Ok, ok!
Aqui eu começo uma mini-fic que explica a criação do "A", toda a estoria por tras do clã, e seu funcionamento. Após o termino dessa fic o "A" estará lançado em ON no rag. Mas Clã já exise em Off e estamos rcrutando, caso se interesse procurar por Sir.Cabrial ou Rufus Stooker. Vamos lá.
BC...
Prólogo – Alfabeto.
-Em um momento da via aprendemos a ler...
-Ou não.
-Aos que foi imposta a instituição escolar, aprenderam a ler e escrever, e antes mesmo disso aprenderam sobre a ordem. A todos eles, antes de tudo, foi imposta a ordem. Não importa com qual aparência, de que forma, com que sabor, antes de tudo foi imposta a ordem.
- O nome?
- Alfabeto! Uma das primeiras ordens impostas a nós, claro que antes dela existem diversas outras... Mas “alfabeto” é uma exemplificação quase que perfeita da ordem, Começo, fim, meio; tonalidades, formas, categorias e classificações, padronizadas.
-É isso... Eles impõem tantas regras ao alfabeto, e esquescem-se que a ordem ”alfabeto” não possui nenhuma expressão, eles impõem tanto que retiram a alma de “alfabeto”... Mudarei de opinião quando ver um significado para a palavra “ABC...”.
-Necessitamos da completa caotização de fragmentos de “alfabeto” para criarmos, em todos os sentidos. E não interpretem como desorganização, afinal a palavra “BCA..” também não demonstra sentido visível. É necessária uma forma maior, que englobe ordem e desordem. Caos é a palavra.
- O mundo necessita de um novo alfabeto!
-Seu princípio?
-A
Capitulo 1 – “O passado não existe mais... Caso insista nisso, mate-o.”
- 23 de Setembro/ Fazenda de Cabras Voadoras - Kunlun / 12h01min P.M. –
O som do farfalhar das árvores era instigante e o único perceptível, com a exceção das flatulências de algumas cabras ainda despertas. O homem de topete indespentiavel, dormia tranquilamente com seu pijama que estampava de forma orgulhosa bodinhos felizes. A cama de bambu, feita artesanalmente vez ou outra emitia tranqüilizantes sons da madeira, que se apropriava do formato pentagonal do quarto dando em direção a um corredor para ecoar. A pintura marrom clara das paredes contribuía para o ambiente de tranqüilidade.
- CABRAS COM MEMBRANAS! – Ele falava entusiasmadamente, mesmo que em profundo sono. - Elas podem tornar-se aquáticas! – Bruscamente mudava seu tom de voz, ainda em sono profundo. - Explosões!
O farfalhar dos galhos aumenta, algumas cabras começam a berrar ao longe, o homem abre repentinamente um olho, parecendo ainda repousar o outro, procura sua espingarda na mesinha vermelha ao lado da cama entusiasmadamente.
- Chupa-Cabra... – Ele fala em tom de suspense já completamente acordado.
A “agitação” dele é cortada por um sonoro: "Toc toc toc toc".
- Chupa-Cabras batem em portas? – Fala desapontado, enquanto coloca seus chinelos para atender a porta. - Demônios... A essa hora da noite...
Ele desce as escadas mecanicamente até a porta; a casa é pintada de diversas cores, alguns cômodos chegam a possuir diversas misturas, algo bastante psicodélico. O mesmo acontece com as escadas, possuindo um degrau de cada cor. Ao abrir a porta vê algo aterrador:
- Cabrial!!!!!!!! – Um caçador bradava. - Acuda-me! – Ele encontrava-se completamente molhado e sujo, seu rosto estava semelhante ao de um zumbi.
- Link? – Ele não entendia o que se passava, o magistrado VI da VII não possuía grandes relações com ele, e nem sequer conhecia direito o caminho de sua casa.
- Eu vi o mundo! Eu vi a vida! Cansei de tudo! Para essa situação ainda haveria saída? – Ele fala desesperada e melancolicamente.
- Erh... Entre? – O sonolento arruaceiro continuava sem nada entender.
Link aceita o convite e segue um Cabrial mais desapontado que curioso. Eles passam pelos cômodos multicoloridos, por toda a casa tanto as paredes quanto o piso eram de madeira. Eles vão a uma minúscula sala de estar que mal caberiam quatro pessoas, as paredes, o piso e o teto são de um amarelo cintilante incrivelmente luminoso. Cabrial senta-se em uma poltrona verde-escura e manda Link fazer o mesmo. Por perceber o tormento de Link ele tenta mostrar-se desinteressado e insensível, uma “tática psicológica”:
- Estou com sono... – Diz Cabrial indiferente.
- Erh... Eu preciso de... – O caçador é interrompido pelo outro que tenta animá-lo.
- Drogas?
- Bem... – Link esboça um sorriso sem graça, e parece pegar ar para falar...
- Diga...
- Sabes que eu demiti-me da VII – Fala ele mais tranquilamente.
- Sim eu soube, só não entendi o porquê... No padrão de vista de vocês, você era “bem sucedido”.
- Não... Não era... – Fala o decadente caçador devaneioso.
Um longo silêncio corta o diálogo, Link assombrado olha para os lados constantemente, O criador de bodes continua a mostrar completa indiferença, encarando-o.
- Você sabe muito bem por que sai de lá... – Ele fala com um pouco de agressividade
- Pode ser que eu venha, a saber, realmente... – Cabrial encontrava-se apenas com um olho aberto.
- Tudo aquilo que você disse... Que pregou...
- É. – Ele parecia provocar aquela melancolica pessoa com sua indiferença.
- Eu cansei-me da vida que levava...
- Sim, eu entendo... Também estou muito cansado e com sono. – Falava aquele sarcástico arruaceiro
- NÃO DÁ! Impossível dialogar com você!
Link levanta-se exaltado, mas Cabrial com um bater de palmas invoca algumas colunas de pedra que bloqueiam a passagem.
- Não vai sair...
O caçador com raiva começa a disparar diversas rajadas de flechas, que destroem completamente a poltrona, levantando uma longa camada de plumas. Link continua a olhar inexpressivamente para a poltrona quando as colunas de pedra se desfazem e o arruaceiro que revelara-se bom arcanista surge entrando na sala.
- Agora sim, vamos conversar sério, Link!
- Pensei que seria algo mais engenhoso... Você está ficando velho, mas ainda continua estranho.
- Realmente eu já fui mais criativo... Mas estamos aqui para falar de você comece de vez.
- Eu cansei de fazer o que fazia... – Diz o caçador voltando ao seu estado depressivo de antes.
- O que você fazia? – Mudando a tática, Cabrial agora tenta fazer com que ele tudo fale.
- Eu mantinha a ordem! A ORGANIZAÇÃO! Eu matava pela ordem! – Ele demonstrava um arrependimento desesperador.
- Serei breve. Eu sempre fui contra tudo o que a VII pregava e fazia; muita hipocrisia de minha parte ter dela feito parte. A ordem é apenas a repressão da liberdade, e você sabe disso, pois por ela matou, para manter um simples sistema funcionando correta e padronizadamente. Mas como eu sempre digo, o passado não existe, claro existiu um dia, mas atualmente vive-se o presente... – Cabrial toma ar para continuar falando. - O passado não gosta de não existir, e teima em manter-se vivo através das lembranças; faça um ultimo ato de repressão, acabe com a rebeldia do passado, mate-o. Mate as lembranças. – Ele conclui com um suspiro de alivio.
- Como? Não dá para viver sem lembrar-se do que foi feito, eu fiz tudo aquilo, e tudo que fiz foi fixado em minha mente, isso tudo é ilógico, as lembranças me atormentaram sempre... Você está louco. – Link demonstrava revolta por ter compreendido pouco coisa.
- Sério?
Ambos abrem um largo sorriso interrompendo por um curto espaço de tempo a agonia de Link, mas logo voltam ao assunto.
- Bem não vou repetir de novo, não gosta das lembranças? Mate-as! – Cabrial parecia finalizar por ali a conversa.
- Você é cabeça dura, e eu mais, por ainda levá-lo a sério...Como deveria fazer isso?
- Vamos Link, seja criativo... A vida é sua, as lembranças são suas. A arte deverá ser sua... – O ainda sonolento arruaceiro já se levantava e pegava alguma coisa na gaveta de uma minúscula estante, único móvel na sala além das poltronas.
- Arte? Mas que demônios têm arte nisso? – O aconselhado ficava cada vez mais confuso.
- O auxílio que pediste eu lhe dei, e olhe que não gosto disso...Agora vá e me deixe em paz...
Cabrial usa uma gema e invoca um portal embaixo da poltrona de Link que o teleporta para a entrada de Kunlun. Ele aliviado vai saindo da sala quando dá falta de algo...
- PUTO! Acabou levando minha poltrona verde-escura... É tão difícil encontrar aquele modelo daquela cor... – Suas palavras já saiam emboladas pelo sono, dali ele parte para sua cama e volta a dormir tranquilamente.
- 23 de Setembro/ Em algum lugar de Kunlun / 05h44min P.M. –
O decadente zumbi-humano passara algumas horas perambulando pelas desertas ruas de Kunlun, andarilhava sem destino, sem vitalidade ou entusiasmo... Sem vida... Parecia ainda refletir sobre as palavras de Cabrial e enquanto o fazia, falava coisas sem nexo, lágrimas caiam de seus olhos, ele parecia outra pessoa...
- Ele acha... Ele acha que não conseguirei... Eu vou matar... Meu passado vai morrer... Eu rirei dele. – Ele falava trêmulo e gaguejando, o caçador não estava completamente lúcido, não se encontrava “normal”.
Repentinamente ele abre um sorriso por certo psicótico, alguma luz parece encher sua alma, mesmo sendo esta a luz da loucura.
- Imbecil, ele demonstrou grande ignorância agora, se ele achava que não conseguiria matar meu passado eu mesmo... – Link falava gargalhando. - Eu vou fazê-lo e depois rirei, gargalharei em sua face...
Agora além de zumbi, o louco caçador vai despindo seus equipamentos enquanto corre pelas ruas da cidade até que restem apenas suas botas desamarradas. E de cima de uma árvore gargalha fortemente acordando alguns moradores próximos...
- Acho que nem aquele doente mata “passados” tão bem como matarei...
Uma farfalhada raivosa de folhas seguida do som da quebra e um galho interrompe o gargalhar do Link, e o silêncio surdante vez ou outra, perturbado pelas flatulências de algumas cabras ainda despertas volta a imperar.
*Continua...*