sempre consegue o que quer por ser mais forte. Fergus, acostumado com aquele tipo de conduta, empurra lentamente o balde daquele jeito mesmo, cheio pela metade, para perto da criatura, em silêncio, fazendo cara séria. No momento em que o monstro estende a mão para pegá-lo leva um belo chute no rosto quando o Ferreiro, apoiado no balcão com o antebraço, passa o corpo em movimento acima do balde, sem tocá-lo, e completa a manobra aterrissando do outro lado, nocauteia assim o cliente que se recusa a pagar. Entra então no estabelecimento um Noviço de cabelos vermelhos e compridos, metade de seu rosto é coberto pelo penteado, ele vai direto ao proprietário, põe o pé em cima da barriga do orc desacordado e diz a Fergus:

 

- Adivinha quem eu encontrei vindo pra cá? O Eddga! Ele me mostrou mais uns golpes novos, estou ficando bom.

 

- Não deveria se amigar tanto dele, isso só vai trazer problemas, acha que seus pais gostariam que você estivesse abaixando a cabeça e obedecendo aquele mafioso?

 

- Os mortos não falam, certo? A minha vida é problema meu, eles morreram porque eram fracos e não sabiam lutar de forma decente.

 

- Escuta aqui, moleque.

 

Fergus perde a paciência e agarra o colarinho do uniforme do rapaz.

 

- Seus pais foram as pessoas mais decentes que conheci, eles eram os melhores Sacerdotes dessas partes do reino e você devia se orgulhar de eles terem conseguido frear a invasão do império das trevas, mesmo a custo das próprias vidas.

 

- Tira a mão de mim, seu pedófilo.

 

Ele estapeia a mão de Fergus, fazendo com que ele lhe solte, alguns clientes do bar se viram para ver o que está acontecendo, a quantidade de monstros é notável, são tempos diferentes.

 

- Pensei que gostasse da minha irmã, mas parece que eu sou seu novo favorito, não é?

 

O garoto ruivo fala exatamente o que não deve, sente prazer naquilo, ele sabe que Fergus não é pedófilo nem nada disso, muito menos lhe deseja, mas um dia o ouviu falando sozinho sobre sua irmã, Khaly, e desde então o atormenta sem dó. O Ferreiro tenta manter a calma repetindo mentalmente “É só uma fase, não perca a paciência, ele é só um garoto órfão que perdeu os pais e está longe da irmã, não faça nada de que vá se arrepender, conte até dez.”.

 

- Sudmung, já terminou?

 

- Sim, terminei, agora vou dar uma volta com os mafiosos, até mais.

 

Ao tentar passar correndo pela entrada do bar, tromba com um homem alto, que o segura pelo braço antes que ele, Sudmung, caia no chão.

 

- Há quanto tempo, vocês dois!

 

Além de alto possui um bom porte físico, olhos e cabelos de cor dourada, leva consigo um martelo de batalha cor de barro preso na cintura.

 

- Thor, vocês voltaram?! Onde está minha irmã?!

 

- Khalitzburg está alugando quartos separados para eu e ela lá na estalagem, vamos ficar por pouco tempo.

 

- Preciso ir vê-la!

 

O Noviço corre com ainda mais velocidade desta vez, desaparecendo através do portal que liga o bar à rua da cidade.

 

- E então, Fergus, como vão as coisas por aqui? Seus negócios fluem bem quando está envolvido.

 

Ele olha para os monstros que bebem e o Guerreiro Orc no chão com uma marca escura de sapato na bochecha. “Você leva jeito.”, ele comenta fazendo graça, “Thor, como ela está?”, o Ferreiro lhe pergunta, visivelmente interessado na resposta.

 

- Saudável, eu diria, fora de grande ajuda em nossa ofensiva naquela montanha, se bem que acabei exagerando de novo e parece que desta vez abri um buraco na rocha, agora o local mais parece um vulcão do que uma montanha, tem lava e magma fervente para todo o lado.

 

- Só você mesmo pra fazer isso.

 

O Ferreiro acha engraçado como a força daquele homem é tão grande, sempre fora assim, tanto que as pessoas se referem a ele como filho de Odin.

 

- Fiquei sabendo que a próxima missão de vocês é em Glast Heim, correto?

 

- Quem lhe disse isso?

 

- A Khaly, no pombo correio que chegou ontem, deixa isso pra lá, eu quero ir com vocês, estou cansando de tomar conta do bar.

 

- Fergus, você leva jeito para os negócios, mas não para a batalha. Fique na cidade e junte dinheiro para o futuro, quem sabe um dia seja vital que o reino agregue fundos? É um tipo diferente de batalha, mas alguém tem que lutá-la.

 

- Quando penso em vocês indo para aquele castelo, fico com um mau pressentimento. Você é meu amigo e me conhece há muito tempo, sabe como a morte dos pais dela nos afetou e agora, mais do que nunca, sinto a necessidade de lutar ao lado de vocês.

 

- ... É essa lábia que te faz ganhar tanto dinheiro, mas você não vai com a gente assim. Amanhã de manhã me encontre antes do nascer do sol em um lugar que ninguém poderá nos ver e que seja perto daqui... Não me lembro muito bem de Prontera, meu amigo, você conhece algum local nas redondezas onde possamos treinar sem que olhos curiosos nos restrinjam?

 

- Se não me engano há pouco tempo implantaram um tal de sistema de esgoto por aqui, pouca gente sabe onde fica a entrada, podemos ir lá.

 

- Então está combinado, aonde vamos nos encontrar para você me levar lá?

 

- Saída oeste, a mesma pela qual se dá o caminho para Geffen.

 

- O que Geffen tem a ver com isso?

 

- Vocês vão parar em Geffen antes de ir para Glast Heim, não vão?

 

- É a Khalitzburg que planeja essas coisas, se você diz que é assim, então deve ser.

 

 

Passam-se cinco semanas.

 

 

Thor, Khalitzburg, Fergus e uma porção de aliados se encontram bem na frente do grande portão do castelo de Glast Heim, preparados para conduzir uma guerra caso seja necessário.

 

- Abram o portão, o rei ordena!

 

Vozes no interior se comunicam antes do mecanismo ser ativado, a gigantesca porta de madeira espessa é lentamente erguida por grossas correntes de ferro, atrás dela está um rapaz de roupas vermelhas, ele parece bastante calmo estando sozinho na presença daquele exército.

 

- Boa noite para vocês, belos guerreiros, meu nome é Gemini e hoje serei eu a conduzi-los pelo nosso nobre castelo, por favor queiram me seguir.

 

Ele se apresenta de braços abertos, coloca a perna esquerda à frente e à direita da perna direita, fazendo uma saudação. Rapidamente volta as costas para eles, sem esperar uma resposta, e caminha com tranquilidade para o interior do saguão principal, deixando os visitantes sem saber o que fazer.

 

- Vamos segui-lo, mas fiquem atentos!

 

É a voz de Thor que os comanda nesta missão de paz, cujo objetivo é fazer com que o rei de Glast Heim alie-se a eles nesta guerra contra o império das trevas. Precisam de seu apoio a todo custo, tanto que enviaram a elite de suas forças para lá, sua formação consiste em dois pelotões: O primeiro leva Thor na frente de todos, seguido pelos Cavaleiros montados em PecoPecos, Cavaleiros desmontados, Caçadores equipados com arco e flecha, e Sacerdotes; o segundo é liderado por Khalitzburg, protegida pela elite da cavalaria, os Esgrimistas, seguidos por Bruxos e Mercenários, Fergus conseguiu convencer alguns Ferreiros e cidadãos a lhe acompanhar para a batalha, eles são a retaguarda. À medida que percorrem o trajeto feito por Gemini, observam que existem muitos corredores com boa visibilidade, localizados em níveis superiores ao seu redor, a arquitetura é perfeita tanto para posicionar ataques de longa distância, quanto para bloquear a passagem de invasores, já que existem poucas saídas, sendo que cada uma delas é estreita a ponto de fazer com que não mais de cinco indivíduos possam passar lado a lado por elas. O rapaz trajado de vermelho sobe uma gigantesca escadaria de pedra branca e polida localizada logo em linha reta do portal de entrada, ele se volta para os que o seguem com cautela e decreta:

 

- Bem vindos à Glast Heim!

 

As correntes se soltam do mecanismo que mantinha a porta monumental da entrada aberta, fazendo com que ela desça em alta velocidade, o impacto no chão provoca um estrondo que ecoa dentro das paredes do castelo. Armaduras animadas equipadas com arcos e flechas se levantam nos corredores dos níveis superiores, Raydrics Arqueiros atacam em massa. “Escudo Sagrado!”, bradam incontáveis vozes no pelotão de Thor, que geram as a magias responsáveis por bloquear projéteis inimigos, salvaguardando todos os aliados, “Ganância!”, gritam os Ferreiros na tentativa de coletar as flechas que caem no chão, porém rapidamente notam que elas desaparecem dentro de pouco tempo, são flechas feitas de pura energia sombria. Os Mercenários da divisão Khalitzburg ocultam-se em trevas, na tentativa de se aproximar dos oponentes que possuem a vantagem de longo alcance enquanto os Caçadores aliados fazem pontaria e disparam suas próprias flechas contra os Raydrics Arqueiros, neste momento são os estudiosos das artes arcanas, os Bruxos, que percebem a aproximação de Raydrics equipados com espadas, estes tentam cercar as forças aliadas, mas são interrompidos por Nevascas e Chuvas de Meteoros, além do próprio Thor, que decide juntar-se à defesa e pisa para o lado de fora da massa de Escudos Sagrados, os Cavaleiros montados e não montados, assim como os Esgrimistas, aguardam um momento mais oportuno para engajarem na batalha, Gemini não está à vista. “Precisamos encontrar um meio de avançar!”, Khalitzburg avisa enquanto os Mercenários de sua divisão começam a eliminar os arqueiros inimigos, “Venham comigo!”, sugere Thor estando a enfrentar múltiplas armaduras ao mesmo tempo, os Sacerdotes lhe curam e ampliam a área de proteção quando invocam mais Escudos Sagrados, assim os Cavaleiros e Esgrimistas podem prosseguir em segurança para prestar auxílio ao capitão, os Ferreiros e cidadãos ficam próximos dos Bruxos para ajudá-los na eliminação dos oponentes que chegam muito perto, Khalitzburg e Fergus decidem se afastar da confusão para procurar Gemini enquanto levam alguns Caçadores consigo.

 

 

Thor é simplesmente divino em combate, por vezes arremessa seu martelo de guerra, que se move pelo ar deixando correntes elétricas cor de ouro onde passa, acertando inimigos à vista e retornando para sua mão, ele não perde tempo e usa a arma para acertar o solo, desequilibrando aqueles que estão ao redor, a onda de choque proveniente do poderoso impacto deixa desnorteados os que estão mais próximos, baixando sua guarda, aí entram os Esgrimistas que usam suas técnicas exclusivas para finalizá-los enquanto os Cavaleiros se ocupam em segurar os números do inimigo para que os aliados não se sobrecarreguem, já os Sacerdotes usam habilidades de regeneração constantemente, têm pouco tempo para fazer algo além disso e de renovar os Escudos Sagrados.

 

Os Mercenários são flanqueados nos corredores dos andares de cima por Cavaleiros do Abismo, que sofrem com as Flechas dos Caçadores do pelotão de Thor tanto em cima, quanto embaixo no instante que cavalgam para atacar a unidade de defesa dos Bruxos, que é agora protegida não apenas pelos Ferreiros, cidadãos e Escudos Sagrados, mas também pelos Cavaleiros montados em PecoPecos, que procuram ganhar tempo ao lutar de modo defensivo contra as forças montadas opositoras, ambos os lados começam a sofrer severas perdas.

 

 

- En Passant!

 

A bela Khalitzburg move-se em outro campo de batalha com velocidade ímpar por entre os Raydrics, cortando e perfurando tudo que consegue alcançar com seus dois floretes, os Caçadores a auxiliam à distância com suas Rajadas de Flechas enquanto Fergus se encarrega dos oponentes que se aproximam em excesso, seu machado da sorte não o deixa na mão. Pesados passos metálicos ecoam de uma virada de corredor. Enquanto eles procuram por Gemini em meio à guerra, Thor passa a ser ferido com mais frequência, os Sacerdotes não estão mais sendo capazes de manter o suporte, ele então vê que seu lado começa a perder a batalha, não há nem sinal dos Mercenários, muito menos dos Ferreiros, todos os Cavaleiros desmontados do pelotão, assim como os cidadãos recrutados por Fergus estão mortos, exceto por um encapuzado que luta vigorosa e incansavelmente de mãos vazias. É neste momento que os Bruxos passarão a contar essa história para seus descendentes eras a vir, já que o capitão Thor ergue sua arma para o teto alto do palácio, que se rompe com uma violenta entrada de uma sequência inédita de raios dourados, era a primeira e única, a original Ira de Thor, futuramente seria estudada e replicada pelas novas gerações, muitos oponentes são desintegrados juntamente com a superfície do campo de batalha, que é varrida pelos impactos da poderosa habilidade, contudo o inimigo não reduz a frequência do envio de suas tropas de assalto, aliás, parecem vir ainda mais delas do que antes.

 

 

Fergus sente um calafrio quando a origem dos pesados passos metálicos se revela perante seu grupo, um Cavaleiro Sanguinário, protegido por seu escudo de proporções desumanas, avança contra os Caçadores que iniciam a instalar armadilhas nas proximidades, mas que não percebem a chegada de Raydrics Arqueiros pelo outro lado, sofrendo assim danos tremendos quando descobrem a ameaça da pior maneira possível, Khalitzburg se encontra ocupada com os Raydrics que atacam à curta distância, então é Fergus que toma um passo à frente e corre em direção aos arqueiros inimigos, seu treinamento com o filho de Odin parece render ótimos resultados, ele maneja se esquivar das flechas de ambos os lados enquanto se posiciona no alcance para executar sua técnica ao mesmo tempo em que chegam reforços não requisitados, os Ferreiros aparecem por trás dos Raydrics Arqueiros, certamente foram os primeiros a tomar conhecimento de que estavam a lutar uma batalha perdida e se moveram de encontro ao único outro núcleo de aliados do qual tinham conhecimento, seriam agora testemunhas da primeira execução do:

 

- Martelo de Thor!

 

Fergus vira o machado em suas mãos e, utilizando a parte cega, acerta o chão com uma força descomunal, criando uma magnífica ilusão de ótica de um martelo de batalha, parecido com o de Thor, o Deus do Trovão (título que seria divulgado pelos Bruxos mais tarde), o impacto faz com que os inimigos ao redor se desequilibrem momentaneamente, ficando vulneráveis às flechas dos Caçadores aliados, assim como aos golpes dos Ferreiros que acabam de chegar.

 

- Coup de Grâce!

 

Khalitzburg violenta e graciosamente fricciona seus floretes contra o chão de pedra ao realizar um movimento cruzado de frente para trás enquanto corre, fazendo surgir faíscas que reagem com os elementos flamáveis utilizados na fabricação de suas espadas, chamas fugazes aparecem enquanto as lâminas brilham com o calor alimentado pela rápida movimentação, facilitando desta forma o instante em que ela perfura os pontos vitais do alvo, destruindo seus inimigos um a um, já o Cavaleiro Sanguinário encontra problemas relacionados às armadilhas, mas nada que sua força bruta não possa resolver, ele avança a um passo mais lento à medida que bloqueia com seu escudo colossal as flechas atiradas ao seu encontro até que, surpreendentemente veloz, ergue sua grande espada para o alto, conjurando uma Chuva de Meteoros sobre seus agressores que, já feridos pelos Raydrics, não sucedem em se defender daquela técnica e fatalmente perecem ali sob as rochas ferventes. A Esgrimista perde sua concentração enquanto testemunha a queda dos aliados após finalizar seu último adversário, é quando um punho firmemente lhe afunda o plexo solar, fazendo com que seus olhos cor de safira fiquem opacos, ela desfalece sem afrouxar a pegada nas armas, tamanha fora sua dedicação para conquistar o poder atual, não percebendo o ocorrido, Fergus e os Ferreiros se intimidam com a aproximação do cavaleiro que proporcionara morte instantânea aos Caçadores.

 

 

Thor continua a exibir sua poderosa habilidade, fazendo de tudo para que a batalha vire a seu favor, os Cavaleiros em PecoPecos, aliados às magias dos Bruxos e às flechas precisas dos Caçadores, derrotam os Cavaleiros do Abismo e os Raydrics Arqueiros, deixando apenas os Raydrics espadachins como único obstáculo frente a seu avanço no território inimigo, repentinamente os Sacerdotes começam a tossir sangue negro, o lutador encapuzado testemunha quando um deles transforma o próprio corpo em energia etérea, movimentando-se através de dobramento espacial para ficar rente a um aliado, executando-o então com energia das trevas invocada da palma de sua mão, ao mesmo tempo, os Raydrics parecem ficar mais rápidos e violentos, tragados por auras negras eliminam seus alvos, fazendo com que os corpos dos derrotados sejam tomados pela energia malévola, corrompendo-os e transformando-os em figuras cadavéricas, cobertas por panos negros ou cinzentos. Não importa o que Thor faça, parece que seu pelotão fora completamente abandonado pelos deuses, apenas sobrevivem poucos Bruxos e o lutador de mãos vazias, que são comandados por Thor a realizar uma manobra de retirada ofensiva, ele os faz segui-lo enquanto avança pelas linhas inimigas, martelando os adversários que ousam ficar em seu caminho.

 

 

Mais da metade dos Ferreiros perece nas mãos do Cavaleiro Sanguinário que continua a pressionar os sobreviventes em um combate claramente suicida, Fergus encontra dificuldades para se manter de pé.

 

- Retirada! Vamos voltar! Khaly! Khaly?!

 

Finalmente ele nota a ausência da companheira, mas antes de procurá-la, precisa tomar conta da segurança dos aliados que estão a seu alcance, além de sua própria também. Eles correm pelo caminho de onde vieram, o objetivo é retornar ao campo de batalha no qual Thor se localiza, ele é a sua única esperança.

 

 

- Avante!

 

- Voltem!

 

As vozes de Thor e Fergus antecedem seu encontro, eles logo percebem a situação de ambos os lados.

 

- Thor, precisamos de você conosco, há um inimigo poderoso a caminho!

 

- É melhor ninguém pensar em ir por aquele lado! Nossos aliados foram mortos e ressuscitados como inimigos! A batalha está perdida!

 

A esperança dos presentes se esvai, alguns caem de joelhos exibindo o olhar de quem acaba de ter entes queridos roubados pela guerra, lágrimas são derramadas.

 

- Curar!

 

O encapuzado estende as mãos, conjurando uma energia verde que cobre os ferimentos de seus companheiros, acelerando a cicatrização e estancando o sangramento. “Fergus, como está minha irmã? Não a vejo.”, ele pergunta ao Ferreiro.

 

- Sudmung?! O que está fazendo aqui? Que roupas são essas?

 

- Isso agora não importa, se ficarmos aqui iremos morrer de qualquer jeito. Você viu para onde foi Khaly? Ela está... viva?

 

- Estávamos em meio ao calor do combate, devo tê-la perdido de vista, mas lhe garanto que notaria se ela tivesse... ido.

 

Thor, com uma fração de sua força recuperada, aperta o martelo nas mãos e esmaga a parede do corredor, abrindo uma passagem para outro cômodo. “Vamos por aqui, essa parede era bem dura, acho que eles não consideraram que pudéssemos quebrá-las.”, diz ele antes que passem a se mover pelo interior de Glast Heim utilizando a estratégia, até que encontram uma parede que não pode ser posta abaixo da mesma forma que as outras, fazendo com que Thor use sua habilidade de raios dourados para arrebentá-la de vez, e é assim que o capitão consegue abrir a última parede, criando uma passagem que conecta o interior do palácio para o lado de fora, os que restam da força aliada original podem ver a grama alta sob a calada da noite, vagalumes voam pelos campos verde-escuros, Sudmung, Fergus e os Ferreiros se surpreendem com aquela habilidade tão poderosa, é algo para se lembrar pelo resto da vida, como os Bruxos bem fizeram.

 

- É aqui que nos separamos, companheiros, voltarei para reencontrar Khalitzburg e quem mais estiver vivo, retornem para Geffen em segurança!

 

A maioria assente positivamente com a cabeça à fala de Thor, eles se dirigem para as fronteiras dos gramados de Glast Heim, “Ouvi dizer que todos os Esgrimistas do reino se alistaram para essa missão, se nenhum deles voltar vivo quem sabe o que será de suas técnicas de combate?”, comenta um Ferreiro com o outro, enquanto caminham.

 

- É verdade, mas você viu aquele movimento do tal do Fergus? Achei impressionante!

 

- Ele falou “Martelo de Thor”, não foi? Se ele consegue fazer, nós também podemos!

 

Apesar de haverem sido derrotados, alguns sobreviventes conversam e procuram ver o lado positivo das coisas, pelo menos escaparam com vida e têm uma bela de uma história para contar.

 

- Não, Thor! Você não vai sozinho!

 

É a voz de Fergus que se opõe às ordens do capitão, ele não dera sequer um passo para trás, tanto ele quanto Sudmung ficam parados ali, desejando voltar para a guerra tendo o mesmo objetivo em mente, aqueles que já se encontram a alguma distância fingem não ouvir e apressam o passo, desaparecendo do outro lado dos portões exteriores. Thor sorri com orgulho e lidera os dois de volta para aquele castelo infernal, seus números reduzidos fazem com que a movimentação seja muito melhor comparada a antes, eles logo passam a trafegar por áreas inexploradas, dando maior prioridade à locomoção do que à atenção, seguem palácio adentro até chegarem à sala do trono, onde se deparam com um amontado de sombras, que crescem e tomam forma, é Thor que fala primeiro.

 

- Revele-se, criatura! Onde está o rei?

 

As sombras parecem reconhecer a chegada dos visitantes, seu fluxo se altera, surge então uma dobra espacial no ar logo acima delas, mais energia maligna é depositada no amontoado de trevas pulsantes antes da dobra se fechar, Thor continua, ignorando o ocorrido.

 

- E a Esgrimista Khalitzburg? Sabe de sua localização?

 

A escuridão se divide e ataca os três guerreiros, que enfrentam cada parte da forma como podem durante algum tempo até que uma delas trespassa o corpo de Thor antes de todas se afastarem e desaparecerem pelos corredores, como se tivessem cumprido com o seu propósito, suas pernas cedem e ele se ajoelha colocando as mãos à frente para não cair por completo, Fergus nunca havia imaginado Thor sendo derrotado, é completamente pego de surpresa por aquela situação, que vai muito além de seus piores pesadelos, o poderoso Thor está morrendo. O Ferreiro se desespera.

 

- Sudmung, faça alguma coisa, você é um Noviço, não é?!

 

- Não consigo, este ferimento vai muito além do que dou conta.

 

Apesar de ter dito isso ele continua a depositar energia verde na ferida do companheiro, os olhos azuis de Fergus enchem d’água ao ver que seu amigo pode mesmo acabar morrendo ali, daquele jeito, tão de repente.

 

- Fergus, está chorando?

 

Thor o olha como um menino puro e inocente.

 

- Não sabia que você chorava, meu amigo.

 

Fergus não consegue dizer nada, Sudmung deixa escapar algumas lágrimas enquanto faz mais força para sua técnica de cura. O Ferreiro se ajoelha e aninha o amigo nos braços enquanto chora em silêncio, Thor sorri para os que lhe cercam, tentando acalmar seus corações enquanto deixa o mundo dos vivos.

 

- Vou lhe dar um presente, viu? Tome conta dele, seu nome é Mjollnir, ele é o meu maior tesouro.

 

Fergus olha dos olhos dourados do amigo para sua mão, que fracamente lhe estende o martelo cor de barro, energia amarelada pulsa dele.

 

- Thor, por favor, não morra...

 

O Ferreiro aperta ainda mais o abraço, queria poder dar a própria vida para salvar a do amigo.

 

- Te conheço muito bem, meu amigo, mas agora já passou da hora de eu ir...

 

Ele sorri mais uma vez, como um garotinho que tenta entregar seu brinquedo favorito para seu melhor amigo, antes de viajar para um lugar bem longe. Fergus chora um pouco mais, então aproxima a mão trêmula do martelo, que exibe uma pulsação de cor verde quando ele o toca, a cor dos olhos dos dois se torna igualmente verde.

 

- Eu confio em você.

 

Thor então solta a arma, fazendo voltar a cor dourada para seus olhos e azul para os do Ferreiro, cujo martelo em mãos agora exibe energia azulada, muito mais intensamente do que quando estava com Thor, que fecha os olhos, seu corpo fica mole, mais parece que está dormindo tranquilamente em uma cama confortável. Após alguns segundos de silêncio, Sudmung se levanta, enxuga as lágrimas e anuncia que vai atrás da irmã, deixando Fergus a sós com o corpo de Thor. Ele fica estático, sem saber muito bem o que fazer, até que depois de algum tempo escuta passos conhecidos, o Cavaleiro Sanguinário está a caminho, ele levanta do chão e se arma com o machado da sorte na mão esquerda e Mjollnir na direita, pequenas correntes elétricas de coloração azul se movem através do martelo e do braço que o carrega, o Ferreiro tem um olhar sério. Mal o cavaleiro aparece, Fergus vai a seu encontro, desferindo uma poderosa martelada que o adversário bloqueia, mas é surpreendido por um choque elétrico de altíssima voltagem que acompanha o golpe, causando-lhe danos por baixo da armadura, assim ele percebe que o oponente não é mais o mesmo de antes e levanta sua grande e pesada espada para dizer com uma voz sinistra, carregada de mau agouro:

 

- Chuva de Meteoros!

 

Fergus olha para cima, seus olhos azuis adquirem um brilho fantasmagórico no momento em que salta em direção às rochas em processo de derretimento, ele escolhe o maior dos meteoros e crava seu machado nele, realizando então um movimento giratório para arremessá-lo contra seu próprio invocador, que tem tempo apenas de erguer o escudo colossal, eis que o choque da rocha escaldante no metal incrivelmente resistente do escudo provoca um estrondo significativamente audível para os outros cômodos do castelo, mas o cavaleiro não se move nem um milímetro para trás. Quando Fergus aterrissa, seus olhos retornam ao normal e ele percebe que os outros meteoros caíram sobre o corpo de seu falecido melhor amigo, pulverizando-o por completo, é quando ele profundamente se irrita com o adversário por roubar-lhe a chance de conduzir um enterro digno e parte para cima dele mais uma vez, agora com uma expressão selvagem no rosto. O inimigo, lembrando-se de que não adianta bloquear devido aos choques elétricos, procura atacar o Ferreiro com a espada que, varrendo o ar à frente, acerta-o em cheio na lateral do corpo, sangue é derramado enquanto o herói é jogado ao chão pelo impacto cortante, neste momento Fergus olha para o inimigo e percebe que, incrivelmente, este não se move, então, passados poucos instantes, aparece de seu lado um Mercenário que caminha com estranha tranquilidade.

 

- Está bem, Ferreiro?

 

O grande Cavaleiro Sanguinário se ajoelha, os olhos ficam vazios de vida, “Ouvi um barulho alto vindo daqui, nós nos separamos das forças principais à algum tempo para eliminar a retaguarda inimiga, agora que terminamos o serviço estamos em processo e reagrupamento, mas não identificamos aliados em parte alguma, és o primeiro.”, diz o Mercenário para Fergus, que responde:

 

- Precisamos nos mover, quase todos estão mortos, alguns conseguiram escapar, eu estava entre eles do lado de fora, mas resolvi voltar para procurar por Khalitzburg, a líder de seu pelotão.

 

- Vieste sozinho? Tens muita coragem.

 

- Detalhes à parte, ainda estou à procura dela, não tenho ideia de onde possa estar.

 

O Mercenário ajuda-o a se levantar e caminha com ele enquanto verificam os cômodos adjacentes, o Ferreiro sente pontadas de dor devido ao ferimento.

 

- Aqui, tome.

 

Seu novo companheiro lhe entrega e aplica algumas ervas medicinais no corte, fazendo o sangramento parar, “Isso deve resolver, preciso continuar a busca e reportar a sua informação, espero que nos encontremos novamente.”, ele se camufla nas sombras e desaparece desejando-o boa sorte. O Ferreiro, de fato, sente-se melhor tendo aquelas ervas enfiadas no corte, silenciosamente agradece seu salvador e prossegue a passos lentos pelos corredores até que se depara com uma moça de cabelos cor de rosa, vestida com roupas da cor vermelha, “Você é uma das pessoas que recrutei nas cidades? Que bom que está bem, pode me ajudar a procurar uma pessoa?”, pergunta ele. A mulher concorda acenando a cabeça e sorrindo, segura seu pulso e o conduz a um passo mais rápido para um corredor diferente, havia uma porta em seu final que, quando aberta, revela o saguão de entrada, por onde todos haviam entrado no começo, lá estavam amontoados todos os corpos dos Esgrimistas do reino, no topo deles estava Khalitzburg, que mal podia se mover e tossia sangue.

 

- Khaly!

 

Fergus se solta da mulher e anda o mais rápido que consegue até onde se encontra a pessoa que ama, ele chega perto o bastante para estender a mão e tocar a dela quando acontece, todos aqueles corpos ficam envoltos em auras negras geradas por uma nova fenda espacial que se abre acima deles, injetando mais trevas no mundo. A pele e os músculos dos corpos derretem, os ossos ficam enegrecidos, Khalitzburg grita enquanto seu corpo lhe é tomado pelo poderoso fluxo de energia amaldiçoada, que a ergue do monte e lhe puxa para a fenda espacial, os corpos embaixo parecem se transformar em versões mortas dela, a Esgrimista mais habilidosa de Rune-Midgard. A voz de Gemini se levanta em meio à cena.

 

- Mas que porcaria, hem? Falhei de novo.

 

A mulher de cabelos rosa se transforma em um homem loiro, Gemini. Fergus, sem compreender o que está acontecendo, se afasta daquele lugar, as lágrimas pareciam ter secado antes mesmo de serem derramadas, seu olhar era de alguém que perdera a própria alma.

 

 

Ele pouco se lembra do que ocorreu depois disso, acabou por culpar Sudmung pela morte de Thor, dizendo para si mesmo que se o rapaz tivesse se tornado Sacerdote poderia ter curado o amigo, assim os três teriam salvo Khaly das mãos de Gemini antes que este pudesse ter feito o que fez.

 

 

Mais tarde ouviu falar a respeito de uma nova Ordem de guerreiros que fora fundada para lutar contra as trevas e proteger a luz e os mais fracos, dizem que o fundador após ensinar suas técnicas para alguns discípulos, encaminhou-se diretamente para a presença do imperador das trevas, levando consigo nove dos mais poderosos defensores da justiça, apenas ele e mais quatro sobreviveram à passagem pela caverna na qual o império das trevas estava acampado, lutaram então uma batalha épica contra o próprio imperador que os aguardara em seu templo maligno, percebendo que não seriam capazes de derrotá-lo, sacrificaram as próprias vidas para gerar cinco pilares energizados com sua essência, que então foram usados para perfurar a fonte do mal e selá-lo naquele mesmo templo, onde mais tarde seria erguida nos arredores a Abadia de Santa Capitolina, para guardar o local e homenagear os que morreram na batalha, incluindo o fundador da Ordem dos Monges, Sudmung.

 

 

Agora, de volta àquele dia fatídico, no qual um pequeno Bafomé Júnior foge de um Cavaleiro e um Bruxo, Fergus percebe do alto da árvore que após anoitecer têm-se início uma chuva, ele então desce do galho para o solo e entra na cabana, acende uma lamparina com o objetivo de iluminar o local em que reforça e pole seu machado da sorte, Khaly, e seu martelo de guerra, Mjollnir. Passados alguns minutos ele vê uma concentração de raios dourados caindo em uma mesma área lá do lado de fora, “Thor?! Não, não pode ser, é impossível! Mas... e se for mesmo ele?”, o Ferreiro então se levanta, amarra Khaly e Mjollnir na cintura, pega seu carrinho, apaga a chama da lamparina com um sopro, deixando a cabana completamente escura, e sai na chuva para procurar a causa do fenômeno, eis que ele passa perto de uma criaturinha interessante, ela parece perdida e machucada, querendo testar sua resistência ele apoia Khaly no ombro dela, que não aguenta o peso e cai de barriga para cima, ele acha engraçado e bonitinho.

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Reedição.

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Grato mais uma vez pelo comentário do leitor

:D

Me esforcei para melhorar a visualização das cenas a cada nova reedição, obrigado pelo elogio!

 

 

Eles caminham pela floresta, o Ferreiro os leva para sua humilde morada, por vezes detêm-se no caminho para fazer lanches à companhia do pequenino, que, de cara fechada, recusa-se a manter qualquer tipo de conversa até que receba a foice de volta, porém devora tudo que o homem lhe oferece, pão, geleia de amora, mel, leite e o que mais este tirava do carrinho, tanto o objeto, quanto o estômago do baixinho pareciam não ter fundo.

 

- Aqui estamos! Lar, doce lar!

 

- Não tenho lembranças daqui, béé.

 

- Acalme-se, vamos, parece que você perdeu a memória, Bafinho.

 

- Béé, e a minha foice, cadê?

 

- Me dá um segundo.

 

O Ferreiro se afasta, pega um cabo de vassoura, duas adagas de excelente qualidade e uma corda, ele parece ocupado com estes materiais em sua oficina de forja e refinaria, mais para o fundo do cômodo, o Bafomé Júnior se aproxima a passos lentos, com um olhar curioso, a mãozinha na boca.

 

- Aqui está!

 

Fergus lhe oferece uma foice de lâmina dupla, ou melhor, duas facas amarradas a uma vassoura.

 

- Eu melhorei sua velha arma, agora ela pode perfurar para os dois lados, vê?

 

Ele mostra com cuidado as pontas das facas refinadas e afiadas, viradas para lados opostos, os cabos amarrados à base da vassoura, ainda era possível perceber restos de palha que foram cortados às pressas dali, o pequenino encara aquilo tudo com um olhar sério.

Edited by Espelho
Reedição.

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- Béé! Perfeito! Nunca teria imaginado que isso pudesse existir! Béé!

 

O Bafomé Júnior pula de alegria com aquela arma em mãos, descuidadamente derrubando pertences e destruindo posses do proprietário da cabana, que rapidamente encontra um jeito de se aproximar da criaturinha e, aparando o cabo de madeira com a mão, impede que ele continue a comemorar o evento.

 

- Bafinho, você é muito esquecido, já lhe falei para não manejar sua foice aqui dentro de casa!

 

- Béé, é mesmo! Me desculpe! Vou lá pra fora agorinha mesmo, béé!

 

Ele sai correndo, tomando muito cuidado para não deixar sua nova foice encostar em nada enquanto se desloca para o exterior da cabana, Fergus suspira de alívio, “Parece que afinal de contas realmente consegui um novo bichinho de estimação, ele não se lembra de nada. Talvez seja melhor assim, quem sabe o que lhe aconteceu no passado? Há coisas que não valem a pena serem lembradas...”, ele fica em silêncio por alguns momentos, encarando o chão da cabana.

 

- Béé, olha o que eu trouxe!

 

O Bafomé sorri pura e inocentemente enquanto oferece ao homem cabeças de Yoyos, o sangue fresco pinga no assoalho. “Parece que existem prós e contras quando se fornece uma arma perigosa a seu bichinho.”, o Ferreiro toma nota mentalmente enquanto presencia aquela cena mórbida.

 

- Ah, sim, as cabeças! Muito obrigado, Bafinho, mas você também se esqueceu disto!

 

- Do quê? Béé.

 

- Eu comecei uma dieta ontem e não estou mais comendo cabeças, então não precisa mais se preocupar em pegá-las para mim, está bem? Elas já até ficaram com um gosto enjoado, vamos enterrá-las e ver se crescem mais Yoyos por cima delas.

 

- É claro, como pude me esquecer? Béé!

 

Os dois saem juntos e enterram as cabeças ali por perto, então Fergus olha de relance para o pequenino, “Ele foi bem rápido, como será que ficou machucado do jeito que o encontrei? Mas enfim, isso já não é mais importante, agora tenho ele para animar minha rotina.”.

 

- Baixinho, amanhã vamos continuar com o nosso treinamento diário, está lembrado? Levantamos antes do nascer do sol!

 

O Bafomé Júnior faz que sim com a cabeça, olhando para o Ferreiro com admiração.

Edited by Espelho
Reedição.

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Noah vai ser parado na lei seca. HUehueueue

 

Vish, o cara era cego. Mil tretas...

 

Não entendi a parte da mãe dele. '-'

 

Você fez aquela instância da queda de Glast Heim? Porque ficou bem maneira essa batalha.

 

Bafinho trolado pelo ferreiro. Huheueheu Coitado, ganhou uma vassoura de arma. E o pior é que ele curtiu e ainda tá ownando Yoyos...

 

Esse negócio de treinar Bafomés é tenso, ein, pode meio que dar errado...

Bem-vindos ao tópico da semana e espero que estejam preparados para uma grande novidade.
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Nunca joguei a instância da queda de Glast Heim, não sei o quão perto minha estória passou dela ^.^

 

A cena com a mãe do Fergus fica aberta para a interpretação do leitor, podem haver mil e uma explicações :rolleyes:

 

 

 

Um mocho bica com firmeza o vidro da janela da cabana na madrugada, eis que o Ferreiro acorda, levanta da cama enquanto boceja e se espreguiça, veste seu cinto, que usa para sustentar Khaly e Mjollnir na cintura, além de uma camiseta para cobrir o peito nu, sua roupa de baixo continua à mostra. Balança cuidadosamente um cesto no chão com o pé descalço, "Hora de acordar.", diz ele para o Bafomé Júnior que antes descansava tranquilamente ali envolto por panos macios, mas agora encontra-se sentado a piscar várias vezes os olhos vermelhos com cara de quem não despertou por completo, seu pêlo fora desarrumado pelos rolamentos e reviravoltas que fizera enquanto sonhava, ele procura ficar de pé ao mesmo tempo em que Fergus lhe dá as costas e abre a janela para recompensar o mocho com dois pedaços de carne, "Desculpe por ontem, até amanhã!", despede-se da ave que some por trás das árvores no escuro, levando o alimento no bico.

 

- Hora de caçar o café da manhã!

 

O Ferreiro fala em voz alta ao pisar com força no chão de madeira, sobressaltando o jovem Bafomé que tropeça na borda do cesto, caindo com este sobre si, os olhos azuis do homem brilham com vigor e confiança enquanto levanta o punho firme na altura do peito, seu sorriso exibe dentes saudáveis, volta-se então para o baixinho que retornara a dormir naquela posição semelhante a uma tartaruga. Fergus se aproxima, abaixa e coloca o cesto com os panos do interior na posição correta, ajeita então a criaturinha em pé, alisando os pêlos rebeldes de forma precária com as mãos e lhe entrega a foice de ponta dupla que estava ali por perto, dá-lhe um pequeno impulso nas costas, fazendo-o cair e voltar a dormir no piso, decide então recolhê-lo em baixo do braço, deixando a foice ali mesmo na cabana enquanto vai para o lado de fora, sente a textura da grama nas solas dos pés descalços antes de chegar à beira de um riacho nas proximidades para fazer um mergulho, eis que Bafinho acorda desesperado em meio às águas, sem conseguir ver o Ferreiro que o havia largado e submergido.

 

- Béé! Enchente! Não sei nadar! Béé!

 

Um peixe gordinho acerta seu rosto em cheio após ouvir dizerem-lhe para pensar rápido, agarra-se então ao animal que debate e procura escapar enquanto Fergus lhes tira d'água.

 

- Mas que coisa, Bafinho! Dormiu na nossa pescaria?

 

O homem seminu improvisa uma fogueira de médio porte com o objetivo de assar tanto o peixe gordinho quanto um outro muito maior que ele havia pego, o calor do fogo serve também para secar e aquecer os pescadores enquanto esperam a refeição ficar pronta.

 

- Então você também se esqueceu de como fazer para nadar, não é? Tudo bem, sem problemas, posso te ensinar de novo.

 

- Muito obrigado! Béé!

 

Eles dialogam por algum tempo e depois consomem os peixes tomando cuidado para não queimarem as línguas, daí resolvem entrar mais uma vez n'água para que assim Fergus mostre ao jovem Bafomé a arte da natação. "Muito bom! Você está indo bem!", o professor incentiva o aluno esforçado que tenta aprender as técnicas de movimentação aquática o quanto antes, apesar de no momento apenas lutar para não morrer afogado. Passadas algumas dezenas de minutos, o Ferreiro resolve que voltarão à atividade em um momento futuro e que agora está no horário de realizarem uma caminhada, assim os dois correm pela floresta escura até alcançarem um local rochoso, no qual haviam muitas pedras de variadas formas e tamanhos espalhadas pelo chão, "Pegue uma delas, vamos apostar corrida até o alto daquela colina, está vendo?", o homem aponta para uma elevação do solo adiante que mesmo à noite ainda pode ser facilmente visualizada de onde estão. Bafinho não perde tempo, recolhe uma pedra aleatória com a mão e parte a toda velocidade para o lugar indicado, sem olhar para trás, ele corre no escuro enquanto segue por uma trilha bastante larga que leva até o topo da colina. Repentinamente percebe que a trilha começa a se contorcer, olhando com maior atenção vê que está sobre um emaranhado de escamas, cobras saltam sobre ele, picam-no com as presas afiadas em várias partes do corpo, ele se enfraquece, soltando e perdendo a pedra naquele mar de répteis, que o envolvem e esmagam seus ossos lentamente.

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(E aqui vou eu continuando!)

 

- Tempestade de Raios!

 

A habilidade mágica pulveriza as serpentes que se escondiam nas trevas, libertando o Bafomé Júnior do abraço mortal, "Essa luz! Já a vi em algum lugar! Tenho certeza!", pensa ele enquanto é resgatado pelo Ferreiro portador do martelo de guerra cor de barro que, no momento, emitia uma intensa energia pulsante de coloração azulada, sua forte luz afugenta as criaturas de sensível visão noturna.

 

- Bafinho, você está bem?

 

Fergus se aproxima do pequeno, que sorri e lhe mostra a pedra em mãos, havia-a recuperado em meio à debandada dos répteis que a cobriam com os próprios corpos, as picadas pareciam superficiais, mas numerosas, o Ferreiro, com um olhar de grande preocupação, coleta nos arredores ervas de uma distinta coloração esverdeada, as quais retorce, fazendo sair um pouco de líquido que aplica diretamente nos ferimentos do companheiro, explicando-lhe que aquilo fará com que o veneno das picadas seja neutralizado por completo, então distancia-se novamente para retornar dentro de pouco tempo com as mãos cheias de ervas vermelhas, amarelas e brancas, fazendo de maneira semelhante, aplica o sulco nas picadas, dizendo que os efeitos farão com que a circulação local melhore, a dor seja anestesiada e a cicatrização ocorrerá de forma acelerada, assim, poucos minutos depois, o Bafomé Júnior ergue-se com facilidade, seu corpo é revitalizado pelas propriedades benéficas das ervas.

 

- Obrigado de novo, béé, e a nossa corrida, como fica? Béé.

 

- Que bom que está se sentindo bem, vou pegar a minha pedra que deixei lá atrás e já volto.

 

O homem volta pela trilha enquanto Bafinho faz alongamentos, o sangue das picadas já completamente coagulado e duro, ele puramente admira durante um momento aquela incrível demonstração de conhecimento prático enquanto os primeiros raios solares tingem o céu, passa então a ouvir estrondos provocados por impactos. Apesar de ficar curioso, continua a aguardar a volta de Fergus, eis que percebe a lenta aproximação de algo enorme vindo do mesmo caminho que o Ferreiro tomara, a coisa se aproxima fazendo o chão vibrar.

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Fergus aparece carregando uma pedra de formato oval muitas vezes maior que a própria casa, ele sustenta o objeto sobre as costas usando os braços como apoio, Bafinho fica de queixo caído, surpreende-se com a demonstração de tamanha força bem ali diante de seus olhos enquanto se envergonha da escolha que fizera, "Minha pedra não é nada perto da dele.", pensa o pequenino enquanto o Ferreiro se emparelha com ele, cada passo do homem racha afunda minimamente a terra onde pisa, deixando marcas no solo e causando um deslocamento de ar, é essa a origem do som que instigara a curiosidade do Bafomé momentos antes.

 

- Vamos lá! Estou pronto para correr!

 

"É mesmo! Isso é uma corrida, não há necessidade de carregar uma pedra tão grande, na verdade é até meio idiota fazer isso, quanto menor a pedra, melhor!", raciocina o Bafomé Júnior frente à fala do Ferreiro.

 

- Béé, vamos!

 

Depois que ficam lado a lado, fazem juntos a contagem regressiva e começam a competição com velocidades bastante diferentes, Fergus caminha a passos firmes e lentos enquanto o jovem Bafomé se move o mais rápido que consegue, tomando a dianteira já no início, suas curtas e velozes passadas fazem subir pequenas nuvens compostas por detritos do solo quando ele percorre a trilha. Pouco tempo depois se vê na presença de um rio bastante largo, cuja correnteza poderia ser classificada como extremamente violenta, fazendo com que ele procure por uma alternativa que lhe permita transpô-lo ou contorná-lo já que suas habilidades em natação necessitam de maior prática. Eis que seus ouvidos captam o ruído provocado por uma queda d'água, que, ele descobre ao seguir o curso do rio, é originada de uma cachoeira bem alta, ela altera de forma significativa a intensidade da correnteza que a atravessa, deixando-a muito menos ágil após a água encontrar-se no nível de terreno mais baixo, depois de haver realizado a queda, para compor o que parece ser um lago, de tão calmo é o fluxo d'água ali, o Bafomé decide então transpor exatamente esta parte tranquila a nado.

 

Chegando ao rio de forte correnteza dentro de minutos, Fergus simplesmente faz uso de sua gigantesca pedra oval para formar uma sólida ponte que conecta as margens ao cuidadosamente depositá-la de modo transversal em relação à correnteza, é assim que supera com facilidade o obstáculo para então recolher o grande objeto e o realocar nas costas, dando prosseguimento à competição. Enquanto isso o jovem Bafomé se debate nas calmas águas do curso aquático que selecionara para realizar a travessia, ele havia gasto bastante tempo para descer o terreno íngreme que o separava da margem na qual daria início à prática do ato de nadar, pouco tempo depois ele sucede em alcançar a margem oposta, assim dá sequência à corrida com menor velocidade devido ao cansaço gerado pelo percurso.

 

Bafinho se aproxima em muito da chegada e percebe que, sem querer, havia aumentado de forma considerável a dificuldade da subida para o topo da colina, assinalada como marco final da competição, a partir do momento que decidira ir para uma área mais baixa com o propósito de atravessar o rio, suas mãos e cascos por vezes escorregam na terra ao tentar ganhar altitude apoiando-os na superfície do monte. Pouco faltou para deixar cair a pedra levada na boca quando percebeu a lenta aproximação do Ferreiro que se localizava em um plano de altitude apenas alcançado no caso do indivíduo atravessar com sucesso a violenta correnteza, o baixinho procura não cair em decorrência dos tremores provenientes da movimentação de seu adversário, que desestabiliza o solo da região a cada passo, "Como ele nadou pela correnteza do rio levando uma pedra tão grande?! Ele é mesmo humano?! Nem está molhado! Preciso me apressar!", indaga mentalmente o pequenino que se desespera enquanto Fergus, perante à inclinação ascendente em seu respectivo nível do solo, recorre mais uma vez à pesada carga com um olhar confiante, ele a apoia no chão diante de si e no topo da elevação que pretende vencer, o grande tamanho do objeto ocasionou em uma redução do ângulo de inclinação e facilitou ainda mais o trajeto graças à superfície áspera da pedra, que provou ser um excelente apoio para pés descalços. Nada pôde fazer o Bafomé Júnior além de observar o homem subir tranquilamente em direção à vitória.

Edited by Espelho
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Você modificou os capítulos mais recentes? Fui reler e vi algumas diferenças...

 

Já disse que esse negócio de treinar um Bafomé Jr tem tudo pra dar errado? Acho que já...

 

Tá muito bom, as aventuras de Fergus e seu animal de estimação tão ficando cada vez mais inusitadas.

 

Ah, nesse último capítulo, dá uma desmembrada nesse parágrafo monstro, dá pra dividir ele em uns três ou mais. xD

Bem-vindos ao tópico da semana e espero que estejam preparados para uma grande novidade.
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Faço edições e reedições quando me deparo com escrita que pode ser melhorada, aceito sugestões também! :3

(Os acontecimentos não mudam, apenas a forma como são apresentados)

 

 

Eles dividem a companhia um do outro no topo da colina enquanto apreciam o épico nascer do sol naquele momento, depois de já terem exercitado corpo e mente nas atividades que realizaram em um dia que estava só no começo. "Às vezes não sabemos que precisamos daquilo que jaz bem à nossa frente, Bafinho, a pedra que usei estava ali o tempo todo, só pude vê-la porque já havia percorrido o trajeto de nossa pequena corrida um bom número de vezes no passado, isso se chama "conhecimento", ou "experiência". Você que não os possuía recorreu à "sabedoria", tendo o propósito de vencer uma corrida por meio de velocidade, colheu a pedra que poderia facilmente ser transportada. Essa decisão foi tomada com base em pressupostos de como corridas devem ser corridas, também carrega o sentido de conhecimento e experiência, mas em relação ao trajeto, no caso o que era realmente importante já que duas corridas nunca são iguais, não levava conhecimento, tampouco experiência em relação a ele, portanto generalizaste a situação para um formato mais comumente observável, no qual o mais leve e rápido vence. Nem tudo é o que parece.", Fergus transmitia aos poucos a sabedoria que conquistara ao longo da vida para o pequenino.

 

Os dias transcorriam como se fossem minutos, Bafinho recebera outro nome, tendo em vista que já se encontrava tão alto quanto o Ferreiro, passou a ser chamado de Aarão, um nome digno de seu corpo grande, forte e majestoso, sua fala poderia ser confundida com a de um humano, a voz grossa apesar de ser chamativa era aceitável tendo em mente o porte físico intimidador da criatura, a velha foice de ponta dupla havia partido durante os treinos, Fergus lhe fabricara uma verdadeira arma que rivalizava as que ele próprio tinha amarradas no cinto, o Bafomé agora possuía uma foice com lâmina esculpida e trabalhada de oridecon puro, refinada no maior grau que o habilidoso Ferreiro era capaz de fazer, a madeira utilizada pertencia a uma antiga e resistente árvore, Yggdrasil. Aarão defendia os humanos usando seus poderes naturais das trevas para protegê-los das criaturas mais fortes daquelas matas, sua fama não era maior porque os aventureiros não acreditavam nos próprios olhos, tinham-no por lenda, Aarão, o Protetor da Floresta.

 

 

- Aanya, conte-me mais a respeito da infância de Fergus. Estou curioso.

 

Em um galho alto de uma certa árvore, próxima a uma cabana, um Bafomé dialoga com uma mulher de cabelos dourados enquanto um Ferreiro colhe maçãs lá embaixo para os três devorarem frente à bela vista que têm da floresta naquela tarde ensolarada.

 

- Ele é de muita sorte! Veja bem, havia deixado-o com camponeses nos arredores do campo de batalha enquanto dava suporte para o nosso lado, Sacerdotisas fazem isso, certo? Mas nada impede que derrotemos um ou outro inimigo a cajadadas.

 

A mulher olhava para Aarão com muita energia e um grande sorriso nostálgico, ele percebeu o valor da guerreira que se encontrava ali bem à sua frente.

 

- Certo, mas e então? O que aconteceu?

 

- Eu morri.

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Descobri na pele o motivo dos Sacerdotes não engajarem em conflito direto com as linhas inimigas. As Valquírias de Odin me levaram a Valhalla devido ao fato de haver perecido em combate, foi lá que implorei para ter a chance de ver meu filho novamente, os camponeses para os quais o confiei estavam em uma região muito próxima da guerra, quaisquer eventualidades poderiam ocorrer ao meu pequeno Fergus. Tive então a chance de me juntar às Valquírias, contanto que, a partir daquele instante, passasse eu a servir fielmente aos propósitos divinos, do contrário minhas asas haveriam de permanecer forçadamente ocultas, deixar Valhalla seria impossível mesmo com o status de Valquíria, a única saída é voar.

 

Descendi dos céus à terra para ir de encontro ao local que me interessava, o tempo parecia não funcionar corretamente, de forma que até hoje penso que se tratava do mesmo dia da minha morte, os que lutavam eram rostos conhecidos. Vejo então a moradia dos camponeses feita em ruínas por uma alcateia de lobos que havia estado ali, os rastros eram recentes, sangue e corpos de pessoas adultas marcavam o lugar, não havia sinal do meu bebê. Voei em direção à área desértica para a qual as pegadas apontavam, atenta para todos os detalhes logo vi que a alcateia tinha entrado em conflito com algumas harpias, aumentei minha agilidade para encontrar o solo em voo rasante, tomando um pequeno e conhecido embrulho da mandíbula de um lobo marcado por cicatrizes.

 

- E foi assim que salvei o pequeno Fergus de um destino trágico! Pude acompanhar o crescimento do meu filho enquanto mantinha a promessa de servir aos deuses quando era requisitada para tal.

 

- Impressionante, não sabia que o passado de vocês fora tão marcado pela guerra.

 

- Não fomos só nós, muitos morreram sem a possibilidade de sequer ir a Valhalla, eu e Fergus somos da minoria que teve um desfecho afortunado.

 

- Ouvi meu nome?

 

O Ferreiro aparece no galho trazendo um cesto cheio de belas maçãs vermelhas.

 

- Estava contando a Aarão do dia em que te livrei dos cuidados de um Lobo Errante e sua alcateia.

 

- Pois é mãe, devia ter deixado eu virar um menino lobo, teria sido divertido correr nu pela noite, uivando para a lua cheia no deserto.

 

Ele se diverte com o próprio comentário enquanto a mãe faz cara de quem não acha graça, o Bafomé dá continuidade ao diálogo.

 

- E o pai de Fergus, onde estava?

 

- Nunca saberei, mas penso que houvesse ligação com a família Gaebolg, ele acabou esquecendo o cinto das calças na noite em que me desejou boa sorte, nele há o brasão deles.

 

O Ferreiro mostra o brasão da família real em seu cinto.

 

- A única mercadoria que minha mãe não deixa eu vender!

 

- Fica me provocando e depois se chateia quando lhe toco as memórias dolorosas! A conversa foi boa, mas preciso guiar os mortos para Valhalla, não seja como ele, Aarão!

 

Ela escorrega do galho, rodopia no ar enquanto de suas costas surge um belo par de asas muito brancas, voa então para o horizonte, deixando todas as maçãs para o Ferreiro e o Bafomé comerem.

Edited by Espelho
Reedição.

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Aanya voa em alta velocidade pelos céus enquanto busca por aventureiros que estejam caindo em batalha, sua tarefa não é ajudá-los, mas sim escoltá-los para o lugar que descansarão após a morte. A ela não é permitido oferecer ajuda de forma direta, mesmo que em vida tenha exercido a função de uma Sacerdotisa, justamente o oposto do que faz agora como Valquíria, contudo já realiza o serviço divino a bastante tempo, tanto que se acostumou com a rotina. Ela faz sombra com a mão posta acima dos olhos para enxergar melhor, na outra leva o antigo cajado que a acompanhara mesmo em vida, "Geralmente a essa hora teria encontrado pelo menos uma dezena de pessoas para guiar, o que terá acontecido?", ela indaga em pensamento ao sobrevoar os arredores do portão oeste de Prontera, já se aproxima de Geffen, seu campo de visão alcança a Vila dos Orcs na direção sudoeste.

 

- Ai, meu santo Odin!

 

Um gigantesco exército composto pelos humanoides de peles esverdeadas e azuladas avança para a cidade dos Magos, corpos de pessoas e bestas ficam empilhados de qualquer jeito nos cantos das passagens que conectam os castelos do feudo, haviam já algumas Valquírias trabalhando ali.

 

- Aanya! Que bom que você chegou! Precisamos de ajuda urgentemente, a situação está feia!

 

Ela se junta às companheiras para realizar o serviço, aquele tipo de situação é rara, mas ocorre com certa frequência anual, entretanto seria esta a primeira vez que um Bruxo de barbas brancas trajado com vestes cinzentas se posicionaria em uma das estreitas pontes de madeira, "Corram, seus tolos!", ele avisa aos aventureiros que passam por ele para alcançar chão seguro, então bate com leveza, usando a palma da mão, em seu cajado de madeira, fazendo surgir uma Chama Reveladora. Depois que todas as pessoas haviam realizado a travessia, somente as criaturas esverdeadas e azuladas encontravam-se diante dele.

 

- VOCÊS NÃO PASSARÃO!!

 

Heroicamente brande com firmeza a base da arma contra o chão frente a seus pés, criando uma Supernova que se alimenta da madeira que constitui a ponte, despedaçando-a e lançando tanto o Bruxo quanto os orcs para o rio muitos metros abaixo. "Não!", exclama um jovem Gatuno, contido por um Cavaleiro que o arrasta para a segurança, flechas atiradas pelos Orcs Arqueiros zunem próximas deles enquanto se afastam dali, deixando a contragosto o companheiro que se sacrificou para salvá-los. Aanya observa a cena e tem uma brilhante ideia. "Agora que a ponte foi desfeita, os cidadãos terão que atravessar pela parte leste de Geffen para chegar à Vila dos Orcs, mas e se eu teleportá-los diretamente ao local? Assim mais pessoas hão de perecer em combate dentro de menos tempo, portanto guiarei cada vez mais aventureiros a Valhalla e além do mais aposto como ainda pagariam pelo teleporte!", a profissão do filho com quem conviveu certamente a influenciou na criação do que futuramente viria a ser conhecido pelo nome de "Corporação Kafra".

Edited by Espelho
Reedição.

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YOU SHALL NOT PASS!!!

 

Muito legal o último capítulo de Senhor dos, ops, O Fauno.

 

Nossa, a Aanya mó vacilona, que isso. "Vou mandar mais gente pra lá porque assim mais pessoas morrem. Huehuehuehue" E assim surgiu a Corporação Kafra.

 

Agora que o Bafinho tá grande, qual vai ser a treta? Mais capítulos #partiu.

Bem-vindos ao tópico da semana e espero que estejam preparados para uma grande novidade.
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