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Gwaeron Windstrom

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Reputação

  1. Akahai, como o pessoal já disse aí, tá de parabéns nesse capítulo. Descreveu muito bem a cena da batalha. Go go go go go go Thanatos, quebra a cara do Morroc!! *esperando pelo capítulo da batalha final*
  2. Akahai, kra to impressionado com a sua fic. Uma das melhores que eu já li(junto com as do Leafar e as da Kitsune). Também sou fã do seu Guia de Cenário hehe (um dia eu termino de ler!!). O que eu mais gostei na sua fic é que ela revela totalmente o espírito do Thanatos, e ñ mostra ele como o herói que todo mundo pensa, mas como um executor sem coração totalmente frio (pra cortar a cabeça daqueles kras no capítulo 2 tem que ser frio) e perturbado pela infância difícil. Revela totalmente o Thanatos como pessoa, e ñ herói. Gostei muito disso nas suas fics kra. To esperando os próximos capítulos. Se eu ñ me engano é agora vem a parte d a Torre da Morte (quem já leu as fics da Necrópole Comercial ou do Evento da Ruína de Morroc sabe bem disso). Opa vo tá esperando!!
  3. Realmente muito bom. Eu tinha visto no tópico do Hitory que você estava escrevendo essa fic. Ia comentar que eu iria estar esperando, mas a preguiça de comprar ROPs me impediu de postar. Enfim... O tamanho dos capítulos está bom, eu só sugeriria aumentar só um pouco o tamanho das letras. Pelo que eu percebi, seus capítulos são apenas uma única cena, ao invés das outras, que têm muitas cenas em um só capítulo. Continue com a fic. Vou estar acompanhando. Gwaeron PS: Não fique nervosa, a fic está ótima.
  4. Tá aí, Dark, vc comentou na minha fic(ainda ñ comentou do capítulo 4, mas vo deixar passar essa xD) então eu comento na sua. Gostei da idéia da sua fic, mas tipow, vo dar uma dica que eu dei pro Slow tbm. Ñ leva ela a mal, é só uma dica de um ficwriter pra outro. Tenta usar mais ponto. Vc usa muita vírgula, ou nem isso, pra separar as frases. '-' Separando elas com ponto deixa a fic mais elegante. Gostei tbm do tamanho das letras xD Mas isso dá uma falsa impressão de capítulo grande. O CAPÍTULO É MUITO CURTO PRA MIM!! xD Bom, to querendo já ler o capítulo 4. To esperando xD Até mais
  5. Gwaeron Windstrom

    Asa Secreta

    Tá aí, gostei xD Vc usa ponto e vírgula direito, então vo guardar o meu conselho pro Dark e pro Slow ;p Espera, eu acho que já postei essas frases em algum lugar '-' Anyway, gostei da fic falar sobre as quests do jogo. Continua com ela! xD Até mais
  6. Hehehehe. Tá aí, gostei. É tipo uma continuação da fic do Seraos xD Uma pequena correção pra completar... Bom, o certo seria: "[...] remember is true, including my words..." Bom, fora isso, a fic tá ótima xD Vc usa os pontos direito, então vo deixar o meu conselho pro Dark e pro Slow ;p Continua com ela! Até mais
  7. Humm. Tá aí. Gostei ^^ Conta sobre o Campo de Treinamento dos Aprendizes, o teste e essas coisas de início mesmo. Gostei ^^ Quase ñ se vê isso nas fics. Mas vo repetir o conselho que eu dei pro Dark e pro Slow: tenta usar mais ponto pra separar as frases '-' Dá mais elegância á fic. Mas é um conselho. Aceitar ele ou ñ é escolha sua. Bom, mas eu gostei da fic ^^ Continua com ela! Até mais
  8. DOUBLE AGAIN???? oO Droga de mouse bugado -_- Sorry pessoal.
  9. Muito bom, Sun! Gostei ^^ Também achei os capítulos meio curtos, mas a história compensa isso. Gostei também da parte do teste. É verdade que o Irmão Simão faz mesmo isso no teste e que sacer também recebe esse diamante?? (Só fiz protótipo de sacer, sacer mesmo nunca criei '-'). Mas enfim, gostei muito da sua fic. Continua com ela Ah, uma pergunta: COMO VOCÊ FAZ PROS SEUS PARÁGRAFOS SAÍREM TÃO ALINHADOS? oO ;p
  10. Muito bom, Sun! Gostei ^^ Também achei os capítulos meio curtos, mas a história compensa isso. Gostei também da parte do teste. É verdade que o Irmão Simão faz mesmo isso no teste e que sacer também recebe esse diamante?? (Só fiz protótipo de sacer, sacer mesmo nunca criei '-'). Mas enfim, gostei muito da sua fic. Continua com ela Ah, uma pergunta: COMO VOCÊ FAZ PROS SEUS PARÁGRAFOS SAÍREM TÃO ALINHADOS? oO ;p
  11. Here is the chapter ^^ Dark, Gwaeron em frenesi te fatia vivo xD (Olha o Shyllian no capítulo 4!!! xD) Zueira. Bom, eu terminei o capítulo 5 há um tempo, mas queria já ir me adiantando nos outros capítulos. Além disso, o capítulo 5 ficou meio "vago" pra mim... E eu demorei um pouco mais na revisão. Bom, espero que gostem --------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------- CAPÍTULO V FUGA O rufar dos tambores ecoou pela pequena praça de Izlude,como arautos de uma batalha. No centro da cidade, fora posto uma plataforma mediana de madeira, com um toco de madeira no meio. Ao redor dela, haviam se reunido uma pequena multidão, tanto de curiosos como de militares, sendo a primeira fileira composta por uma tropa de Cavaleiros de Prontera, comandados por seu orgulhoso sargento loiro. Todos aguardavam ansiosos a saída do carrasco para aplicar a execução, os olhos fixos no pequeno barracão onde este afiava seu machado. Enquanto isso, todos ouviam o monótono rufar de tambores dos anunciantes, que se concentravam na parte norte da plataforma. Mas fora isso, a praça estava mergulhada em um pesado silêncio, quebrado apenas pelo bater das ondas contra as encostas da cidade. Gwaeron estava na primeira fila de cavaleiros, a posição firme e ereta como a do resto da tropa. Ao seu lado, o olhar perdido em meio ao céu, estava Leon, e à direita do cavaleiro de cabelos roxos estava o Conselheiro Real. O Rei Tristan II tinha morrido na mesma madrugada na qual Gwaeron havia partido de Prontera, e seu conselheiro fora à execução como representante durante o luto da família real e o tempo de espera na coroação do novo sucessor. O homem, vestindo trajes luxuosos, ao perceber o olhar que o capitão lhe lançava, fez um aceno breve com a cabeça parabenizando-o da captura. Gwaeron respondeu com um aceno rápido e virou-se para trás, observando a multidão. Pelas expressões no rosto, todos estavam ansiosos para ver a elfa que atacara sua cidade ser decapitada. Tenso, o cavaleiro virou-se novamente para trás. Leon o cutucou de leve: - Gwaeron, você está bem? - sussurrou ele - Está tenso desde que chegou. - - Eu estou bem. - murmurou Gwaeron - Só estou um pouco ansioso. - Leon lhe lançou um olhar desconfiado, mas não perguntou mais nada. Alguns minutos se passaram até o rufar dos tambores finalmente ser interrompido. A porta do barracão abriu-se rudemente e dela saiu um homem alto e musculoso, a cabeça coberta pelo capuz negro dos carrascos. Nas mãos rudes e calejadas carregava um grande machado, o fio afiado recentemente brilhando perversamente ao Sol. O carrasco foi até a plataforma com passos pesados e postou-se ao lado do toco de madeira, aguardando enquanto um dos homens, vestindo um apertado casaco azul-escuro, tirava um rolo de pergaminho do bolso e o abria com cuidado. Então, com sua voz ecoando pela praça, ele anunciou: - Caros senhores e senhoras, estamos hoje aqui reunidos para presenciar a execução de uma traidora do reino e elfa, acusada de roubo de propriedade militar, ataque á propriedade citada, homicídio e conspiração contra o querido reino de Rune-Midgard. A detenta foi capturada à cerca de uma semana pelo Capitão Gwaeron Strom, - ele indicou Gwaeron com um gesto da mão - e apenas graças aos esforços do Capitão que a acusada está aqui, hoje, para pagar por seus crimes. Diante de tais malignidades, a sentença Real dada á acusada é morte através de decapitação. - Ele recolheu lentamente o pergaminho e voltou a guardá-lo no bolso, dizendo - Cavaleiros, tragam a traidora á plataforma. - Um pequeno grupo de cavaleiros destacou-se da primeira fila e começou a dirigir-se com passos lentos e controlados até o galpão onde Esmeralda estava presa. O rufar dos tambores retornou, acompanhando os cavaleiros. Gwaeron virou-se rapidamente para trás, a mão segurando com firmeza o cabo da espada. Uma das gaivotas que estavam pousadas sobre o muro abriu vôo e com um breve rasante sobre a multidão dirigiu-se para o norte. O cavaleiro sentiu seus músculos tremeram de ansiedade enquanto a pequena tropa dirigia-se ao galpão. Estava na hora. Na plataforma, o carrasco segurou o machado com as duas mãos e aguardou. Então, rompendo o silêncio monótono quebrado apenas pelo rufar dos tambores, surgiu um zunido. Baixo, agudo, mas ao mesmo tempo incrivelmente perceptível, ao menos o bastante para atrair a atenção da maioria da multidão. Porém, enquanto as pessoas procuravam a origem do inesperado som, este se fez surgir de repente: vinda do nada, cruzando o ar como um borrão, uma flecha cravou-se com um som curto e surdo na plataforma, aos pés do carrasco. O rufar parou. E nesse instante, no qual o silêncio imperou na pequena cidade, as gaivotas do muro rapidamente saltaram de lá e dirigiram-se apressadas para o norte, com grasnares desesperados. E então, segundos depois, uma chuva composta de centenas de flechas voou pelos ares, vinda de trás do muro. Por um instante ninguém falou nada. Apenas quando as flechas já iniciavam sua descida mortal que um dos cavaleiros teve o bom senso de gritar: - Protejam-se! Estamos sendo atacados! - E então o pânico imperou. Desesperada, a multidão começou a correr para debaixo dos telhados das casas ou até mesmo para debaixo da plataforma, empurrando, gritando e pisoteando em sua tentativa desesperada de se salvar das setas mortais. Porém, nem todos se salvaram, sendo trespassados pelas flechas que com zunidos baixos caíram sobre a cidade. Os gritos agoniados dos que eram atingidos se sobressaia no ar tranquilo da cidade, formando uma terrível sinfonia mortal. Quando a primeira chuva de setas passou, reinou a típica calmaria que antecede a tempestade. Leon, que havia se protegido atrás de uma barraca de açougueiro, rapidamente sacou sua espada e fez uma rápida contagem mental dos sobreviventes. Quando terminou, alguns segundos depois, retornou correndo para a praça, gritando para os cavaleiros sobreviventes: - Formar linha de defesa! Formar linha de defesa! Para a entrada! - A tropa imediatamente saiu de seus diversos esconderijos e correram o mais rápido que podiam para a série de pontes que levava à saída da cidade, sem dúvida o primeiro alvo de um invasor. O sargento, líder das tropas, saiu rapidamente de debaixo da plataforma de execução e correu esbravejando até Leon, sacando a espada: - O que pensa que está fazendo, capitão?! Estes são meus homens, eu dou as ordens! Tropa, preparar para invasão marítima! Assumir defesa anti áerea!- - Não! - berrou Leon - Protejam a ponte! - A tropa, que já havia alcançado o início da primeira ponte, virou-se confusa para os dois. O sargento, cuspindo sobre o bigode loiro, agarrou o braço de Leon: - Você não tem autoridade aqui, capitão! Não foi assim que eles foram treinados! Você só está os confundindo! - - Eu os estou salvando das ordens de um tolo! - gritou Leon, de volta, livrando-se da mão do sargento - O próximo ataque não irá demorar a vir! - Mal terminou de falar e, silenciosos como sombras, uma pequena tropa de homens e mulheres, vestidos com capas negras, subiu pelo muro e saltou nas ruas, sacando espadas curvas ou arcos negros. Elfos. Leon sacou sua espada com um grito de guerra, virando-se para a tropa de cavaleiros que já voltava de volta à praça o mais rápido que as armaduras permitiam: - Atacar! Assumir linha de defesa! - berrou ele. O sargento também empunhou sua espada, encarando os elfos que avançavam à uma velocidade incrível, e também gritou: - Acabem com esses bastardos! - Leon preparou sua espada para o ataque que vinha e virou-se para trás falando - Gwaeron lidere os homens enquanto eu... - Parou de falar surpreso. Gwaeron tinha sumido. Gwaeron corria rapidamente pelas ruelas de Izlude. Tinha se protegido da chuva de flechas atrás do barracão de vegetais, e aproveitou o pânico que se instalou após o ataque para fugir para o oeste da cidade. O cavaleiro ofegava devido ao peso de sua cota de malha, mas o cansaço era ignorado como se fosse apenas uma pedra no caminho. A mente do capitão estava focada em libertar Esmeralda antes que a tropa de elfos tivesse muitas baixas. Virou uma esquina e viu o galpão onde a elfa era mantida presa logo no final da ruela. Correu o mais rápido que podia para lá. O ataque á Izlude tinha sido arquitetado por Gwaeron e Esmeralda. Segundo a elfa, a maioria dos desertores do grupo de Shyllian tinha se disfarçado e seguido para os arredores de Prontera como um grupo independente. Após presenciar o ataque sanguinário ao armazém de armas, muitos estavam tentando levar uma vida normal no reino, se redimir de seus erros. E eles viram sua chance chegar quando Gwaeron e Esmeralda lhes pediram ajuda para o resgate de sua compatriota, pedindo apenas uma coisa: distrair as tropas da cidade enquanto o capitão liberava sua amada. Gwaeron abriu a porta do galpão com um chute violento e entrou empunhando a espada. O interior da pequena construção era largo, iluminado apenas pela luz das altas janelas, porém o espaço era curto devido às diversas caixas de mercadorias importadas de Alberta. Esmeralda fora presa em uma jaula mediana, colocada no centro do galpão. Dois guardas de Izlude a vigiavam atentamente, as lanças em riste. Quando Gwaeron emergiu repentinamente na sala, um deles baixou a lança e perguntou atônito enquanto o capitão se dirigia a passos rápidos para a jaula. - Capitão Strom? O que está fazendo aqui? - Sem dizer uma única palavra, Gwaeron se aproximou do guarda e o atingiu com um murro certeiro da manopla no queixo, nocauteando-o no mesmo instante. O outro mal teve tempo para brandir sua arma antes que o cabo da espada do capitão atingisse sua nuca, fazendo cair desacordado ao lado do amigo. Mal os dois guardas haviam caído e Esmeralda, que assistira á rápida luta nos fundos da jaula, lançou-se imediatamente ás grades, agarrando-as como se quisesse quebrá-las ali mesmo. - Gwaeron! - exclamou ele, estendendo as mãos para o cavaleiro - Os elfos o machucaram? - Gwaeron balançou a cabeça enquanto rapidamente procurava a porta da jaula, dizendo: - Eu estou bem. Mas temo que não tenhamos muito tempo. Leon sem dúvida vai liderar as tropas. - Quando finalmente achou o portão oculto nas grades, preso com um cadeado, ergueu rapidamente a espada prateada e com um grito golpeou a fechadura, arrebentando-a facilmente com um poderoso Golpe Fulminante. Afastando bruscamente o portão, Esmeralda saiu velozmente da jaula e atirou-se aos braços de Gwaeron, envolvendo seu pescoço com os braços. Com seu cheiro de menta invadindo suas narinas, o cavaleiro envolveu a cintura da elfa e a abraçou firmemente, enterrando seu rosto nos cabelos prateados. Então, separando-se do abraço, Esmeralda pousou suas duas mãos no rosto do amado e lhe deu um beijo demorado e apaixonado. Gwaeron aproveitou cada minuto daquele contato com os lábios macios da elfa, e desejaria apreciar mais, porém o som de uma explosão violenta no lado de fora do galpão o alertou da pressa da situação. Desprendeu-se do beijo de Esmeralda e lhe disse rapidamente enquanto pegava alguns embrulhos de comida da bolsa: - Não temos muito tempo. Os elfos não agüentarão muito mais. Saia da cidade pela ponte e, quando alcançar os campos, siga para o norte, até a Abadia de Santa Capitolina. Eles o acolheram bem lá. - Entregou os embrulhos á elfa, que os abraçou junto aos seios enquanto olhava fixamente para Gwaeron: - Quando você irá me visitar? - perguntou ela, estendendo a mão para junto da do cavaleiro. Agarrando sua mão macia, o capitão balançou a cabeça: - Eu não sei, Esmeralda. - disse ele, com um suspiro cansado - Quando souberem que sumi durante o ataque o exército me vigiará por algum tempo, mas eu irei visitá-la assim que puder. - Esmeralda assentiu com um olhar preocupado. Gwaeron sorriu, tentando passar-lhe segurança, e estendeu sua mão até o rosto da elfa, o acariciando carinhosamente - Ah, meu amor... Vai dar tudo certo... - Esmeralda tentou sorrir, mas os olhos verdes da elfa brilhavam com uma profunda e misteriosa tristeza. Como se soubesse de algo que não pudesse contar. Então, com um lamento agoniado, lançou-se aos braços de Gwaeron novamente e o beijou com toda a paixão que possuía. Permaneceram assim por alguns segundos, até uma nova explosão, próxima ao galpão, separar os dois. Esmeralda abraçou Gwaeron uma última vez. - Não se esqueça de mim, Gwaeron... Eu amo você... - sussurrou ela em seu ouvido, com lágrimas começando a surgir em seus olhos. Gwaeron separou-se do abraço e acariciou seu rosto: - Eu também amo você, Esmeralda... - murmurou ele - Agora vá! - A elfa assentiu rapidamente e correu para a porta do galpão, enquanto o cavaleiro arrumava o cadeado de modo que parecesse que Esmeralda havia aberto a fechadura sozinha. Quando terminou, apenas alguns segundos depois, se virou para a porta e viu sua amada parada na soleira. O vento marítimo balançava com suavidade seus cabelos prateados, e lágrimas finas escorriam dos olhos verdes. Com lentidão, a elfa ergueu uma das mãos em um sinal de adeus. E então, antes que o cavaleiro pudesse retribuir, sumiu no ar com um piscar de olhos. Gwaeron recuou para trás, atônito. A elfa não havia deixado nenhum sinal de sua presença ali. Nem ao menos suas pegadas no chão empoeirado. Apenas seu cheiro de menta, que era levado levemente pelo ar. Após recuperar-se do susto, Gwaeron sorriu. Jogou a cabeça para trás e fechou os olhos, deixando que o odor da elfa enchesse suas narinas. E então murmurou. - Esmeralda... - Residência do Capitão Strom, Izlude, 22h. Nove meses depois... A chuva desabava furiosamente sobre a cidade de Izlude. As gotas pesadas e gélidas golpeavam as ruelas e os telhados das pequenas casas sem piedade, promovendo um barulho ensurdecedor. Na segurança de seus lares, a maioria das pessoas sentava-se às mesas de jantar, encasacados, aproveitando de uma refeição quente enquanto olhavam para a chuva que caía na escuridão. E, em sua distração gerada pelo calor de sua lareira, mal perceberam a figura encapuzada que deslizava pelas ruelas, o corpo totalmente coberto. Nas mãos afundadas Embrenhando-se fundo na pequena cidade, a misteriosa figura virou algumas esquinas, concentrada, até encontrar seu destino: uma casa mediana, porém luxuosa, obviamente pertencente a um militar. Notou as iniciais "G.S" esculpidas acima da porta, e sorriu. Adiantou-se rapidamente e das profundezas do manto tirou uma mão musculosa, com a qual bateu em um ritmo seqüenciado a porta de madeira. Gwaeron acordou sobressaltado em meio á seus lençóis. Imediatamente colocou a mão por baixo do travesseiro e envolveu com a mão calejada o cabo do punhal oculto. Com dificuldade, ergueu a cabeça e fitou o quarto mergulhado na escuridão com os olhos semicerrados de sono. Aguardou alguns minutos, pronto para empunhar a faca. Quando nada aconteceu, retirou os pés de debaixo do lençol e coçou os longos cabelos desgrenhados enquanto se sentava na beira da cama. O que o havia acordado? Teve a impressão de que fora um barulho. Alguns segundos se passaram e, quando já estava pronto para voltar a se deitar, o bater de portas soou novamente pela casa. Com um resmungo, Gwaeron levantou-se da cama e colocou rapidamente suas botas de viagem. Vestido apenas com um calção florido, dirigiu-se com passos lentos e irritados para a porta, apanhando sua espada antes de sair. As batidas se repetiram novamente enquanto o cavaleiro descia a escada e percorria a pequena sala até a porta da casa. Sacando a espada, Gwaeron girou rapidamente a chave dourada na fechadura e abriu bruscamente a porta, a espada em riste. Fitou surpreso a figura encapuzada diante dele. Uma voz poderosa saiu das profundezas do capuz: - Capitão Strom? - O cavaleiro assentiu e disse bruscamente: - Quem é você e o que quer aqui? - A misteriosa figura deixou o manto deslizar um pouco para trás, revelando um casaco negro aberto, de gola de bordas douradas, e uma calça simples da mesma cor. Gwaeron estreitou os olhos. Era a roupa típica dos monges. Silenciosamente, o estranho, que até então estava com um dos braços recolhidos junto ao peito, retirou lentamente as mãos de dentro do manto e as estendeu para Gwaeron. E lá, segurada com firmeza por seus dedos calejados, estava um pequeno embrulho de pano verde e simples. O cavaleiro segurou o cabo da espada com firmeza enquanto o monge falava: - Isso foi deixado para você. Diz no cartão que seu nome é Gwaeron Windstrom. - Gwaeron sentiu um calafrio gelado percorrer seu corpo dos pés a cabeça. Wind? Aproveitando do choque no qual o capitão estava, o monge empurrou com suavidade o embrulho para suas mãos e sumiu nas sombras antes que Gwaeron pudesse dizer qualquer coisa. O cavaleiro recuperou-se do choque rapidamente. Com a boca ainda aberta de surpresa, largou a espada no chão e ajeitou o embrulho em seu colo. Retirou lentamente as dobras no pano verde. E então, para sua surpresa, surgiu em meio ao tecido o rosto de um bebê recém-nascido, que dormia profundamente. Gwaeron fitou o bebê por alguns segundos, e então notou um bilhete dobrado junto às pequeninas mãos da criança. Retirou com suavidade para não acordá-lo. E, enquanto abria o papel amarelado com os dedos, entrou na sala aquecida e fechou a porta. No lado de fora da casa, um vento misterioso soprou, carregando o sabor do destino.
  12. Hehehe xD O capítulo 5 vai ser postado logo, pq ainda preciso fazer a revisão dele (sim, eu mesmo faço a revisão). Enfim, Dark, como eu faço pra ter um banner? Postei um aviso lá no capítulo 2 pedindo pra algum interessado mandar pm, mas ninguém mandou =/ E o Gwaeron fica de mau-humor a parte 1 inteira xD Ele só ri quando tá com a Esmeralda hehehe. Bom, capítulo 5 saindo logo. Até mais
  13. xD Eu tenho que comentar essa. AE, usou os pontos certinho XD Viu como ficou mais elegante ;p Tá certinho sim, fica tranquilo. É só vc pensar uni=unidos, juntos e sono=som(mais ou menos xD), resultando em som junto. E o Gwaeron só levou alguns arranhões dos orcs na armadura refinada dele. xD Achei legal o jeito do coment tbm. E..... pq o Gwaeron riu aquela hora? oO Hmmmmmmmmm. xD Capítulo 5 já tá pronto! Ñ vou falar o dia em que vou postar mas ele já tá pronto. Até mais
  14. Bom, pessoal, sinto muito ñ ter aparecido muito no tópico mas to meio sem tempo esses dias. Bom, o próximo capítulo tá aqui. Demorei um pouco para fazer ele pq fiquei preocupado se ele tava muito "forte".... Se vcs acharem isso por favor postem que eu dou um edit e tirou algumas partes. Bom, é isso. Espero que gostem. Essa fic contém impróprias para menores, como insinuação de sexo e nudez. Quem por alguma razão se sentir ofendido pelos temas abordados por favor digam sua opinião(sem flames por favor). Espero que gostem do capítulo ------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------ CAPÍTULO IV POR AMOR Mar de Geffen, 11h O Sol brilhava com suavidade sobre o mar cristalino de Geffen. Pequenas ondas se formavam nas águas enquanto o pequeno barco de madeira singrava pelo espelho do lago. Na proa do navio, Gwaeron apoiou o pé na emoldurada baixa do pequeno barco e fitou o céu azul-celeste, a fresca brisa marítima batendo suavemente em seu rosto. Ao seu lado, totalmente coberta por uma capa marrom com capuz, estava Esmeralda, as longas orelhas pontudas ocultas pelo capuz. Tempestade estava logo ao lado de Gwaeron, obediente como um bom cavalo de guerra. O velho proprietário do barco, a careca eminente oculta por um antigo chapéu de palha, estava na cabine de comando, logo na popa, controlando o barco através das correntes. Suas mãos gastas e calejadas controlavam o leme com habilidade dada pela experiência. Para evitar problemas com o barqueiro, devido à óbvia origem élfica de Esmeralda dada por elas, os dois foram obrigados a comprar um manto de um mercador viajante que haviam encontrado no caminho, para esconder as óbivas horigens da elfa. Os dois não haviam encontrado problemas na curta caminhada até mar de Geffen, além de curtos encontros com alguns viajantes que passavam por aquela região, e chegaram na costa após apenas algumas horas. Devido à capa comprada, o barqueiro nada suspeitara sobre as origens de Esmeralda e acreditara que aquela era mais uma das estranhas pessoas que transportava para o outro lado do mar de Geffen, permitindo a Gwaeron comprar uma travessia segura. Naquele momento, estavam á apenas algumas horas da margem. Após mais uma leve lufada da brisa fresca, Gwaeron se virou para Esmeralda, que observava pensativa o horizonte, onde já haviam surgido formas das palmeiras típicas da região. O cavaleiro admirou por um breve instante as belas feições da elfa. Ao perceber o olhar intenso que ele estava lhe direcionando, ela virou-se e logo um leve sorriso surgiu em seus lábios carnudos. Gwaeron retribuiu o sorriso. Ao perceber que estava começando a ruborizar, o cavaleiro virou-se rapidamente e fixou seu olhar nas águas cristalinas do mar. Desde a troca de olhares que haviam tido na noite anterior, de alguma forma o comportamento de Esmeralda tinha mudado. Sua postura orgulhosa fora substituída por um jeito amável, carinhoso, e até mesmo a zombaria que transbordava em sua voz ao dirigir-se á ele havia mudado. Com isso, a imagem da elfa que Gwaeron tinha em sua mente havia sido abalada completamente, alterando assim, de certa forma, seu comportamento na presença dela. Ela não mais a via como uma elfa rebelde, e sim como uma bela mulher, que sabia fazer seu coração acelerar com apenas um olhar amigável. E por mais que tentasse manter seu tom firme e rude com ela, em certos momentos seu comportamento fraquejava e ele a tratava como uma amiga ou familiar. E ela também parecia estar percebendo isso. Perdido em seus pensamentos, foi preciso alguns toques de Esmeralda para o cavaleiro ouvir o que o velho gritava no leme: - Estamos chegando, Capitão Strom! Preparem-se para desembarcar! - Gwaeron assentiu rapidamente e então notou que as margens do imenso lago já estavam visíveis em meio ao nevoeiro. A cidade de Geffen estava próxima, porém as densas brumas permitiam que apenas o alto de sua torre pudesse ser vista. Em poucos minutos, o barco atracou na costa plana e o barqueiro desceu rapidamente da cabine para acertar o pagamento com Gwaeron, enquanto Esmeralda desembarcava com Tempestade e o esperava. Após pagar as moedas que devia ao velho barqueiro, o cavaleiro desceu rapidamente para junto da elfa e, após despedirem-se do velho, começaram seu caminho para o leste, seguindo a estrada de Geffen. Esmeralda insistiu em tentar caminhar, mas desistiu alguns minutos depois, montando em Tempestade com a ajuda de Gwaeron. Duas horas se passaram enquanto caminhavam ao esmo em meio á bruma densa da manhã. No silêncio pesado que ali imperava, apenas os sons contínuos das patas de Tempestade eram ouvidos, ampliados pelo pesado nevoeiro. Esmeralda apenas observava a paisagem, enquanto Gwaeron guiava silenciosamente o Peco-Peco dourado. Caminharam durante algumas horas pela estrada enlameada de Geffen. A névoa extinguiu-se apenas quando o forte Sol da manhã anunciou o meio-dia. Àquela hora, os dois já estavam em um campo ensolarado, localizado alguns quilômetros de Geffen e com os Montes Mjolnir erguendo-se incrivelmente próximos ao norte. Ali, era comum a visão de Zangões sobrevoando o ar em sua busca pelo pólen das flores. Esmeralda tinha tirado sua pesada capa de algodão, alegando que o Sol estava muito forte para aquilo e que muitas poucas pessoas andavam por ali, apesar de terem visto alguns aprendizes andando por ali. A elfa ambém arriscou caminhar no chão, ao lado de Gwaeron. Apesar de fazer algum esforço, ela conseguia acompanhar bem o passo largo do capitão. Quando o frio típico anunciou a chegada da noite, e o Sol começou sua retirada para além dos altos montes Mjolnir, os dois resolveram parar. Encontraram um acampamento ideal em um pequeno bosque ao leste do campo dos zangões. Uma pequena cascata desaguava em um tranquilo lago escondido próximo dali, permitindo à eles um bom banho. Da clareira onde resolveram descansar já era possível ver as bandeiras de Prontera tremulando orgulhosos nas torres do castelo. Apesar da proximidade com a capital, Gwaeron resolveu passar a noite ali antes de aparecer na cidade. Apesar de lutar contra esse sentimento, queria passar um pouco mais de tempo com Esmeralda. Naquela noite, não amarrou a elfa à uma árvore, como era de costume. Permitiu que ela própria o ajudasse à montar o acampamento. Esmeralda estava inacreditavelmente cooperativa, e obedeceu corretamente às ordens do capitão quanto à acender a fogueira. Tudo corria bem até a elfa soltar um grito de dor repentinamente, largando as pilhas de galhos secos que carregava. Gwaeron foi imediatamente em socorro à ela. Uma rápida análise verificou que o ferimento feito pela espada na perna de Esmeralda tinha aberto novamente, fazendo uma linha de sangue rubro escorrer pela pele alva. O capitão não perdeu tempo. Pegou mais algumas ervas vermelhas do alforje de Tempestade e rapidamente as esmagou nas mãos. Passou a pasta resultante com cuidado no ferimento de Esmeralda. A elfa permaneceu em silêncio por alguns segundos, mas então, após uma momento de hesitação, perguntou: - Gwaeron, há algo que estou querendo lhe perguntar a alguns dias. - O cavaleiro terminou de espalhar a pasta de ervas no ferimento e ergueu a cabeça para ela, fitando seus olhos. - O que foi? - perguntou, limpando as mãos. Esmeralda permaneceu em silêncio por algum tempo, os olhos verdes brilhando enigmaticamente, enquanto mordiscava seu lábio inferior. Até que, enfim, disse: - Você nunca me explicou porque está cuidando da minha perna. Afinal, como você mesmo disse, somos inimigos. - O cavaleiro imediatamente parou de mover as mãos e baixou a cabeça, pigarreando: - Não queria que você nos atrasasse. - Esmeralda sorriu levemente, os olhos ainda fixos em Gwaeron, murmurando: - Sim, claro... - Enrubescendo, o cavaleiro fez questão de se levantar: - É melhor checar se Tempestade está bem. - Porém, antes que conseguisse se erguer, a elfa estendeu umas das mãos e segurou levemente seu pulso com um sussurro baixo: - Não vá... - Gwaeron ergueu lentamente a cabeça, encontrando os olhos verdes de Esmeralda brilhando com intensidade. O cavaleiro começou a falar, mas a elfa pousou com suavidade seu dedo indicador sob seus lábios. Gwaeron calou-se imediatamente enquanto o resto da mão quente de Esmeralda adiantou-se para encostar-se em seu rosto, seus dedos acariciando a barba mal feita. Como que por instinto, os rostos dos dois começaram a se aproximar lentamente, os olhos se fechando conforme o caminho. O cheiro de menta que exalava dos cabelos da elfa logo envolveu o cavaleiro, e sua respiração suave chocava-se em seu rosto como a brisa suave do mar. Então, quando seus lábios estavam a um fio de cabelo de distância, Gwaeron sentiu algo frio e afiado encostar-se em sua garganta. Apenas quando Esmeralda foi afastada dele por mãos rudes que o cavaleiro identificou o fio de uma espada contra sua pele. Uma voz fria e suave sussurrou em seu ouvido: - Não se mexa humano. - Antes que pudesse reagir, um forte chute acertou em cheio seu estômago, fazendo curvar-se com uma exclamação de dor. Mãos rápidas agarraram suas axilas e o ergueram no ar. E então ele viu. O acampamento tinha sido tomado por cinco figuras vestidas em mantos negros, os rostos ocultos por capuzes. Dois deles estavam diante do cavaleiro, segurando Esmeralda pelos braços. Apesar da elfa lutar furiosamente contra os agressores, foi rapidamente dominada, com seus braços sendo amarrados juntos atrás das costas. Outra das figuras em negro estava com Tempestade, terminando de laçar o garanhão branco com uma forte corda branca. O outro estava ao lado de Gwaeron, a espada de lâmina curvada encostada em seu pescoço. E o restante, imaginava o capitão, estava o segurando pelos braços, impedindo-o de se mover. Uma risada fria e maléfica veio do sujeito com a espada: - Ora, ora, o que temos aqui? - disse ele, a voz baixa e suave parecendo um vento gelado aos ouvidos de Gwaeron - Um capitão de Prontera. - Apesar da dor em seu estômago, o cavaleiro conseguiu responder: - Quem são vocês, seus malditos? - Mal acabou de falar e uma mão poderosa acertou-o em cheio no queixo, fazendo-o quase se dobrar de dor. O homem da espada riu novamente: - Ora, achei que sua bela amiga já tivesse contado a você sobre nós... - A espada apertou-se ainda mais contra a pele de Gwaeron - Nós somos os rebeldes. Simples assim, não? Mas guarde suas perguntas para depois, humano. - Ele recuou sua espada e Gwaeron sentiu sua mão fria agarrar-lhe o queixo ferido e erguer sua cabeça. E então, com um gesto brusco, ele retirou o capuz. Um rosto masculino anguloso e agudo foi revelado, as feições cruéis contrastando com a juventude de seus traços. Longos cabelos azuis metálicos escorreram por seu ombro, caindo repartidos pelos ombros. Os olhos, de um assustador azul claro, brilhavam com um brilho maléfico e afiado. Sua boca fina retorceu-se em um sorriso. Ao longo do acampamento, todas as figuras de capuz fizeram o mesmo, revelando as mesmas feições jovens e cruéis do primeiro, porém com cabelos de cores verdes, prateadas e até mesmo roxas. E, para a surpresa de Gwaeron, todos apresentavam longas orelhas pontudas. - Vocês são... elfos? - perguntou atônito o cavaleiro antes de receber mais um murro no rosto. O elfo de cabelo azul sorriu novamente e, sem responder, foi até Esmeralda, que o olhava com uma fúria intensa nos olhos verdes escuros. Estendeu a mão e um de seus longos dedos tocou o rosto da elfa, deslizando por seu queixo: - Ora, ora, ora. E aqui está você, Esmeralda. - Sua voz fria adquiriu um falso tom amável - Depois de acolhermos você em nosso grupo, e de você nos abandonar quando mais precisávamos de você, finalmente a encontramos de novo. Fugindo com um humano. Vai traí-lo também? - - Bastardos! - gritou Esmeralda, tentando livrar-se das fortes mãos dos elfos em seus braços. O elfo de cabelos azuis sorriu novamente e então, de repente, suas feições finas se contorceram em uma terrível expressão de raiva. Ergueu uma das mãos e atingiu um tapa sonoro no rosto da elfa. - Traidora! - rugiu. Com a marca do tapa vermelho em seu rosto, Esmeralda ergueu a cabeça novamente, fitando o elfo com uma raiva cada vez mais intensa. Este, por sua vez, tocou novamente a face da elfa, uma falsa expressão de carinho no rosto: - Você é muito bela para ficar assim com raiva, Esmeralda. Apesar de ser uma traidora, continua muito bonita. - Ele então olhou para Gwaeron - Bom, nós vigiamos vocês dois durante sua viagenzinha inútil. Quase não acreditei quando ouvi de Hilli ali - ele apontou o elfo que segurava Gwaeron - Quase não acreditei que você estava se apaixonando por um humano. Mas parece que você está mesmo. - Um sorriso zombateiro surgiu nos lábios da elfa: - Você continua o mesmo hipócrita, Shyllian. Hipócrita e mentiroso. Está invejando um humano agora? - Os olhos azuis do tal Shyllian brilharam de raiva e ele ergueu novamente a mão para mais um tapa, mas Gwaeron interrompeu, vociferando: - Toque nela novamente e eu cortarei sua mão, maldito. - O elfo que segurava o cavaleiro ergueu a mão para mais um murro, mas Shyllian o interrompeu. - Espere Hilli. - Ele sorriu para Gwaeron - Sei que você está tentando se exibir para Esmeralda, humano. Um ato nobre, e inútil. Ela não vale tudo isso, meu caro, e tambpem me parece que você não está em condições de se exibir agora, não é, Gwaeron? - Ele falou o nome com nojo evidente - Somos cinco e você é apenas um. Além disso, você está sem sua espada. O que irá fazer, então? - Um sorriso selvagem surgiu no rosto de Gwaeron: - Você verá. - Shyllian simplesmente sorriu, desafiador, e ergueu sua mão para o decote de Esmeralda. No instante em que o elfo moveu o braço, Gwaeron rapidamente lançou a perna para trás, atingindo entre as pernas do elfo Hilli com um chute certeiro. Quando ele se dobrou de dor, o capitão rapidamente sacou sua espada das mãos do elfo e, em uma explosão de velocidade, avançou contra Shyllian. A lâmina prateada zuniu brevemente no ar, e fatiou o pulso do elfo como se a carne fosse manteiga. A mão decepada caiu com um som seco na grama. Quase que imediatamente, um jato de sangue escapou do ferimento, banhando o corpo de Esmeralda, enquanto Shyllian olhava atônito para o toco que substitua sua mão. Quando o grito de dor escapava de seus lábios finos, a espada de Gwaeron cortou veloz o ar e cravou-se no peito do elfo. Um breve momento de silêncio ocupou o acampamento quando os elfos viram surpresos seu líder cair na grama com a espada de Gwaeron perfurando seu peito. Porém, os olhos de Shyllian permaneceram abertos tempo o suficiente para ver seu algoz girar para trás e com dois movimentos velozes atingir a garganta dos dois elfos que seguravam Esmeralda. Enquanto os corpos dos dois iam mortos de encontro á grama vermelha de sangue, Gwaeron virou-se veloz e, saltando o corpo de Shyllian, investiu contra o resto do grupo, que perdeu mais um integrante antes de conseguir reagir. Os elfos eram ágeis por natureza, e espadachins memoráveis, mas não foram páreos para a súbita explosão de fúria e velocidade do capitão humano. Logo, todos estavam caídos ao redor do cavaleiro, cortados, perfurados ou fatiados pela espada prateada. Com sangue pingando da lâmina, Gwaeron encarou seus oponentes derrotados com um sorriso feroz e então virou-se para Esmeralda. A elfa estava parada no mesmo lugar, imóvel entre os corpos dos dois elfos. O sangue manchava suas roupas e cobria seus braços e pernas, com algumas gotas caídas em seu rosto. Sua pele tinha empalidecido subitamente, e seus olhos surpresos estavam fixos no toco do braço de Shyllian. A boca estava aberta em uma exclamação muda. Rapidamente, Gwaeron largou sua espada no chão e foi até ela, segurando seus braços com as mãos sujas de sangue. A elfa nada fez para impedir, continuando na mesma posição, mesmo quando o cavaleiro chamou seu nome. Apenas quando ele a balançou que sua boca se fechou e os olhos confusos encontraram os de Gwaeron. - Você está bem? - perguntou o capitão. Ela demorou alguns segundos para responder: - Estou bem. Estou sim. - disse ela, assentindo repetidamente com a cabeça - Eu... apenas preciso de um banho. Vou à cascata aqui perto. - Gwaeron assentiu preocupado e largou seus braços. - Grite meu nome se precisar de alguma coisa. - Esmeralda assentiu novamente e fitou o corpo de Shyllian por alguns instantes antes de correr para dentro da mata. Gwaeron observou-a por algum tempo até sua silhueta sumir em meio á folhagem densa da floresta. Então, com um suspiro, sacou seu punhal e foi até Tempestade, que tentava desesperadamente libertar-se das cordas que prendiam suas pernas e seus focinhos. Após acalmar o assustado animal com algumas palavras suaves, cortou os nós com habilidade e, enquanto o garanhão branco se erguia com um relincho apavorado e olhava desesperado para os lados, sentou-se no chão e recostou-se no tronco de uma árvore. Com lentidão, tirou suas luvas cobertas de sangue e passou as mãos suadas pelos cabelos castanhos. Fechou os olhos e permitiu-se descansar alguns segundos enquanto esperava Esmeralda. E pensou. Lembrou-se das primeiras palavras de Shyllian à Susana. Ele havia dito que ela os havia abandonado. E ela mesmo disse á Gwaeron que era uma desertora. Portanto, aquele sem dúvida era o grupo que havia atacado o galpão em Izlude, e roubado as armas. Eles deviam ter percebido os dois há tempos, enquanto ainda estavam nas Terras Orcs. E ele havia matado a todos eles. Um sorriso amargo surgiu em seu rosto ao lembrar-se das palavras do Rei Tristan a ele, uma semana antes. A última ordem do monarca a ele havia sido cumprida. Seus olhos se abriram e se fixaram nos corpos sangrentos dos elfos mortos. Sentiu um gosto amargo na boca. Ele nunca havia sido sentimental o bastante para preocupar-se com o ato de matar. Era o seu trabalho: matar qualquer um que ameaçasse a segurança do reino. Nunca havia sido como Leon, que era incapaz de matar alguém. Porém, agora, olhava para a chacina que havia executado com desprezo. E a expressão atônita de Shyllian quando fora perfurado estava preenchendo sua mente. Segurou a cabeça com firmeza. E então, algo poderoso afastou todos aqueles pensamentos sinistros e sangrentos de sua mente. Algo que fazia o aperto no coração causado pelo ato de matar diminuir até extinguir-se como pó ao vento. Era algo cristalino, puro como cristal. Então percebeu que era um canto. Um canto belo, o mais belo que Gwaeron já havia ouvido. O cavaleiro ergueu a cabeça, abaixando os braços, e olhou confuso para os lados. O canto vinha da mata... Levantando-se com um certo esforço causado pelo frenesi, começou a andar para dentro da mata, desviando dos corpos caídos. Seguiu confuso em meio à folhagem, guiado pelo belo canto cristalino que tanto lhe acalmava o coração. Apenas após alguns minutos de caminhada que finalmente encontrou a origem do som. Era Esmeralda. Sem ligar para os aranhões que os galhos afiados lhe causavam, o cavaleiro andou à esmo para a direção de onde vinha o canto e, quando ouviu o som suave da cascata, agachou-se junto aos arbustos e abriu um pouco de espaço entre as folhas para conseguir espiar. A cena fez o coração do capitão acelerar. A elfa já tinha entrado no pequeno lago, permanecendo na borda, coberta até os tornozelos pelas águas cristalinas. As manchas de sangue já pareciam ter sido limpas da pele macia. Os longos cabelos prateados escorriam soltos por suas costas, com suas pontas roçando a cintura fina. A parte inferior de seu corpo estava totalmente despida, já que havia retirado sua saia, e ela agora desabotoava lentamente seu top, enquanto sua voz cristalina ecoava pela pequena clareira em seu belo canto. Em meio ás folhas do arbusto, Gwaeron observava a cena surpreso. Quando Esmeralda terminou de desabotoar o top, virou-se rapidamente para trás e jogou-o ao lado das botas e da saia, permitindo ao cavaleiro ver por um breve instante seus seios generosos. A elfa então estendeu os braços e, com um leve salto, mergulhou no centro do lago, emergindo após alguns segundos próximo á cascata. Os olhos estavam fechados em uma expressão de prazer, e suas mãos jogavam as longas mechas prateadas e molhadas para trás. Enquanto Esmeralda banhava seu rosto com a água que caia suave pela cascata, Gwaeron saiu de trás do arbusto com um farfalhar de folhas e dirigiu-se com passos lentos na direção do pequeno lago. Ao contrário das outras vezes em que admirara o corpo da elfa, ou quando fitava seus olhos, ou quando sentia seu toque, o cavaleiro não sentia o sangue fervendo. Nem o aperto no coração e a misteriosa sensação que dominara seu corpo dois dias antes, no acampamento. Gwaeron sentia apenas o desejo ardente que apenas agora descobrira que era amor. Ao ouvir os passos das botas metálicas na grama, Esmeralda se virou e seus olhos fixaram-se no cavaleiro. Porém, ao invés de gritar de raiva ou cobrir suas partes íntimas, a elfa simplesmente sorriu. Estendeu os braços molhados para Gwaeron e sussurrou sedutoramente: - Quer tomar um banho? - O cavaleiro sorriu. Enquanto andava na direção do lago, despiu-se com facilidade de sua armadura e da roupa leve de couro que usava por baixo dela, largando-as junto com as roupas de Esmeralda na grama. E então entrou lentamente nas águas geladas, nadando para os braços abertos da elfa. Os dois se abraçaram firmemente, os corpos nus um contra o outro, com os seios macios da elfa prensados contra o corpo músculo do cavaleiro, e seus olhos se fixaram por um breve instante. Seus rostos se aproximaram em um impulso desesperado e seus lábios se tocaram em um beijo apaixonado. Gwaeron sentiu as pernas de Esmeralda envolverem sua cintura enquanto os braços da elfa deslizavam por suas costas. Os dois recostaram-se em uma das pedras na beira do lago, presos em seu êxtase perdido e apaixonado de amor. A Lua ocupou lentamente sua posição costumeira no canto do céu noturno, negro como se um pincel tivesse espalhado sua tinta através de seu manto. As estrelas surgiram timidamente, já brilhando em sua luz típica mal tinha surgido no véu celeste, observando o mundo abaixo de si como dedicadas vigilantes. Gwaeron deslizou sua mão pelo rosto delicado de Esmeralda, que o olhava com um leve sorriso nos lábios vermelhos, e com um dos dedos afastou uma mecha prateada de cima de seus olhos verdes escuros, que agora brilhavam intensamente. Os dois estavam deitados na grama macia ao lado do lago, com a capa de Gwaeron cobrindo seus corpos nus. Uma pequena fogueira feita apressadamente crepitava ao seu lado, protegendo-os do frio da noite. Com seu corpo repousando sobre o da elfa, o cavaleiro admirava com um leve sorriso os olhos de Esmeralda, enquanto as mãos dela abraçavam firmemente sua cintura. Após afastar mais alguns fios prateados do rosto da elfa, Gwaeron curvou-se e beijou com suavidade seus lábios carnudos. Esmeralda sorriu e levou uma das mãos ao rosto do cavaleiro, acariciando levemente a barba mal-feita. - Gwaeron, - disse ela, em um sussurro baixo - preciso falar uma coisa para você. - O capitão deslizou sua mão até a cintura da elfa, enquanto dizia: - O que foi? - A mão de Esmeralda segurou o pulso de Gwaeron abaixo das cobertas quando este começava a acariciar suas pernas. Os olhos verdes estavam incrivelmente sérios. O rosto do cavaleiro ficou sério ao encontrar seu olhar. - Acho que estou apaixonada por você. - disse ela. Surpreso com a declaração, Gwaeron permaneceu alguns segundos em silêncio, fitando o semblante sério da elfa. E então sorriu, apoiando um dos cotovelos na grama macia, e baixou seu rosto até seus lábios estarem próximos. - Também estou apaixonado por você, Esmeralda. - A elfa sorriu e largou o pulso do cavaleiro, permitindo que sua mão deslizasse por sua perna, e então abraçou com firmeza o corpo do amado, falando em sua orelha: - Ah, meu amor. Irão matar a mim e a você se descobrirem isso. Nós não podemos ficar juntos. - - Eu não me importo mais com as leis do reino. - disse ele - Não me importo mais com o exército, ou nada. Só me importo com você. Farei de tudo para ficarmos juntos. - Esmeralda abraçou Gwaeron com ainda mais força: - Ah, Gwaeron, o que vamos fazer? - perguntou desesperada. Com suavidade, o cavaleiro livrou-se de seu abraço e encarou-a nos olhos. - O que podemos fazer. -
  15. Ok, pessoal. Sorry pelo tempo que eu passei sem responder aqui mas uma gripe não me deixou escrever '-' E eu fiquei revisando esse capítulo milhões de vezes porque queria certificar se tava do jeito que eu queria. Bom, é isso. Espero que gostem ------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------- CAPÍTULO III ELFOS E HUMANOS O Sol surgiu lentamente nos altos montes Mjolnir, no além do horizonte, banhando suavemente a floresta de Geffen com a luz do nascer-do-sol. Gwaeron despertou de repente, instintivamente já procurando a espada em sua cintura. Ao fazer isso, percebeu surpreso que estava deitado na grama úmida de orvalho do acampamento, coberto pela capa úmida. Aos seus pés, estava a fogueira apagada. O cavaleiro ajeitou-se com um suspiro cansado. Tinha adormecido enquanto vigiava a elfa. Talvez não tivesse agüentado a madrugada. O capitão soltou um suspiro e sentou-se, bocejando. Foi então que uma fagulha brilhou em sua mente. A elfa! Virou-se rapidamente e vasculhou o acampamento com os olhos sonolentos. Esmeralda estava sentada nas raízes do tronco onde o cavaleiro a havia amarrado, com as cordas ainda envolvendo seu corpo e seus pulsos. Os olhos verdes estavam fixos no Sol que nascia entre os montes ao longe, as sobrancelhas negras curvadas, dando um ar de tranqüilidade e concentração ao semblante da elfa. Os raios tocavam com suavidade seu rosto delicado e banhavam seu cabelo prateado, dando-lhe um ar metálico e brilhante. Os lábios vermelhos moviam-se lenta e silenciosamente, falando algo que Gwaeron não conseguiu identificar. O cavaleiro observou-a durante alguns segundos. Ela parecia estar saudando o Sol. Gwaeron ergueu-se com um grunhido cansado e foi imediatamente ouvido por Esmeralda, que se virou para ele com um leve sorriso nos lábios. - Bom dia, Gwaeron Strom. - disse ela, pronunciando o nome com deboche. Gwaeron ignorou as palavras da elfa e esticou os braços para cima, exercitando os múculos cansados. E então voltou-se para sua prisioneira: - Bom dia... - murmurou ele, observando-a com curiosidade enquanto tirava restos de grama de sua capa - Você acordou cedo, elfa. - Ela assentiu silenciosamente - O que estava fazendo? O que estava falando? - - Nada- respondeu ela, ajeitando o corpo para conseguir encarar Gwaeron confortavelmente, um olhar tranqüilo nos olhos - Apenas observando o Sol nascer. - - E há quanto tempo está acordada? - perguntou o cavaleiro, passando a mão pelos cabelos castanhos. - Há algumas horas. - respondeu a elfa, com um sorriso - Acordei com você já adormecido. Pensei que iria agüentar até o nascer-do-sol. - Ignorando o comentário, Gwaeron andou sonolento até o rio e, ajoelhando-se nas bordas, mergulhou a mão em concha na água gelada. Sentia o olhar de Esmeralda fixo nele, arrepiando levemente o pêlo de sua nuca, mas tentou ignorar isso. Levou as mãos já cheias de água até o rosto e banhou-o com a água gelada, sentindo seus dedos começando a ficar dormentes. Já acordado, ergueu-se e foi até Tempestade, que dormia nos arredores do acampamento junto a algumas samambaias. Ao ouvir os passos rápidos e cansados de seu dono, e talvez já prevendo o mau-humor, o Peco-Peco dourado ergueu-se rapidamente, com um breve grasnado, e aguardou as ordens de Gwaeron. O cavaleiro simplesmente pegou suas rédeas e conduziu o animal até Esmeralda. Foi até a parte de trás da árvore e começou a desamarrar o nó: - Já pode ir se levantando, elfa. Quero perder quanto menos tempo possível nessa viagem até Geffen. - Esmeralda assentiu silenciosamente, esperando o cavaleiro terminar de desamarrá-la, e então se ergueu. Com a longa corda conectando seus pulsos à mão esquerda de Gwaeron, ela começou a seguir o cavaleiro para fora do acampamento, ao lado de Tempestade. Ocupados demais em sair logo dali, mal notaram que uma sombra os observava em meio ás samambaias e os troncos finos das palmeiras. Quando os dois já estavam á uma distância segura, a sombra rapidamente saiu de seu esconderijo e os seguiu. Gwaeron e Esmeralda decidiram seguir pela fronteira Sul da Terra dos Orcs, para evitar ataques dos guerreiros de pele verde. Seguiram um pequeno rio que passava pelo acampamento deles, e que parecia desaguar no mar de Geffen. Naquele lugar, uma brisa quente já se misturava com o frio vento de Geffen, anunciando a proximidade com o Deserto, localizado logo após alguns conjuntos densos de árvores. Os dois pararam apenas para comer, ao meio-dia, e para descansar e dormir ao anoitecer. Apesar de seguirem no passo rápido de Gwaeron, não conseguiam andar mais que alguns poucos quilômetros por hora. Esmeralda insistia em permanecer andando lenta e calmamente, mesmo com alguns puxões da corda por Gwaeron. E aquilo não ajudava a melhorar o mau-humor do cavaleiro. O primeiro dia de viagem resumiu-se à uma caminhada cansativa através das Terras Orcs. Apesar de Gwaeron andar com os sentidos em alerta e a espada pronta para a luta, não encontraram nenhum orc na estrada, o que preocupava o cavaleiro ainda mais. E o que aumentava ainda mais sua apreensão era o fato do cavaleiro sentir algo, ou alguém, seguindo seus passos. Algo que sabia que era inóspito. Quando pararam para comer algo, ao meio-dia, o capitão comentou brevemente sobre a falta de orcs. Esmeralda então lhe lançou um sorriso e disse com sua calma provocativa que naquela época do ano os orcs costumavam se reunir em um grande conselho reunindo suas tribos, para organizar suas tropas e planejar as táticas de guerra. Apenas depois de alguns dias as tropas retornavam à seu lugar de direito. A reunião já deveria estar acabando. Quando Gwaeron lhe perguntou como uma elfa sabia tanto, ela apenas respondeu que já tinha andado pelo reino. Não falaram mais nada pelo resto do dia. O segundo dia foi recebido pelos raios fortes do Sol. Gwaeron acordou satisfeito. Tinham encontrado uma clareira recoberta por um tapete de grama macia, e Gwaeron, apesar de ter adormecido novamente enquanto vigiava Esmeralda, ao menos passou a noite deitado em algo macio. Encontrou a elfa na mesma posição do dia anterior, os olhos fixos no nascer do sol enquanto os lábios murmuravam uma prece silenciosa. Daquela vez, Gwaeron detectou uma palavra susurrada estranha aos seus ouvidos: Naomë. Perguntou à elfa o que significava mais tarde, quando caminhavam pela beira do rio. Apenas após muita insistência ela lhe disse. Naomë era Sol em élfico. Motivado pelo sucesso, o cavaleiro insistiu em saber o que a elfa murmurava ao amanhecer. Ela lhe respondeu com um sorriso zombateiro. Disse-lhe para descobrir mais tarde e permaneceu prosseguindo em seu passo lento e calmo. Apenas no quarto dia de viagem que Gwaeron descobriu a razão para o andar lento da elfa. Estavam seguindo uma estrada recém-descoberta junto ao rio, ladeado por samambaias, quando foram atacados por alguns orcs, que armavam uma emboscada na estrada. Ao contrário dos orcs com os quais Gwaeron estava acostumado a combater, estes tinham pele azul, e pareciam mais habilidosos em usar suas armas. Apesar disso, os Grand Orcs não foram páreos para Gwaeron, que escapou apenas com alguns arranhões na armadura refinada. Esmeralda, porém, fora ferida ao tentar desviar de um dos golpes dos atacantes, sendo atingida na base da perna. Quando a luta terminou, Gwaeron encontrou Esmeralda caída junto às samambaias, sentada, segurando sua perna com uma expressão desesperadamente contida de dor. O cavaleiro fez questão de examiná-la e, após algumas respostas rudes da elfa, conseguiu permissão para segurar sua perna. Descobriu então que um grande hematoma roxo se alastrava na parte de trás do membro, juntamente com um corte fino, mas profundo, na parte frontal. Resultados da luta com Gwaeron dois dias antes. O orgulho de Esmeralda a havia impedido de mostrar os ferimentos á Gwaeron. Segundo ela, o verdadeiro guerreiro nunca mostrava seus ferimentos ao inimigo. Apesar de sua total rejeição á oferta do cavaleiro de tentar curar seus ferimentos, Gwaeron conseguiu obrigá-la a lhe deixar cuidar deles. Para isso, usou algumas ervas vermelhas, que usava para curar os ferimentos nas patas de Tempestade, e um pedaço de pano umedecido com a água gelada do rio. Fez uma compressa e a enrolou em volta da perna de Esmeralda, aproveitando a temperatura das águas para sarar o hematoma. Noções básicas do trato aos ferimentos ensinados na Cavalaria. Qualquer cavaleiro competente tinha que saber cuidar de seus ferimentos, sem confiar apenas na magia dos sacerdotes para sobreviver. Feita a compressa, Gwaeron ajudou Esmeralda a montar em Tempestade, apesar de seus protestos, e recomeçaram sua caminhada. Naquela noite, acamparam nas margens do rio que acompanhavam. Ali, ele descrevia uma grande curva e seguia para o norte, na direção do mar de Geffen. Gwaeron conhecia aquela região, e sabia de um barqueiro que transportava pessoas para o outro lado do mar por uma quantia razoável, não muito longe dali. Decidiram esperar pela manhã seguinte para encontrar o tal barqueiro. Gwaeron novamente amarrou Esmeralda á uma árvore enquanto montava o acampamento. Quando mais um pedaço de carne queimava acima das chamas da fogueira, o cavaleiro afrouxou os nós para conseguir cuidar da perna ferida da elfa. Desamarrou o pano já seco com suavidade. Apesar do ferimento feito pela espada do cavaleiro continuar profundo, não estava tão vermelho quanto antes. O hematoma tinha diminuído consideravelmente, mas algumas partes continuavam roxas. Com cuidado, passou a mão pela perna de Esmeralda para analisar se o ferimento atrapalharia a elfa a andar. Quando sua mão deslizou lentamente pela pele macia e quente da elfa, o cavaleiro sentiu seu sangue ferver. A estranha sensação que experimentara ao fitar os olhos de Esmeralda pela primeira vez voltara com aquele mero toque, fazendo seu coração novamente ser apertado por essa inexplicável força. Sentiu um estranho calor percorrendo as maçãs de seu rosto e percebeu que estava ruborizando. Viu um leve sorriso surgir no rosto de Esmeralda e rapidamente deslizou sua mão até o hematoma. A perna da elfa estremeceu a esse ato. O hematoma demoraria mais algum tempo para sarar. Então, quando o cavaleiro se preparava para recolher sua mão, Esmeralda inesperadamente se inclinou e segurou o punho de Gwaeron. Ao erguer a cabeça o cavaleiro encontrou os olhos firmes da elfa o observando fixamente, seu brilho enigmático mais visível do que nunca. Surpreso pelo ato, e preso pela beleza daqueles olhos, Gwaeron apenas conseguiu retribuir o olhar. Os dois ficaram nessa posição por um longo tempo, até Esmeralda apertar bruscamente o pulso do cavaleiro. - Você está ajoelhado no meu pé. - Desprendendo-se do olhar da elfa, Gwaeron ergueu-se com um pedido de desculpas e recuou para junto da fogueira, recuperando-se rapidamente. Ao perceber que o cavaleiro ainda a fitava, Esmeralda ajeitou-se na grama macia e ergueu uma das sobrancelhas: - Você está bem? - Gwaeron recuperou rapidamente seu tom rude: - Estou. Descanse a perna e tente não forçá-la que o ferimento logo cura. - Sentou-se ao lado da fogueira e permaneceu vigiando a carne. A noite caiu rapidamente e alastrou-se durante as horas. Como nos dias anteriores, Gwaeron permaneceu vigiando Esmeralda enquanto a elfa dormia. Porém, daquela vez, o cavaleiro a olhava com um ar diferente. Por alguma razão, seu olhar deslizava através do corpo de Esmeralda, apreciando as pronunciadas curvas da elfa. E Gwaeron sentia seu sangue ferver com aquela estranha sensação toda vez que fixava o decote da mulher. Quando aquela imagem começava a ocupar seus pensamentos, o cavaleiro rapidamente virou seu rosto para as brasas agora semi apagadas da fogueira e cruzou seus braços, as maçãs do rosto vermelhas. Ele já tinha tido outras mulheres em seus trinta anos de vida, mas, mesmo com aquela idade, ainda não pensava em se casar, ou formar uma família. Seu cargo no exército o ocupava demais para mesmo pensar no assunto. Além disso, Esmeralda era uma elfa. Humanos e elfos eram inimigos mortais desde a guerra de Glast Helm e Geffenia. Um caso entre eles era proibido. Ainda mais com a ameaça de rebelião que o ataque de Esmeralda e seu grupo ao armazém de armas tinha iniciado. Sim, eles não poderiam ficar juntos. Mas Gwaeron repensava essa idéia toda vez que seu olhar escapava na direção da elfa. Um vento frio surgiu de repente, vindo do mar, soprando sobre Gwaeron com um uivo agudo e apagando o que restava das brasas da fogueira, mergulhando o acampamento em uma escuridão gelada e solitária. Iluminado apenas pela Lua brilhante, Gwaeron envolveu-se ainda mais com a capa e estendeu os pés próximos às cinzas da fogueira, aproveitando do calor que restava. O cavaleiro ajeitava-se na relva macia quando um estalar de galhos secos quebrou o silêncio pesado da escuridão. Vinha de trás dele. Subitamente alerta, Gwaeron se virou com a espada em punho, pronto para lutar com mais orcs. Porém, nada havia ao redor do acampamento. Apenas a mata. O cavaleiro estreitou os olhos, tentando detectar formas na escuridão, mas não encontrou nada. Com um resmungo, ergueu-se da grama e foi até o canteiro de samambaias que ladeava o acampamento. Quando se aproximou da mata cerrada, um farfalhar de folhas surgiu repentinamente, como se um lagarto veloz tivesse se afastado rapidamente na mata cerrada, vindo de algum ponto perigosamente próximo ao acampamento. Gwaeron rapidamente virou-se para a origem do som, a espada em riste, mas não encontrou nada em meio á densa folhagem. Aguardou mais alguns segundos, mas o som não se repetiu. O cavaleiro coçou o queixo e permaneceu observando a escuridão da mata por alguns segundos. Então balançou a cabeça e voltou para seu posto junto à fogueira apagada, sentando-se e voltando a vigiar Esmeralda, que permanecia dormindo tranquilamente. Sem o crepitar das chamas, conseguiu ouvir os suspiros suaves que denunciavam que a elfa estava realmente adormecida. Gwaeron sorriu e ergueu o olhar para o céu estrelado. Na manhã seguinte chegaria à Geffen e, de lá, apenas um dia de caminhada o separaria de Prontera. Logo tudo aquilo iria acabar. Porém, mal imaginava ele que o maior incidente naquela tranqüila viagem, e que mudaria para sempre sua vida, o esperava no dia seguinte.
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